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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Democracia inclusiva? Com a palavra o filósofo grego Takis Fotopoulos




Hoje enfrentamos uma crise multidimensional muito séria. Essa crise afeta todas as esferas da vida. Em outras palavras, trata-se de uma crise econômica, uma crise política, uma crise social, uma crise ecológica e mesmo uma crise cultural. Portanto a questão é, existe algum desenvolvimento comum, quer dizer, poderíamos encontrar uma causa comum para os vários aspectos da crise? Para mim, a resposta é sim. A causa é sempre a concentração de poderes em vários níveis. É a concentração de poder econômico, que leva à crise econômica, de poder político, que leva à crise política, e assim por diante. A crise política é um subproduto da dinâmica da democracia representativa. A Democracia representativa não é um sistema que sempre existiu - foi criada mais ou menos na mesma época do sistema de economia de mercado, 200 atrás, e a sua dinâmica nos tem levado à presente situação, onde já não são mais nem mesmo os parlamentos que tomam decisões, já não são nem mesmo os governantes, e sim claques em volta do presidente ou do primeiro ministro que tomam todas as decisões importantes. Isso gera uma imensa alienação. É por isso que hoje não temos mais partidos políticos de massa. As pessoas não se tornam membros de partidos como acontecia antigamente. E mais: hoje muitas pessoas já nem votam mais. Portanto, esta é uma manifestação da fantástica crise política que o sistema de democracia representativa passa neste momento. Por isso, se formos atentar para todos os aspectos da atual crise, veremos que a causa final atrás dela está na concentração de poderes, de alguma maneira. E é por isso que carecemos de inclusão democrática, porque a democracia inclusiva é a abolição dessa concentração de poderes em nível institucional, a abolição de concentração de poder em todas as suas formas e é a criação de condições de compartilhamento igualitário de poder, de poder político, econômico e assim por diante. 

Portanto, o projeto da democracia inclusiva, de certo modo, é uma síntese das duas maiores tradições históricas, a tradição socialista e a tradição democrática, e também das tendências que se desenvolveram nos últimos 30 ou 40 anos, os novos movimentos sociais, o movimento feminista, o ecológico, os movimentos de identidade de vários matizes, e assim por diante. Em outras palavras, o projeto de democracia inclusiva é uma síntese de todas essas experiências históricas, da socialista e também da tradição democrática e todos aqueles neo-movimentos sociais.



Ao interessados, confira o vídeo com a entrevista na integra onde o Takis Fotopoulos fala sobre o projeto de democracia inclusiva, concedida para série "Alternative Economics, Alternative Societies" em 19 Julho 2003.



Fonte:
Takis Fotopoulos
Democracia Inclusiva
Transcription of a video by O. Ressler,
recorded in London, Great Britain, 37 min., 2003
Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Brasil: o mito da democracia racial


Novamente fico na mesma tecla: é importante delimitar uma problemática. As pessoas esquecem em debater sobre cota e vão argumentar especulações filosóficas sobre a vida. Quem pode e quem não pode.  O mito da democracia racial, construído por Gilberto Freyre e vários intelectuais não cabe mais em nosso contexto. Porém, existe uma coisa chamada imaginário coletivo, onde muita gente guarda seus valores, e deixam vingar a ideia de que nosso problema seja social, de classe socioeconômica, e não da cor da pele, faz com que ainda subsista a ascensão conservadora estática da elite. Apesar das leis 10.639 e 11.645 tornarem obrigatório o ensino da cultura, da história, do negro e dos povos indígenas na sociedade brasileira - nosso país não deixou de lado seu racismo mesmo com sua máscara de um estado multicultural. Primeiro negro eleito para presidir o Tribunal Superior do Trabalho, o ministro Carlos Alberto Reis de Paula em alto e bom tom classifica a sociedade brasileira como "racista e discriminatória" "É racista, discriminatória e usa de discriminação por um motivo muito simples: uma questão cultural”.




Por Claudio Castoriadis

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Filosofia: As encruzilhadas do labirinto.



Aproximadamente à quinze anos, antes das minhas primeiras investigações filosóficas, uma questão sempre foi de suma importância para meu percurso intelectual: "Honestidade". Toda vez que um texto instigasse minha curiosidade, seja pela sua densidade ou pela sua riqueza de linguagem, da forma mais inquiridora possível tratei os grandes pensadores com todo respeito que sua trama intelectual suscitava. Desde cedo minha iniciação na filosofia me ensinou a gravitar em textos com o mais profundo respeito aos mais variados discursos intelectuais.  “Cautela” é a palavra de ordem para um apreciador de um texto filosófico. Amante da filosofia, sempre cultivei a opinião que uma letra mal empregada pode distorcer uma palavra e uma palavra distorcida pode definhar uma ideia geral de uma frase. E se tratando de um texto filosófico o desafio é mais criterioso exigindo o máximo de disciplina. Falar de um texto de tal envergadura e assumir o desafio em encarar fluxos de reflexões dos grandes mestres da humanidade só é possível quando somos honestos com os mesmos. Quem foram esses mestres?  O que eles escreveram? Qual a relevância do pensamento desses gênios em nossos dias? Será que não existe em nós cada um de seus questionamentos? Bem, antes dessas perguntas creio que tentar definir o que é filosofia seria mais sensato para os leitores principiantes nesse universo tão exuberante.

Pois bem, sou do tipo de sujeito que gosta de responder uma pergunta com outra. Ou nesse caso específico “outras”.  Falar que a palavra filosofia provém da língua grega e que seu significado é especificamente amor à sabedoria responderia nossa pergunta? Creio que não. Então, nada mais sensato que adotamos outro método para pelo menos obtermos uma pálida imagem do significado da filosofia propriamente dita. Daí mais uma pergunta entra em cena: Que método por ventura devemos empregar para delinear o que é a filosofia? Compreenderemos a importância de uma pergunta como esta se reunirmos e compararmos com precisão as diferentes definições da essência da filosofia que os grandes pensadores deram ao longo da história? Uma proposta relevante principalmente quando outro problema vem à tona: de Platão a Nietzsche somos banhados por um dilúvio de informações, termos, conceitos, ideias das mais variadas invadem nossa mente afogando nossas convicções e crenças mais íntimas. Com isso, perceberemos as gritantes definições da essência da filosofia e seu sentido último. Como assim?  Estamos falando de filosofia ou filosofias? No fundo, vocês poderiam me fazer ou se fazer essa pergunta. Segundo a tradição a filosofia nasce com Tales e Anaximandro. Fincando sua base, pois, na Grécia, ela se desenvolve como instância significativa da cultura ocidental nos últimos dois milênios. Vale lembrar que existem aqueles pesquisadores que seguiram uma outra via para legitimar a origem da filosofia, no século XIX, buscaram suas origens em possíveis contatos com a cultura oriental, porém, presumo ser mais sensato, nesse momento, pensar a origem da filosofia aqui em nossa esfera. Enfim, a forma de expressão e peculiaridade do pensamento filosófico como conhecemos hoje em nossa tradição ocidental "nasceu" no universo cultural da Grécia antiga.

 Certa vez Bertrand Russel chegou a comentar: "A filosofia nasce de uma tentativa desusadamente obstinada de chegar ao conhecimento real". Nessa máxima podemos compreender que filosofia implica em uma postura obstinada em conhecer à totalidade dos objetos a busca exaustiva em reconhecer o fundamento da realidade. Uma resposta bastante formal? Possivelmente. Visto que temos outras definições tão categóricas. Então o grande problema de definir o que é filosofia é compreender como cada pensador em seu contexto histórico trabalharam o enfoque da totalidade? Como cada intelectual percorreu seu tempo ambicionando reconhecer o conhecimento real?  Uma aventura um tanto cansativa e longe o suficiente para esgotar o assunto. Cada pensador foi fruto de sua época. Viveu em determinadas circunstâncias, absorveu todo conhecimento necessário e deleitou-se nas grandes descobertas humanas de seu tempo. Por isso, cada linha do nosso modo de pensar e conceber nossa realidade é reflexo das ideias que foram trabalhadas na Grécia antiga antes mesmo do filósofo Platão.

Tendo em mente a filosofia como reflexão especulativa sobre nosso comportamento valorativo teórico e prático não vejo a filosofia como Platão em seu tradicional mito da caverna onde o filósofo seria aquele bem aventurado que realiza uma passagem da obscuridade da aparência para a claridade da verdade. Minha honestidade intelectual prefere pensar a epopeia de um filósofo além da claridade platônica. Depois da caverna, jogado no centro de um labirinto de espelhos onde a luz da planície desapareceu e perturbado pela clareira do conhecimento, não mais contempla uma paisagem estável maquiada pela “razão”. Como diria o filósofo Castoriadis: Nesse labirinto o mais próximo é o mais distante. Conceitos, ideias, teorias refletindo de todos os lados em cada espelho desse obscuro labirinto. Em cada parte um rosto e em cada rosto uma linguagem conceitual. Sozinho é preciso lutar contra todos os perigos, todas as ciladas, toda tempestade. Olhando para um lado podemos vê o reflexo de Tales de Mileto, dando poucos passos, batemos de frente com a figura de Anaximandro. E logo em frente ao avançar lentamente e com circunspeção, deixando de lado as misérias e a insegurança do incerto  encontramos outros reflexos que complementam o jogo de imagem desse lugar: Sócrates, Platão, Aristóteles, Epicuro, Plotino, Agostinho, Tomás de Aquino, Francis Bacon, Descartes, John Locke, Voltaire, Rousseau, Kant, Hegel, Karl Marx, Nietzsche, Heidegger, Hanna Arendt, Sartre, Habermas e Sloterdijk.  Por fim, um labirinto de espelhos responde a pergunta “o que é filosofia?”. Evidente que não. E tenho que ser “honesto”, nunca foi essa minha ambição e não tenho do que me envergonhar, não sou do tipo que se eleva tão alto, pois ainda tenho medo de altura. Mais uma pergunta certamente deve ser feita para aqueles que buscam pela filosofia e sua essência na história do pensamento ocidental: Quando você olhar no espelho novamente quem você realmente gostaria de vê? Seu rosto? Sereno e tranquilo esculpido pelo seu tempo. Ou a face deformada do filósofo Giordano Bruno? Queimado em uma fogueira vítima de seu tempo. Por falar nisso, você já olhou no espelho hoje?



Por Claudio Castoriadis
Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Mil platôs - vol. 5 Capitalismo e esquizofrenia



Mil platôs- Volume 5 é o mais profundo trabalho político de Deleuze e Guattari. O livro não tem uma linguagem fácil e de imediata compreensão para o grande público. Se bem que uma linguagem hermética não visa afastar leitores, mas sim, informar os mesmos didaticamente sem fazer  sentenças mais compreensíveis aos leigos em filosofia que pode levar a um empobrecimento no uso da disciplina em seu sentido clássico. Enfim,  sobre a obra e suas últimas descobertas, a primeira vista, ela parece, na verdade, um  longo manual de instruções, tirando todas as dúvidas e com todas as receitas para a prática de uma boa ação política. Deleuze e Guattari apresentam com uma rica terminologia dicotomica no campo social e político: “o Estado e a máquina de guerra”, “o sedentário e o nômade”, “territorialização e desterritorialização”, “o estriado e o liso”, e assim por diante. As distinções parecem proliferar infinitamente, mas todas elas giram em torno de um único eixo. O mundo é dividido em compartimentos e o texto nos convida a censurar uma esfera e afirmar outra — Abaixo o Estado! Viva a máquina de guerra nômade! Se ao menos a política fosse tão simples.

No entanto, ao prosseguirmos na leitura, percebemos que Deleuze e Guattari, com abundância de termos técnicos, como era de se esperar desses dois mestres na escrita, reviram vários pontos de vista dessa clara série de distinções. Abrindo um leque de possibilidades, onde os termos contrastantes, que alguns pensam como antípodas, não estão em oposição absoluta um com o outro. Os termos de cada distinção não são postos em contradição, mas sim em uma relação oblíqua ou diagonal, diferente e desconjunta. Não obstante,  quando analisarmos cada par mais de perto, descobrimos que nenhum termo é realmente puro, ou exclusivo de seu outro.  Estado sempre contém internalizada uma máquina de guerra institucionalizada; todo movimento de desterritorialização carrega consigo elementos de reterritorialização. As próprias fronteiras que separam os termos emparelhados, estão continuamente em fluxo. Finalmente, o que parecia ser o caminho assinalado da liberação revela, por vezes, conter paradoxalmente a dominação mais brutal: o alisamento do espaço social traz, às vezes, uma rigorosa hipersegmentação por interesses a fins; linhas de fuga revertem-se frequentemente em linhas de destruição, tendendo assim ao fascismo e ao suicídio entre outros males do o convívio social. A obra é organizada em quinze "platôs", que podem ser lidos de forma independente. O volume 5 inclui os platôs 12) 1227 - Tratado de nomadologia: a máquina de guerra; 13) 7.000 a.C. - Aparelho de captura; 14) 1440 - O liso e o estriado; e 15) Conclusão: Regras concretas e máquinas abstratas.


Fica mais uma dica de leitura! Cultura e filosofia para todos.


Por Claudio Castoriadis 





Mil platôs - vol. 5
Capitalismo e esquizofrenia
Gilles Deleuze
Félix Guattari
Tradução de Peter Pál Pelbart e Janice Caiafa
Revisão técnica de Luiz B. L. Orlandi
Coleção Trans

264 p. - 14 x 21 cm
ISBN 978-85-73260-57-1
1997 - 1ª edição; 2012 - 2ª edição
Edição conforme o acordo Ortográfico da Língua Portuguesa
Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

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