quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Desencontrado entre os achados e perdidos.


Hoje pensei sobre alguns sentimentos interceptados antes de chegar em seu destino, paz. Eu poderia passar a vida inteira falando sobre sentimentos e conflitos. Sei lá,  gosto de dedilhar minhas feridas, descascando certas páginas encravadas em meus erros - eu poderia passar na minha cara -  poderia, mas prefiro o silêncio ( sentir calado, pensar em Off). 

***
Sem essa que tudo está certo, quem vive sabe do que estou falando (escrevendo). Quem sente - algo verdadeiro-  tem que ser um mundo para o corpo inteiro. A essa tarefa elevada corresponde uma terrível responsabilidade.

Com isso, somos castigados pelos nossos medos: medo de abraçar a sorte, o desejo de não se entregar aos nossos valores,  medo do mundo, das pessoas, de tudo que se encontra no escuro, por ser estranho. Não é fácil distinguir alguém que vem ao nosso encontro, digo alguém, pessoa  humana. 

Caminhando em movimento: desencontrado entre os achados e perdidos. Me encontro, descontraído nos desencontros da vida que não dá desconto apenas cobra o preço da cara. Um inexorável dever : gostar, querer, amar e proteger em silêncio!

***

Mas nada vai conseguir mudar o que ficou,
Quando penso em alguém,
Só penso em você...



Por Claudio Castoriadis
Imagem:  Felicia Simion Photography
Ouvindo: Renato Russo

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Greenpeace: guerreiros do arco-íris

  
 
A história do Greenpeace começou em 1971, no Canadá, quando um grupo de ecologistas, jornalistas e hippies zarparam do porto de Vancouver, no Canadá, rumo ao Ártico. A bordo de um velho barco de pesca chamado Phyllis Cormack, os ativistas queriam impedir que os Estados Unidos levassem a cabo testes nucleares em uma pequena ilha chamada Amchitka, na costa ocidental do Alasca.

Para levar adiante tal empreitada, o grupo tentou arrecadar fundos com a venda de broches. Verde (Green) e Paz (Peace) eram as palavras de ordem, mas não cabiam separadas no broche. Nascia assim o nome Greenpeace.

Interceptados antes de chegar a seu destino, os ativistas não impediram os Estados Unidos de detonarem a bomba. Mas sua obstinação e coragem despertou a atenção do planeta. Após forte pressão popular, os testes nucleares foram suspensos em Amchitka, então declarada santuário de pássaros. O protesto pacifista teve ainda consequências muito além da esperada. A ideia de que alguns indivíduos podiam fazer a diferença por um planeta mais verde e pacífico se tornou realidade e arrebatou uma legião de seguidores. Foi também o embrião do que é hoje a maior organização ambientalista do mundo.

Um dos tripulantes do Phyllis Cormack, o jornalista Robert Hunter, leu durante a viagem um livro sobre mitos e lendas indígenas. Um trecho impressionou a tripulação: ele narrava a previsão feita 200 anos antes por uma velha índia cree, chamada Olhos de Fogo, sobre o futuro do planeta:

“Um dia a terra vai adoecer. Os pássaros cairão do céu, os mares vão escurecer e os peixes aparecerão mortos nas correntezas dos rios. Quando esse dia chegar, os índios perderão o seu espírito. Mas vão recuperá-lo para ensinar ao homem branco a reverência pela sagrada terra. Aí, então, todas as raças vão se unir sob o símbolo do arco-íris para terminar com a destruição. Será o tempo dos Guerreiros do Arco-Íris.”

Alguns anos depois, o nome “Guerreiro do Arco-Íris” (Rainbow Warrior, em inglês) seria pintado no casco do mais famoso navio do Greenpeace e viraria sinônimo de ativismo ambiental.

 
Fonte: http://www.greenpeace.org/brasil/pt/

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Maria João Pires: talento e autoconfiança


O que fazer quando o redor torna-se subitamente desconhecido e você não sabe mais que direção tomar? Em momentos de instabilidade, confiar em si próprio é fundamental. A pianista portuguesa Maria João Pires deu um dos grandes exemplos de superação de dificuldades e autoconfiança em 1998, quando percebeu, no palco, que havia se preparado para tocar a música errada e não conseguiria acompanhar a orquestra. Foi em um ensaio aberto em Amsterdam, sob regência de Riccardo Chailly, no "Concerto N.20", de Mozart. Quem estava presente percebeu os momentos iniciais de desespero da pianista, os breves comentários com o maestro, a tentativa de lembrar-se da partitura correta e o sucesso na execução. Ela deixa evidente seu temor, diz "Vou tentar" e Chailly incentiva: "Tenho certeza que você consegue". Maria João tocou então o concerto certo, sem um erro. Nada como uma voz de incentivo para ajudar na reconexão com todo nosso potencial. 




Ainda sobre Maria João Pires:


Nasceu em Lisboa em 23 de Julho de 1944, em Lisboa, na freguesia da Pena. Começou cedo a tocar piano. Estudou com o Professor Campos Coelho no Conservatório de Lisboa. Depois foi para a Alemanha, estudou com vários professores de música. Tornou-se conhecida internacionalmente quando ganhou o Concurso Beethoven no bicentenário do compositor, concurso que se realizou em Bruxelas em 1970. Fez várias digressões artísticas, foi convidada a tocar com as melhores orquestras sinfônicas da Europa e dos Estados Unidos. Especializou-se em Bach, Mozart, Beethoven, Schumann, Schubert.

Uma carta que não deveria ser lida


Não sou alguém aqui quando fiquei em outro lugar com meia dúzia de respostas - onde imaginava ter um ar para respirar. Já faz um tempo, incerto tempo na música acelerada da história, entre papeis, palavras, roteiros, consciência, consistência de vida.

Será que eu parei, naquele tempo? Suspenso, sem cor, objeto se decompondo pelos cantos, amparado pela palavra, o silêncio? Por certo a vida afetou meus glóbulos oculares, nervos óticos e boa parte de qualquer alçapão da memória.  

***

Como chegamos até aqui no centro de um furacão ácido e corrosivo de olhares, direções, incertezas, valores, costumes, realidades invertidas, conflitos de interesses. E o sentido onde se escondeu? Cego para o mundo, não tenho respostas para tantas perguntas. A mim me preocupa saber como manter a fé para outras sensações.

 ***

É triste não encontrar o caminho de volta, para o sentido. Destarte sinto semelhante desejo nas pessoas como nota cômica cantando seus sentimentos, no fundo, talvez na superfície, todos querem um sentido. Com a ressalva, nem sempre consigo entendê-los; me conforta saber da minha consciência- consciência da vida, consciência do mundo- penso, demoro, logo vejo uma sombra- cada corpo com sua sombra - abismos detalhados estampados em rostos. Esconsos e masmorras, vejo tanta gente se escondendo em palavras regando cada letra até vingar um palavrão, criatura ainda em formação. Por vezes implicitamente, tudo, tragicamente tudo ( O bastante que me pertence)  é meu e conservo como um segredo, um pouco do imenso pedaço que rasguei da realidade como uma carta que não deveria ser lida. Quando falo, penso, respiro, interminavelmente o futuro permanece indeterminado

***


Tempo
Longa metragem
Vida, sem edição no formato: 
 Aos vivos, em cores, online.

Por Claudio Castoriadis

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Pare e apenas respire!

É melhor levar um desaforo para casa do que chegar em casa sem vida!




Por Claudio Castoriadis

Quem me dera que essa parte infeliz fosse exterior a mim


Assim como outras maldades, em que o tipo humano está no centro das atenções, a mentira também tem seu lugar, seja pequena, grande ou a maior, uma mentira será sempre o espírito pobre que atinge o cerne do nosso mundo. Ela pode ser vista, tocada, manipulada consequentemente idolatrada. Ela tem voz, ora fala demais, ora grita e adormece profundamente no coração das pessoas. Quem me dera que essa parte infeliz fosse exterior  a mim. Porém, não existe um exterior de mim. Eu ainda estou no mundo, tenho consciência do mundo e mundo tem consciência de tudo e continua sendo assim, desse jeito, cambiante, onde a brecha menor é a mais difícil de ser transposta.   


Por Claudio Castoriadis

Gilles Deleuze: fábrica de conceitos


Bem dizendo a história do pensamento que vai e volta, transformando o ponto da criação de conceitos, Gilles Deleuze sintetiza a tendência teórica do seu tempo pautada na história da filosofia. Dando conteúdo a sua forma, Deleuze joga no ar a seguinte proposição: Filosofia é arte de formar, de inventar, de fabricar conceitos.

Nesta posição do problema, pode-se deduzir que a partir da perspectiva de Deleuze e Guattari acerca da atividade filosófica temos o traçado de um plano filosófico em torno do que seria a criação de conceitos, ou mais, de que modo, o pensamento filosófico se efetiva.

Uma das etapas dessa argumentação seria o consenso sobre a filosofia contemporânea francesa, enquanto proposta de registro filosófico. Sendo assim, encontramos em Sartre, Foucault, Derrida, expressão de outras maneiras para pensar as relações com a História da Filosofia nos conceitos já pensados, as oportunidades nas quais ainda há o que pensar, tornando o pensamento criativo.

É como se disséssemos que a filosofia não segue ecoando o pensado, não repete os filósofos, mas colabora retomando o passado com o intuito  de transformação dos conceitos. Toda criação conceitual, segundo Deleuze, é um modo singular do mundo ser visto e nomeado.

A criação e a transformação do mundo pela dinâmica da soma interpretativa de cada filósofo oferece instrumentos que nos permite pensar o mundo. O espaço da atividade filosófica enquanto invenção de conceitos propicia a eclosão de dimensões que não estão mais na ordem do dado, é desta forma que a História da Filosofia pode representar um índice a partir do qual aquele que (re)inventa conceitos, também constitui práticas para o conhecimento de si mesmo.


Por Claudio Castoriadis
Imagem: fonte web

sábado, 26 de outubro de 2013

Letras garrafais


Mente vazia, pensamento privatizado, a casa não tem nada, apenas moveis  entre outros objetos largados. A rua está parada, a rua corre risco, a rua será riscada do mapa, essa rua não é minha estacionada no meio da estrada, pessoas com suas garrafas dirigíveis,  congestionamento, engarrafamento de palavras, letras garrafais na carta dentro da garrafa. 



Por Claudio Castoriadis
Imagem: Caras-Ionut

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Fernanda Albano: uma realidade que se oferece enquanto apresentação sensível


Gosto da escrita, eu diria que ela faz parte da minha vida desde quando a imagem  fez de mim uma paisagem ponte para meu pensamento. Do suspiro temos uma escrita, de uma palavra temos uma imagem. Tudo incluído é uma unidade de partida para uma apropriação e produção de imagem sentimento. A imagem quando bem retratada é ponto de partida e meio para ascender ao conceito, efêmero mediador, simples ou aparição. Uma realidade que se oferece enquanto apresentação sensível de uma ordem que só nela e por ela se dá a ver.


Quem conhece o trabalho da fotografa Fernada Albando faz ideia dessas  palavras. O alvo do seu trabalho retrata o conceito da simplicidade - vida  em  sua grandeza estética. Contemplar, ver a criação em transformação; um mundo com o qual é permitido intervir, sentir no abstrato, concreto, imagem em movimento.


Sua arte tem algo ainda não revelado que abriga o compromisso com a vida. A sacralização da  compreensão cosmológica. Reenvia o presente, o instante positivo e reproduzido pela afirmação do ser; inquietação  pela sua capacidade de veicular a realidade dotada de um ser próprio quando se faz imagem alteridade. 



Por Claudio Castoriadis
Fotos: Fernanda Albano
Página da autora: 

Espinosa: a felicidade humana “beatitude”.


A reflexão filosófica tem corredores, curvas, e veredas em si, no seu interior temos conflitos, castelos conceituais, esconsos e masmorras; poderia ser uma desordem, algo caótico,  poderia ou pode? Sem desconsiderar esses detalhes extraordinários podemos pensar a radicalidade do filósofo Espinosa.

Espinosa nasceu em um bairro judeu de Amsterdam no dia 24 de fevereiro de 1632. Sua filosofia radicaliza a tradição judaico-cristã ao formular uma ética amparada por um modelo metafísico: Deus, natureza, única substancia. Spinoza chama de substancia aquilo que verdadeiramente existe, o ser interior ou a essência. Substancia é aquilo eterno, imutável, é aquilo que pode ser pensado como tendo existência completamente independente e do qual todo o resto participa como forma ou modo transitório. Porque não pode ser explicada por nenhuma outra coisa, ela deve ser sua própria causa, ou necessariamente existente. "Além de Deus, nenhuma substância pode ser dada ou concebida". Essa proposição sintetiza a confiança pessoal do autor na medida de todas as coisas:  "Deus" idêntico ao universo; tudo que existe, sob qualquer forma, é parte de Deus. Esta proposição conflita com a ideia mais comum de que Deus é transcendente, distinto da sua criação, amputado do mundo físico e dos homens.

 ***

Estudar suas teorias consiste em compreender uma manifestação característica do pensamento do século XVII, a projeção metafísica do movimento da natureza. Sua filosofia é considerada uma resposta ao dualismo da filosofia de Descartes (1596-1650).

No centro do sistema espinosano, existe uma única substancia e esta substância é Deus. Segundo o dualismo cartesiano, o ser humano se relaciona de tal modo com um Deus Criador que sua alma racional pode continuar existindo mesmo que sua natureza corpórea desapareça. Em Espinosa temos Deus e natureza na mesma realidade, unicidade – o que significa na prática uma teoria que rompe inteiramente com a tradicional concepção de um Deus pessoal, bom, criador de um mundo.


Por Claudio Castoriadis 

estudar Espinosa é compreender uma manifestação característica do pensamento do século XVII e, em especial, a projeção metafísica da então nova conceção mecânica da Natureza - See more at: http://www.joaquimdecarvalho.org/artigos/artigo/82-Introducao-a-etica-de-Espinosa#sthash.URjGtjDF.dpuf
estudar Espinosa é compreender uma manifestação característica do pensamento do século XVII e, em especial, a projeção metafísica da então nova conceção mecânica da Natureza - See more at: http://www.joaquimdecarvalho.org/artigos/artigo/82-Introducao-a-etica-de-Espinosa#sthash.URjGtjDF.dpuf

estudar Espinosa é compreender uma manifestação característica do pensamento do século XVII e, em especial, a projeção metafísica da então nova conceção mecânica da Natureza - See more at: http://www.joaquimdecarvalho.org/artigos/artigo/82-Introducao-a-etica-de-Espinosa#sthash.URjGtjDF.dpuf

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Em segredo para não ser mastigado.


Quem nunca sentiu aquele sentimento no pensamento? Um sentimento desajeitado, insistente não apenas nas ideias, no corpo inteiro. Quando pensamos que não já está no pensamento o sentimento. Falando seriamente, esse sentimento metido no pensamento tem boca, fala e mastiga com os dentes. Cada dente afiado mastigando o pouco da vida que nos resta. A vida que se encontra metida no cabelo da cabeça, na pele descoberta que cobre a carne coberta dos ossos, na alma vestida dentro do corpo pelado.

Tenho é medo dessas coisas. Não apenas "dessas coisas", tenho um catálogo de medos. Afinal quem não teria? Que atire a primeira mentira quem nunca se viu mastigado por seus temores. Tem uma frase do Rimbaud que acho assustadora: por delicadeza, perdi a minha vida. Como alguém perde a vida dessa maneira? Tão delicada? 

*** 

Olhando por um lado faz sentido. Quando penso que o universo-telhado não protege os sentimentos frágeis de um dilúvio denominado destino. Uma palavra tão destruidora de sentidos. Sinto falta de outras palavras, outros sentidos, outros lugares, pessoas, daquele sorriso (...)!!!!

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Sinto tantas coisas quando penso no porvir. Sinceramente? Algumas coisas nem gosto de pensar e quando penso, penso em Off para não ser mastigado.



Por Claudio Castoriadis
Imagem: fonte web

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Lembrança: um bichinho ainda em formação




Supondo que a lembrança seja flexível. Um bichinho ainda em formação, ação com variações de velocidade. Nem tudo seja tão tudo assim, (Tudo de ruim, tudo de bom) e a leveza de ser não tenha o peso para curvar nossas costas. Falando nisso, tem gente se curvando por tão pouco. Mas voltando ao assunto da lembrança, antes que eu esqueça. Nossas lembranças são muito mais flexíveis do que pensamos — estão mais para uma peça de teatro, seguindo no improviso, um mesmo barco navegando pelas águas e depois outras águas. Certo aquele carinha quando falou: o mundo é nossa vontade e representação. A cada vez que uma lembrança vem à tona, podemos moldá-la novamente. Lembrou? Outra mente e nova- mente. 



Por Claudio Castoriadis
Imagem: fonte web



segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Poesia concreta: hibridismo metalinguístico




O poeta é um louco, já nos dizia Platão, num sentido positivo, sendo esse louco digno de louvor pela conquista do espírito transgressor presente no processo de criação das obras de arte. Livre pela disposição para o diálogo com as rupturas estéticas, as pedras, palavras, são atiradas nas margens do que se manifesta em todas as instâncias da literatura que congrega em si a unidade das vias e relações com a vida. 

O poema se constrói com signos que representam, enunciados mágicos, claros e obscuros, ele conduz o pensamento do leitor por um passeio próprio: o fazer poético, voo sinestésico. Um coro de informações cognitivas trazidas pela ação diacústica. Contudo a circulação efetiva nesse contexto não é guiada, ela é relançada sem parar. 

A poesia concreta surge no cenário literário mundial graças à iniciativa dos poetas Décio Pignatari, Haroldo de Campos e Augusto de Campos. Suas primeiras experiências foram publicadas na revista Noigandres, fundada pelo grupo em 1952. Para eles havia uma crise na tradição poética, como acontecera uma crise do artesanato na era pré-Revolução Industrial. Por tanto, era preciso criar uma nova forma de expressão, pratica, inovadora, mais direta que exprimisse uma nova realidade. Influências? Poetas na linha do Mallarmé, Ezra Pound, Cummings, Apollinaire, escritores revolucionários como James Joyce, futuristas e os dadaístas. Com o mesmo fôlego foram garimpando autores marginalizados como Sousândrade e Kilkerry. 
 
Vários recursos visuais, condensação de sentidos, profundidade, multiplicidade de cores, condição natural, visão planetária da criação, diversas leituras possíveis gradualmente na mesma leitura: essa é a característica do concretismo. Símbolo de ousadia. Uma estética descortinada pela interdisciplinaridade do hibridismo metalinguístico. 

Graças a seu caráter crítico e muitas vezes antecipatório, a "Poesia Concreta" se abre, como realização e desvelamento da natureza em ebulição.  A jovial poesia, que não se conforma, não se desgasta no longo – curto prazo da vida- constitui um bálsamo de experimentos, sendo o receptáculo ideal de confluências, imagens, nuances e dissonâncias. Sua amplitude materializa e se consubstancia como experimento concreto desconstrucionista da realidade.

Para o leitor resta o desafio de explorar ao máximo as camadas materiais do significante, num processo de interação (correlato ontológico) “advento de uma nova ordem poética” verbi-voco-visual, exagerando nas inovações das esferas semânticas, tons, sintática, léxica, morfológica, fônica, tipografia, não poupando o uso da polissemia, radicalizando neologismos, fazendo bom uso de assonâncias e ideias.



Bem vindo ao mundo concreto do real. 



Por Claudio Castoriadis













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