domingo, 30 de novembro de 2014

valtari


joaninhas se amalgamam 
entorno e contorno 
cercando valtari

|na cerquinha
mariposas|


do olfato
aquilo que brota
interpreta-se muito mais vasto

do bojo
um alazão

do casco

filatelias, catulos 


Por Claudio Castoriadis
imagem: Goro Fujita Artist

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

um rascunho na oliveira


-dante:
quantas bibliotecárias encolheram meus olhos?
a primeira vista, desidratando o laurel do litígio
disso pretextando a cegueira da súbita querela
-virgílio:
nos limites receptivos, por hemisfério, átimos
gaturamos rendilhados, que parecem, flechas
lancei mão das palmas colhendo uma floresta
a mata cônica, a cauda do lago, o verde lustro
-beatriz:
o alabastro cheio de pernas junta seus juncos
pungindo os pássaros que irradiam da oliveira
destelho um saquinho de estrilos e plenilúnios
-incipit commedia-


Por Claudio Castoriadis
imagem: Goro Fujita Artist

sábado, 22 de novembro de 2014

falando em bigornas


ontem esperei pela imunidade. agora já sei como carregar uma bigorna. Justamente no dia em que toda remessa me veio a calhar, e tão inesperadamente para o qual foi intimada: sustentar o eixo das copas em espiral. o amanhã configurado no grão seriamente menor, por uma vida, milhares de elementos, salvo algumas exceções o ligeiro golpe da noite. hoje minha coragem é feita de alvenaria sobre a qual resmungam vagas indignações. passos vaporosos de um canto para a alameda esbarrando nas utensílios do guichê.


Por Claudio Castoriadis
imagem fonte web

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

papel parede

quantos carvões cabem numa fumaça? quantos pulmões dividem oxigênio com balões? e as xícaras? de onde trovejam suas asas? as elucidações em massa destrancam vários coxins na nuca. à esquerda, de antemão, a cortina bate palma conduzida pela cornucópia rente à botija de zimbro. o colar preciso vai certeiro, esfregando os ombros em cima do dique. antes, não estivera a dizer um marasmo em papel parede enrolado no baralho. depois do longo suspense, um olho arregalado senta na poltrona, uma última edição sobra na banca. em dado momento a valva dispara inerme na mandíbula do inválido, afunda três - ou mais polegadas do sargaço. em média, as coisas são pequenos sopros que se desmancham em penugens.

por claudio castoriadis
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Eliano Silva : descodificando conceitos


Eliano Silva é um poeta e músico potiguar da cidade de Pau dos Ferros, que projeta sofisticação emotiva com poesia onto-animada-livre recombinando fragmentos do bem aventurado cotidiano. O moço nasceu em 1991 e já na infância iniciou seus estudos em música através de um grupo de flauta doce do município.

Dizem que pessoas são mais que canções, pessoas são musicais. Existe uma ligação  que vibra nos músicos de todos os gêneros musicais, sejam eles intuitivos ou especializados. Este substrato provém do magnífico desafio implícito no ato de compor. É preciso cristalizar sua obra em canção, cuidar, interiorizar, seja ela uma ideia em formação, um fenômeno ou um sentimento de vida. Uma canção deve persuadir seu ouvinte, educar, ou seja, convencê-lo de que aquilo que sua canção diz é berçário para a natureza.

A perícia do jovem Eliano Silva rema por essas correntes da vida. Seu trabalho é justamente a medida da eficácia que desemboca puxando notas na direção do horizonte onde nada se perde. No plano de expressão, sua rima pode ser considerada como um mecanismo de resgate. A recorrência de uma mesma sonoridade a intervalos regulares ritmando termos, valores, sonhos, encantos e desencantos- no mesmo canto, do micro ao macro descodificando conceitos. Ao fluxo instável e acústico da sua fala se sobrepõe a regularidade de todo um processo criativo.

O processo de gestão de seu primeiro EP, "Quiçá", inteiramente belo e autoral, chegou com quele gosto de arte fervendo, onde foram selecionadas quatro músicas de seu repertório  e que se encontravam na gaveta.


Por claudio castoriadis

terça-feira, 18 de novembro de 2014

covinhas


em um pedaço de pão, atulhado de prescrições, covinhas chegam cobrindo milhões de olheiras. as mãos usam as meias com as manchas dos sapatos. estalos entre os travesseiros, o sofá de marroquim realça o forro grisalho, o casaco, ralo, ainda por fazer. todos os pilares param em diferentes pontos ao longo do curso, na escadaria, forçam os calcanhares - prosseguindo devagar, depois de algumas pausas- todas as claves, estrelas, bichanos e flores pondo na veneta o rompimento que deslinda convulsivamente os dedos maduros. passa um segundo, custa muito, passar outro segundo. quando menos se espera o terceiro segundo vem, voa para longe e parece arraigar na orla das nuvens sentado no meio do sono, e o mundo, atrás do souvenir.


Por Claudio Castoriadis
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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

moldura engarrafada


na sombrinha a vida vem da grama
a mecha do sarau decora o mantra
o circo se quebra na corda de cima

:
o equilíbrio do malabarista
tasca-se por entre dilúvios
:
reclamações tragicofóbicas

                 quem fez da luz
vosso trigo?
outra moldura engarrafada?
:
candeia do saveiro


endereço: rosários


pense nesses atos


o tempo em breve


o azulê paga sarro
:
dentro das poucas sementes
o concreto,de fora, cabriolas
árvores aos gritos anelantes
na floresta de frente pra rua



Por Claudio Castoriadis
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domingo, 2 de novembro de 2014

apenas mais uma de amor


meu coração é feito de carne
restos de plumas e cartilagens
nervos de aço ardorosamente
sustentam minha estrutura
e prosa vascular
não falo de semântica
se manca, ou batendo o pino
mas, acima de tudo
vírgulas bipolares
imperativos, incertezas
ontocontradições
manételeológia
:
rebola sucrilhos nas cataratas
cédulas endoplasmáticas
veias entupidas
disritmia
:
meu coração tem boca
não sei por quê, favelado
come pelos dentes, digere
pulsa, batuta, embrulha
quando te vê



Por Claudio Castoriaids
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