terça-feira, 29 de outubro de 2013

Uma carta que não deveria ser lida


Não sou alguém aqui quando fiquei em outro lugar com meia dúzia de respostas - onde imaginava ter um ar para respirar. Já faz um tempo, incerto tempo na música acelerada da história, entre papeis, palavras, roteiros, consciência, consistência de vida.

Será que eu parei, naquele tempo? Suspenso, sem cor, objeto se decompondo pelos cantos, amparado pela palavra, o silêncio? Por certo a vida afetou meus glóbulos oculares, nervos óticos e boa parte de qualquer alçapão da memória.  

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Como chegamos até aqui no centro de um furacão ácido e corrosivo de olhares, direções, incertezas, valores, costumes, realidades invertidas, conflitos de interesses. E o sentido onde se escondeu? Cego para o mundo, não tenho respostas para tantas perguntas. A mim me preocupa saber como manter a fé para outras sensações.

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É triste não encontrar o caminho de volta, para o sentido. Destarte sinto semelhante desejo nas pessoas como nota cômica cantando seus sentimentos, no fundo, talvez na superfície, todos querem um sentido. Com a ressalva, nem sempre consigo entendê-los; me conforta saber da minha consciência- consciência da vida, consciência do mundo- penso, demoro, logo vejo uma sombra- cada corpo com sua sombra - abismos detalhados estampados em rostos. Esconsos e masmorras, vejo tanta gente se escondendo em palavras regando cada letra até vingar um palavrão, criatura ainda em formação. Por vezes implicitamente, tudo, tragicamente tudo ( O bastante que me pertence)  é meu e conservo como um segredo, um pouco do imenso pedaço que rasguei da realidade como uma carta que não deveria ser lida. Quando falo, penso, respiro, interminavelmente o futuro permanece indeterminado

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Tempo
Longa metragem
Vida, sem edição no formato: 
 Aos vivos, em cores, online.

Por Claudio Castoriadis

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