quinta-feira, 30 de maio de 2013

Rimbaud: desmembramento dos sentidos ultrapassando a linha do delírio.




"Jamais pratiquei o mal. Os dias me serão leves, o arrependimento me será poupado"

Rimbaud



Revolucionário do seu tempo, a poética de Rimbaud ultrapassa a linha do delírio, do desmembramento dos sentidos apresentando um mundo novo. Com isso, temos um autor autentico com uma obra sufocante, provocante. Uma nova estratégia da linguagem. Certamente é preciso cautela e estômago para uma bem sucedida aproximação com seus textos. Afugentar leitores, talvez seja essa a sombra que paira em seu estilo? Sua fosforescência desconstrói a barreira das línguas. 


De acordo com o crítico Hugo Friedrich, o poeta fez ir pelos ares não só sua própria produção inicial como também a tradição literária que se achava atrás dele, além de criar uma linguagem que, ainda hoje, se mostra produtiva na lírica moderna. "Sua obra corresponde a essa impetuosidade. É exígua; mas a ela se pode aplicar uma palavra-chave de Rimbaud: explosão." diz o crítico.

Poeta Maldito, maldição constitutiva da poética e visão de mundo. Encarnou o desconhecido rasgou o invisível e inaudível. Em Uma temporada no Inferno, criou o monólogo do exilado no mundo – “Por ora sou maldito, tenho horror à pátria” – que perdeu a memória – “De nada mais me lembro anterior a essa terra e o cristianismo – e tem o “sangue mau”. Um selvagem da “raça inferior”, além de longínqua: “meus pais era escandinavos: vazavam o flanco, bebiam o próprio sangue”. Identifica-se aos marginais e párias; aos criminosos: é “o forçado intratável contra quem se encerram as grades da prisão”. E por fim verberou "Chega de frases. Não vejo a hora em que tombarei no vácuo". Conhecido pelas longas e rotineiras caminhadas, percorrendo a Europa e os oceanos, atrelado em ocupações para ganhar a vida. Rimbaud aprendeu uma porção de línguas, para findar, finalmente, na África, perdendo-se na teia de aranha por ele mesmo tecida entre Aden e DjibutiZeilah e Harar, onde cumprira o resto de seu ciclo infernal em atrozes condições chegando a morrer como um mártir aos trinta e sete anos. Temperamento forte, para muitos estudiosos o seu destino estava sacramentado: solidão. Terrivelmente só.

Rimbaud, o poeta perverso. Entre aqueles poemas iniciais, “Os poetas de sete anos”, em que se descreve como menino que “Teimava em se trancar no frescor das latrinas / Para pensar em paz, arejando as narinas”. Encontra-se com uma “pirralha infernal”, filha de oito anos do “operário ao lado”, que lhe pula às costas: “Ele por baixo então lhe mordiscava as popas, / porquanto ela jamais andava de calcinha”. Observa Calasso: “Até então a literatura vivera ignorando tudo isso. Nenhum escritor, nem mesmo Baudelaire, ousara mencionar cenas desse tipo”. 



Depoimentos



André Gide

Rimbaud era para mim como um poeta demoníaco, um "poeta maldito" entre todos e gostava de o ser, com a ajuda do álcool, o "famoso gole de veneno" que ele nos convida a beber e que eu degustava com prazer, mais embriagante que qualquer outro vinho, que não podia convir senão aos fortes, eu pensava.

A que estranha danação ele não arrastaria todos os outros?

Rimbaud, com seu individualismo exacerbado, sua insubmissão. O selvagem Rimbaud. Ele assusta... mesmo preso!

... Há o que ele quis dizer, o que pensamos que ele quis dizer; mas o que ele disse sem o querer e contra si mesmo.

Rimbaud continua um mestre admirável na arte de escrever, um inventor de formas cuja originalidade não foi esgotada por nenhum de seus inúmeros imitadores.


Henry Miller

Creio que há muitos Rimbaud neste mundo, e que seu número crescerá sempre. Creio que, no futuro, o tipo Rimbaud substituirá o tipo Hamlet e o tipo Fausto.

Rimbaud é uma curiosa mistura de audácia e timidez. Ele tem a coragem de se aventurar lá onde nenhum branco jamais pôs os pés, mas ele não é capaz de enfrentar a vida com pouco dinheiro. Não tem medo dos canibais, e sim dos brancos, de seus semelhantes.

Une Saison en Enfer: este livro é a última palavra do desespero, da revolta, da maldição.

Ele combateu até o extremo limite de suas forças. E é por isso que seu nome, como o de Lúcifer, continuará glorioso.

Nele havia luz, uma maravilhosa luz, mas ela não devia se espalhar antes que ele morresse.




Dica de leitura


Uma Temporada no Inferno
Arthur Rimbaud
Tradução de Paulo Hecker Filho
74 páginas
LPM POCKET
2002






Por Claudio Castoriadis
Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

quarta-feira, 29 de maio de 2013

O eterno caminhar das palavras


O movimento é algo que assegura a poesia,
andar, refletir, dançando sobre o ritmo do pensamento
— o eterno caminhar das palavras.
Fazendo-o perceber os sentimentos, detratores
Que saltam em sua alma!

Esse impulso que age naturalmente tem algo
Coisas: ideias de outras ideias de coisas...
Esplêndido cortejo, tolice que se lança,
Alcança fremente a diamantina beleza
Um mar de dádivas

Exaltação da vida
Pássaros, palavras
e tons 

Por mais que alguém julgue o curso da natureza
Aquele do outro lado,
mesmo que em horrível contrapartida
Todos, sombras do antes, presente...Ausente
Seremos para todo o sempre
A eterna comédia, nobre e vulgar
Embriagante beleza, meticuloso exílio
Finalidade primordial — movimento.




Por Claudio Castoriadis
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Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

"Não confunda ética com éter" Natália - Legião Urbana!!!



Penso, logo sou...Renato- cultura- Russo!

"Não confunda ética com éter" 

Éter: nome da substância que os físicos acreditavam que existia em todo o universo, mas sem massa, volume e indetectável, pois não provocaria atrito. 

É, na mitologia grega, a personificação do conceito de "céu superior", o "céu sem limites" (diferente de Urano). É o ar elevado, puro e brilhante, respirado pelos deuses.




Por Claudio Castoriadis
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segunda-feira, 27 de maio de 2013

Que coisa é a vida. Que coisa pior ainda é o tempo


Um homem vem caminhando por um parque quando de repente se vê com sete anos de idade. Está com quarenta, quarenta e poucos. De repente dá com ele mesmo chutando uma bola perto de um banco onde está a sua babá fazendo tricô. Não tem a menor dúvida de que é ele mesmo. Reconhece a sua própria cara, reconhece o banco e a babá. Tem uma vaga lembrança daquela cena. Um dia ele estava jogando bola no parque quando de repente aproximou-se um homem e... O homem aproxima-se dele mesmo. Ajoelha-se, põe as mãos nos seus ombros e olha nos seus olhos. Seus olhos se enchem de lágrimas. Sente uma coisa no peito. Que coisa é a vida. Que coisa pior ainda é o tempo. Como eu era inocente. Como meus olhos eram limpos. O homem tenta dizer alguma coisa, mas não encontra o que dizer. Apenas abraça a si mesmo, longamente. Depois sai caminhando, chorando, sem olhar para trás.

O garoto fica olhando para a sua figura que se afasta. Também se reconheceu. E fica pensando, aborrecido: quando eu tiver quarenta, quarenta e poucos anos, como eu vou ser sentimental!


Luís Fernando Veríssimo 
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domingo, 26 de maio de 2013

Algo entre tantas coisas


Pálida, a chama de uma vela que se derrama d' alvorada
É noite, pressinto o dia, ave d'aurora, algo entre tantas coisas
sombra esvaecida, arquejando, tentando, querendo ser...
Fora, oxidado, sem controle, desatento, nest'hora remoendo
A ânsia da glória, agora se perde
Um lampejo do passado.





Por Claudio Castoriadis
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segunda-feira, 20 de maio de 2013

Psicopata: natureza devastadora e assustadora.



Já dizia o intelectual Adler que o neurótico é vítima da realidade imaginária que elegeu como diretriz ou finalidade de vida. Dito de outra forma, é o sujeito que escolhe um fim fictício para dar sentido à existência e busca satisfazer, simultaneamente, as exigências do mundo real e desse universo por ele inventado, mantendo-se cativo de uma tormentosa ambivalência.

Pois bem, quando a neurose passa  ser algo incontrolável? Uma anomalia psíquica? Um transtorno antissocial da personalidade? Alterando a conduta social do indivíduo se convertendo em anomalia patologicamente alterada? Qual o resultado desse tipo de transtorno? 

Quantas vezes você chegou a pensar sobre essas questões em seu cotidiano? Melhor, você observa com cautela o comportamento específico de certos indivíduos? Geralmente o diagnóstico ou soma desses fatores resulta em psicopatia. Nesse caso, todo cuidado é pouco.  A natureza dos psicopatas é devastadora, assustadora, e, aos poucos, a ciência começa a se aprofundar e a compreender aquilo que contradiz a própria natureza humana. Com isso, temos o objeto da ação de um psicopata, uma mente com sérios traumas,  abismos desconhecidos. Importante lembrar que nem todos os psicopatas são assassinos compulsivos ou criminosos, como você pode pensar. Alguns, aparentemente, são pessoas comuns. Na verdade, 1% a 3% da população em geral tem fortes tendências psicopatas. Também não pense que se trata de um maluco beleza. 

O livro da Dra. Ana Beatriz Barbosa – MENTES PERIGOSAS - deixa claro que ninguém vira psicopata da noite para o dia: eles nascem assim e permanecem assim durante toda a sua existência. Os psicopatas apresentam em sua história de vida alterações comportamentais sérias, desde a mais tenra infância até os seus últimos dias, relevando que antes de tudo, a psicopatia se traduz numa maneira de ser, existir e perceber o mundo (BARBOSA, 2008, p. 170). Além do mais, as crianças que mentem sem sentir e tornam esta atitude um hábito normal em seu desenvolvimento, podem tornar-se sérios candidatos á Psicopatia na fase adolescência/adulto.

Podemos afirmar que a psicopatia não tem cura? Segundo alguns especialistas, não. Por se tratar de um transtorno da personalidade e não uma fase de alterações comportamentais momentâneas. Sei que é difícil de acreditar, mas algumas pessoas nunca experimentaram ou jamais experimentarão a inquietude mental, o menor sentimento de culpa, remorso por desapontar, magoar, enganar ou até mesmo tirar a vida de alguém. Um outro argumento que merece ser mencionado é o da psicóloga Jennifer Skeem, da Universidade da Califórnia em Irvine, que sugere que essas pessoas podem se beneficiar da psicoterapia como qualquer outra. Mesmo que seja muito difícil mudar comportamentos psicopatas, a terapia pode ajudar a pessoa a respeitar regras sociais e prevenir atos criminosos.


Conceito

A palavra psicopatia, etimologicamente, vem do grego psyché, alma, e pathos, enfermidade. O conceito de psicopatia não é consenso entre os especialistas, entretanto, apesar das inúmeras definições diversificadas, acorda-se que a psicopatia é um transtorno da personalidade e não, uma doença mental.

A Associação Americana de Psiquiatria (American Psychiatric Association – APA) prefere a expressão Transtorno da Personalidade Antissocial sob o código 301.7. Em seu manual DSM-IV-TR[2] – Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), a instituição apresenta critérios diagnósticos do transtorno:

Critérios Diagnósticos para Transtorno da Personalidade Antissocial

A. Um padrão global de desrespeito e violação dos direitos dos outros, que ocorre desde os 15 anos, como indicado por pelo menos três dos seguintes critérios:

1- incapacidade de adequar-se às normas sociais com relação a comportamentos lícitos, indicada pela execução repetida de atos que constituem motivo de detenção

2- propensão para enganar, indicada por mentir repetidamente, usar nomes falsos ou ludibriar os outros para obter vantagens pessoais ou prazer

3- impulsividade ou fracasso em fazer planos para o futuro

4- irritabilidade e agressividade, indicadas por repetidas lutas corporais ou agressões físicas

5- desrespeito irresponsável pela segurança própria ou alheia

6- irresponsabilidade consistente, indicada por um repetido fracasso em manter um comportamento laboral consistente ou de honrar obrigações financeiras

7- ausência de remorso, indicada por indiferença ou racionalização por ter ferido, maltratado ou roubado alguém

B. O indivíduo tem no mínimo 18 anos de idade.

C. Existem evidências de Transtorno da Conduta com início antes dos 15 anos de idade.

D. A ocorrência do comportamento antissocial não se dá exclusivamente durante o curso de Esquizofrenia ou Episódio Maníaco. 


Com o perdão da palavra, é melhor parar para pensar bem com quem você se relaciona. As vezes temos um carro bomba em nossa garagem ou no quintal do vizinho. Enfim, não é possível fazer um diagnóstico apenas observando informalmente, toda pessoa com algum transtorno psicológico só terá o diagnóstico depois de devidamente atendida por um psicólogo ou psiquiatra.




Por Claudio Castoriadis 
Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

sábado, 18 de maio de 2013

Frida: "Nunca pintei sonhos. Pinto a minha própria realidade"



“Tia Fisita, eu tenho muito medo”, disse-lhe um dia a sobrinha. Frida acariciou seus cabelos e confortou a menina. Ao entregar-lhe a pintura de um autorretrato, tia Fisita disse: “Para você se lembrar de mim, Isoldita”. solda Kahlo, a sobrinha para quem Frida pintou uma lembrança, recordaria os momentos mais íntimos de sua família desde a célebre Casa Azul, onde os Kahlo viviam. “Que no me vean fea”, pedia a artista antes de receber visitas em seu ateliê, ou mesmo enquanto vivera por incontáveis meses deitada sobre uma cama. Após o banho, arrumava os longos fios pretos do cabelo com afinco. Gostava de lavá-los com frequência, secá-los ao sol, para depois iniciar o elaborado ritual do penteado.  Durante a estadia no hospital, era a sobrinha Isolda quem enfeitava com fitas coloridas o cabelo da tia, com arremates cuidadosos. Frida Kahlo, às vezes, gemia de dores. Uma poliomielite, contraída ainda criança, deixaria uma irreversível lesão em seu pé direito, o que lhe custara o apelido de Frida perna de pau. E foi o problema na perna que a fez habituar-se às longas saias, as quais se tornariam uma de suas marcas.

Ao contrário da maioria, Frida não via nas telas interesse enquanto jovem, mesmo que o pai, fotógrafo, tivesse como passatempo trabalhar as cores em tecidos. O desinteresse pelas artes plásticas, que depois a elevariam ao posto de “a maior do século”, dera espaço aos estudos para Medicina. Frida e mais 34 colegas seriam a primeira geração feminina da Escola Preparatória Nacional do México local onde conheceria Alejandro Gómez Arias, seu primeiro namorado.
Alejandro era o líder do grupo “Los cachuchas”, do qual Frida participava. Eram tempos de bruscas mudanças sociais no México. O mundo fervia entre litígios político-sociais emergentes. Na Rússia, há apenas oito anos, o Exército Vermelho derrubava o governo provisório dos mencheviques, instalado após a Revolução de 1917. Posteriormente, a morte do primeiro líder bolchevique traria tensão política à União Soviética. Na disputa pela sucessão do posto deixado por Lênin, de um lado estava Stálin, Secretário-geral do Partido Comunista e vencedor do páreo. Do outro, Leon Trotsky, que perdida a disputa, passa a sofrer com a política stalinista de caça, calúnia e difamação contra seus velhos e novos inimigos, entre eles o próprio Leon. Trotsky seria afastado do governo e do Partido Comunista e expulso da URSS, fixando-se, por fim, no México. Mais precisamente na casa dos pintores Diego Rivera e Frida Kahlo, já casados.
Era com Alejandro Gómez que Frida estava, aos 18 anos, em 1925, no bonde que se chocara com um trem. Com a colisão, estilhaços do para-brisa de um dos veículos perfuraram-lhe as costas, atravessando a pélvis e saindo pela vagina. Magdalena Carmen Frieda Kahlo y Calderón sofreu com hemorragias e passou por inúmeras cirurgias de reconstituição de partes do corpo, permanecendo em estado crítico por muito tempo. Com pequenos avanços em seu quadro clínico, Frida passaria a usar coletes ortopédicos de diversos materiais: couro, gesso, metal. E se a tia não podia andar, era a sobrinha Isolda que bailava pelo quarto e pela casa para animar os dias. 
Uma corda amarrada a uma grossa viga no teto, sobre a cama, seria seu apoio nas trocas dos coletes e também durante outras tarefas, como tomar banho. Estes coletes, frios, insípidos, teriam zelo distinto sobre os olhos e sobre a fantasia de uma artista presa à cama, delineada por curvas incorruptíveis de aparelhamentos cirúrgicos. A pintura “A Coluna Partida”, idealizada dezenove anos após o acidente, uma das mais célebres de sua carreira, tem como motivo uma Frida séria, seminua, conectada por cintos brancos com uma coluna de pedras desconexas em meio ao tronco a segurar sua cabeça. Nas telas, o espelho de sua personalidade incomodada. A ideia de expor cavaletes e telas sobre a cama fora iniciativa de D. Matilde, a mãe.
O intelectual e militante marxista Leon Trotsky, por convite do pintor Rivera, marido de Frida, instala-se na residência do casal durante seu período de isolamento político e social. Frida há muito já carregava notoriedade por seu trabalho, e seu temperamento incomum abrigava uma mulher audaciosamente pulsante, ao contrário do que muitos teciam, construindo a ideia de uma mulher amargurada e deprimida. O visitante conheceria tal força de muito perto.
Mesmo no México, o comunista tinha sua vida revirada. Era escoltado por seguranças e amigos, e seguidamente tinha sua intimidade espionada. Diego, que sustentava anseios políticos dentro do ideal socialista do hóspede, viria a desafinar a relação com ele a partir de disputas políticas. Mas não só. Dentro de casa ninguém precisava esconder o que muitos fora dela sabiam: Frida e Trotskymantinham relações íntimas. Mesmo que Rivera e Frida já não mais convivessem como cônjuges, o ciúme e o descontentamento incomodaram brutalmente o pintor Diego.
Na época da fundação da Quarta Internacional – a organização baseada nos conceitos de Leon para a fundamentação do socialismo – ocorrida no dia 3 de setembro de 1938, o estrangeiro deixava a residência Rivera para residir em uma casa própria, no bairro de Coyacán, nas imediações de onde Frida nascera. Dois anos depois, no dia 20 de agosto, a mando do oponente Stálin, Ramón Mercader furaria o crânio de Trotsky com uma picareta.
Após uma rápida separação, Frida e Diego voltariam a viver juntos. Juntos, mas separados por uma ponte. Os dois se conheceram no ano de 1928, quando Frida entrava para o Partido Comunista Mexicano. Diego, um muralista – prática estética em que se tornara respeitado – pintava nos muros por considerar a arte convencional bastante burguesa: as telas, após pintadas, eram comumente enclausuradas em coleções particulares. Frida, por ideais parecidos, buscou afirmar a identidade nacional mexicana através de sua obra. Com muita frequência seus quadros adotam temas do folclore e da arte popular do México. Entre 1930 e 1933, passa a maior parte do tempo em Nova Iorque e Detroit, visitando exposições, conhecendo artistas. Numa de suas exposições, em 1938, a crítica afirmava a mexicana como uma pintora surrealista. Ela mesma discordara: Nunca pintei sonhos. Pinto a minha própria realidade.
A artista considerada a maior do século XX, amava propagar alinhos de glamour frente às câmeras fotográficas e filmadoras. Adorava suas saias estampadas e suas joias pré-colombianas, falava sobre sua herança latina, que também estampava as particularidades do rosto. Em ocasiões públicas, nas cenas noturnas, na vida boêmia, entre conhecidos, em folias gracejadas, expressava sua seiva e grandeza, enquanto que em suas pinturas gritava dolorido um ser mordaz.
Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Conhecimento: mil e um fins



O ser cuja força de vida está nos braços da solidão, geralmente leva consigo sonhos, sentimentos joviais! Um universo se expande cada vez que seu pensamento desperta para o novo. É preciso ser como um mar para receber um rio de conhecimento, uma harmoniosa disposição para leitura, a busca constante entre o espírito e a linguagem. Como uma flecha, sente-se lançado, planando sobre o vento , feliz por essa fortuna: seguir um sentido! Um bom livro, um bom momento, assim partilha suas experiências.

Curiosidade, não foi precisamente com esse impulso que despertou? No mergulho do pensamento rúnico, migrou os sentimentos sedentos e intempestivos?  É preciso ter amado a solidão e a arte como a mãe e a nutriz – do conhecimento  De outro modo, não é possível se tornar sábio, ser uma música, que consiste em acordes sustentados pelo movimento melódico.

Vestíbulo não é fácil, sei disso! olhar além dessa realidade, crescer além dela; permanecendo sob o seu encanto, o manto da poesia, a prosa que não se perde, igualmente você deve familiarizar-se com você mesmo. Assim aprenderá, da maneira mais segura, aonde a humanidade futura não pode ou não deve retornar. E, ao desejar viver intensamente, com toda as forças, sua própria vida Transbordará o valor de instrumento e meio para o crescimento.

Reduza-se inteiramente em seu objetivo— sim, você tem um livro, um mundo, ideias, conceitos, um lar.

O seu olhar é forte o bastante para ver o retorno à natureza , à alegria, à virtude, na escuridão do vale, fatalidade para os românticos, porém, fonte de seu ser e de seus conhecimentos. Talvez muitos achem que uma vida como essa, com tal objetivo, seria árdua demais, despida de coisas agradáveis. Disso, apenas me compadeço, ainda não aprenderão que não há mel mais doce do que o da redenção, e que as nuvens de aflição que pairam acima lhe servirão de úberes, dos quais a vida há de extrair os fervores da natureza.

O ar é diferente quando se respira nessa atmosfera, tudo como eu qu'ria a, imagens, brandura, silêncio, queda d água, refrações, delírio, sombras, conceitos, coisas, frêmitos, desejo, — enfim:  um grito jubiloso... Tu que me lês, deixo  em soluços, prazeres divinais da mesma gota... eterna primavera — dourada nest’hora, nesse espaço e firmamento.




Por Claudio Castoriadis

Ilustração by Sophie Berdzenishvili

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Imagem, pensamento: mais-valia!!



Penso que essa imagem é bastante clara para despertar uma ideia do pensador Karl Marx que apontou um abismo socioeconômico mostrando em seus escritos a teoria da mais-valia: a miséria se perpetuava no mundo capitalista mediante os baixos salários oferecidos aos operários como um todo. Mais do que uma simples opção, o baixo salário era parte integrante dos instrumentos que garantiam os lucros almejados pela empresa.

Pense nisso!!



Por Claudio Castoriadis
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Desalento, Desencanto. . .

— Eu
Desalento, Desencanto. . .
Abre Aspas, ponto e vírgula
                             Poesia



Claudio Castoriadis
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Carlos Marighella, um herói que não teve tempo para o medo.



Nossa democracia é revolucionária. É a democracia da ação, o que é útil à revolução e não a meia dúzia de burocratas e faladores. [...] Se alguém acha que o nosso caminho armado é o correto ou não é correto, faça o favor, siga seu caminho e não está obrigado a seguir o nosso. E quanto a vocês que têm uma posição ideológica determinada, não têm que esperar por mim. Tomem a iniciativa, assumam responsabilidades, façam. É melhor cometer erros fazendo, ainda que disto resulte a morte. Os mortos são os únicos que não fazem autocrítica.



Quem Samba Fica, Quem Não Samba Vai Embora


Carlos Marighella, 1968.




Ele seguia pela Alameda Casa Branca, em São Paulo, quem vai saber ao certo o que se passava em sua cabeça durante esse percurso. Indo ao encontro de seus companheiros Frei Fernando e Frei Ivo, presos pelos militares dias antes. Neste momento, às 20h00, não mais que isso, dirigiu-se ao Fusca usado para os encontros habituais quando era possível. Dias antes, Frei Fernando fora obrigado a ligar para Carlos dizendo pelo telefone, com uma arma apontada para sua cabeça, depois de dias e mais dias de tortura pelos policiais do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS,) o código que usavam para se encontrar: “Aqui é o Ernesto, vou à gráfica hoje”. Tudo fazia parte de um quebra-cabeças insólito cujas peças foram se encaixando pouco a pouco através da superposição das versões de testemunhas que estiveram próximas ao protagonista: Carlos Marighella. O mesmo seguiu o caminho de costume, "era apenas mais um encontro":

Exatamente em frente ao número 800 da Alameda, uma caminhonete permanecia estacionada com policiais, e próximo dali, dentro de um carro, acariciavam-se um casal de namorados. Tudo não passava de uma armadilha. Marighella entrou no carro onde estavam os freis. Seus amigos pularam para fora do automóvel, foi tudo muito rápido, esse era  o plano dos militares que se encontravam em lugares estratégicos.

Percebendo a emboscada, Marighella tentou reagir, mas foi morto a tiros pelos policiais da caminhonete. Durante o tiroteio, o casal de namorados do carro também penetrou na armadilha contra o inimigo número 1 do governo militar: os supostos amantes eram, na verdade, o delegado Sérgio Fleury e Estela Borges Morato, investigadora do DOPS que simulou namorar Fleury. Baleada no tumulto que igualmente deixara morto o protético Friederich Adolf Rohmann, faleceu ali mesmo. O plano teve seu êxito, estava morto o principal inimigo dos militares. e seu corpo exposto por vários veículos da imprensa. Mas a partir daquele momento, construía-se mais um herói nacional que, anos mais tarde, seria homenageado pelas autoridades brasileiras. O corpo de Carlos Marighella encontra-se hoje sepultado em uma jazigo desenhado especialmente para ele por ninguém menos que Oscar Niemayer. Na lápide a frase: “Não tive tempo para ter medo”.
Marighella, um dos personagens mais interessantes do século XX, é, senão uma unanimidade, pelo menos uma personalidade que merece muito mais atenção. E, aos poucos, isso que vai acontecendo. O militante que doou a sua vida pela transformação da sua realidade. Carlos Marighella era baiano, mulato, comunista, guerrilheiro e poeta. Sua trajetória é, ao mesmo tempo, uma manifestação de vida superabundate. Alguém que ousou formular claramente até as últimas consequencias o que até então se murmurava no Brasil cativo. Sua luta ficará eternamente como um modelo insubstituível para a juventude.

Nascera na rua do Desterro, em Salvador, filho de uma negra, Maria Rita, de pais escravos, e de um imigrante italiano, Augusto. Fora aluno da antiga Escola Politécnica da Bahia para cursar Engenharia Civil. Datam desta época suas réplicas em exames documentadas em poesia. Brilhante, Carlos apontava desde cedo seu enorme conteúdo e raciocínio veloz. Tamanha era a dimensão de criatividade e audácia que, durante a efervescência política da década de 1930 que assombrava o Brasil de lado a lado, Marighella decide ingressar na Juventude Comunista.
Contudo, os homens do poder não sabiam exatamente com quem lidava, aquele modesto estudante e militante da Juventude Comunista se tornaria um dos maiores guerrilheiros urbanos que o Brasil já teve e um escritor, mestre das palavras. O Estado, se descuidou  quando fizeram pouco caso das teorias de um jovem militante que relatava  a situação do Brasil, dominado pelas estratégias estadunidenses de erradicação da militância comunista, teorias que seriam abraçadas por cientistas marxistas e por milhares de entusiastas de uma mudança radical contrária ao imperialismo e à ditadura. Eram tempos de Guerra Fria e, ironicamente, os Estados Unidos fariam do “Minimanual do Guerrilheiro Urbano”, escrito pelo próprio Marighella em 1969, um livro base traduzido pela CIA – Central Inteligence Agency, para distribuir entre os serviços de inteligência do mundo inteiro e para servir como material didático na Escola das Américas mantida no Panamá.
É preciso ressaltar que as  obras do “guerrilheiro urbano mais perigoso do Brasil” foram censuradas pelo regime militar brasileiro, mas nem por isso não foram editadas. Em 1970, “Pela Libertação do Brasil” ganhou uma versão na França financiada por intelectuais marxistas.
Quando Carlos decidiu abandonar o curso de Engenharia Civil, lá pelos idos de 1934, seu entusiasmo político o faria ingressar no Partido Comunista Brasileiro (PCB). A partir desta decisão, Marighella se torna um dos combatentes centrais do partido, mudando-se para o Rio de Janeiro a fim de trabalhar na reorganização do Partido criado em 1922.

Após sua primeira prisão, pelo crime de escrever versos, Carlos conheceria a obscuridade dos porões de duas ditaduras brasileiras por muitas ocasiões. Em 1936, pouco tempo depois de chegar ao Rio de Janeiro, a ditadura de Getúlio Vargas não o aceitaria como cidadão comum brasileiro: era a época de caça aos comunistas, a caça as bruxas. A Revolta Vermelha de 35, mais popularizada como Intentona Comunista, uma tentativa de golpe contra o governo de Getúlio Vargas, desempenhada em novembro de 1935 pelo Partido Comunista Brasileiro em nome da Aliança Nacional Libertadora, traria às celas do Brasil nomes relevantes, da luta armada ou não, da época. Entre eles, Graciliano Ramos. Marighella seria preso por subversão pela polícia de Filinto Müller no mesmo ano que outra personalidade perseguida por Vargas fora também presa: Olga Benário. O baiano permaneceria por um ano nas celas. Olga seria enviada para os campos nazistas e assassinada pelo regime de Adolf Hitler. Graciliano sobreviveria e seria libertado anos depois. Novamente na rua, Marighella entra para a clandestinidade, sendo recapturado em 1939. Só sairia de mais este cárcere seis anos depois, com a anistia no processo de redemocratização do Brasil.
Libertado em 1945, elege-se deputado federal constituinte pelo PCB no ano seguinte, defendendo a causa operária, apontando as apavorantes condições de vida do povo brasileiro e o imperialismo desmedido que tomava conta do país.

Entretanto, perde seu mandato dois anos depois por banimento do próprio partido pela repressão do governo Dutra. A clandestinidade seria novamente o caminho de vida. Viaja para a China entre 1953 e 1954 para conhecer de perto a recente revolução sínica.
Mas o Golpe Militar e os anos desastrosos ditatoriais estavam por surgir. Enquanto a dança sórdida dos militares dava seus ares na arena do poder com a queda do sistema democrático de eleições, com o bloqueio da posse de João Goulart, após a renúncia armada para Jânio Quadros, Carlos Marighella concebia o amanhã catastrófico que esperava de si sua bravura. Seria nos próximos anos que suas obras mais formidáveis seriam registradas, como “Algumas questões sobre a guerrilha no Brasil”, escrita em Cuba durante a I Conferência da Organização Latino-Americana de Solidariedade. Antes desta visita à Havana, Marighella já havia renunciado à Comissão Executiva do PCB por discordar dos caminhos “amenos” pelos quais o partido pretendia lutar contra os ditadores. Em 1964, no primeiro ano da ditadura brasileira, fora preso dentro de um cinema. Em 1965, escreve “A crise brasileira”, quando escolhe pela ousadia da luta armada.
O Partido Comunista Brasileiro expulsaria Carlos em 1967 por discordar das ações que o militante tomava para tentar combater a ditadura que Castelo Branco repassava a Arthur da Costa e Silva. Seria em fevereiro do ano inesquecível para história, 1968, que Marighella fundaria o grupo armado Ação Libertadora Nacional (ALN), responsável, junto ao grupo armado Movimento Revolucionário 8 de outubro (MR-8), do sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick.
Charles Burke Elbrick passava em seu Cadillac pelo bairro de Botafogo quando o grupo de doze pessoas posicionadas em lugares táticos incidiu sobre o carro do embaixador do país mais poderoso e conivente com as ditaduras latino-americanas. O plano se saiu bem-sucedido e entrou para a história como a primeira ocasião que um embaixador tornava-se refém de uma guerrilha. A ALN e o MR-8 buscavam a libertação de 15 presidiários sob poder militar, o que de fato aconteceu. O embaixador foi trocado pelos presos políticos que aterrissaram no México na manhã de 7 de setembro. Marighella, com tantos anos de embates e prisões, fora pendurado nas paredes das ruas e das delegacias brasileiras como inimigo nº 1 do “Estado de ordem, paz e progresso do Brasil”. A tiros, na noite de 4 de novembro de 1969, Marighella deixava o posto de inimigo do Brasil para tornar-se, anos depois, herói da pátria. 

Qualquer tentativa de retratar a história de um filho da liberdade será sempre um rascunho, um esboço frente a poética da sua grandeza. Seja qual for o texto, as lembranças, a mais nobre vontade de homenagem, é preciso ter em mente que não passará de um tristonho, ainda que belo, rascunho.

Marighella, um dos líderes da luta armada contra a ditadura militar no Brasil. Autor do "Manual do Guerrilheiro Urbano", fundador da Ação Libertadora Nacional, primeiro movimento armado pós-64, um herói que falou "basta", um líder "humano, demasiado humano", poeta, bravo, exemplo de coragem, dedicação, estandarte que hoje ilumina os prantos daqueles que amam a liberdade revolucionária. Sim, ele não teve tempo ter medo quando tentou mostrar que outro mundo é possível. Aqui deixei, apenas simples palavras, um pouco da sua história.

Abaixo, um breve vídeo com o depoimento do Carlos Augusto Marighella, filho    de Carlos Marighella, Carlos Augusto que também defendeu, desde a juventude, como líder do Movimento Estudantil Estadual da Bahia, as liberdades democráticas no país.



Por Claudio Castoriadis

Fonte:
Bibiano Girard 
Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

terça-feira, 14 de maio de 2013

Lar da poesia

Lar da poesia...
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sábado, 11 de maio de 2013

Bullying: interferência drástica no processo de aprendizagem e de socialização




A definição: bullying é um termo em inglês utilizado para designar a  prática de atos agressivos entre estudantes (Olweus, 1998; Ruiz, 1997 a, b;  Martinez, 2001, Fante, 2004). Traduzido ao pé da letra é como se fosse uma  intimidação, em outras línguas: acoso e amenaza em espanhol, mal-tratos entre pares em português, harcelement quotidien em francês, uma intimidação,  um assédio cotidiano (Fante, 2004) dentre outras definições internacionais.

Esse fenômeno, sádico, ou humano, demasiado humano,  bullying - alimenta a delinquência e remete a outras formas de violência explícita, produzindo, em larga escala, pessoas estressadas, deprimidas, com baixa autoestima, configura um mundo de frustração – reduzindo a capacidade de autoafirmação. Além de propiciar o desenvolvimento de sintomatologias de estresse, de doenças psicossomáticas, transtornos mentais e de psicopatologias graves.

O bullying é hoje, sem dúvida, um dos temas mais discutidos,  em todo o mundo, o que  desperta crescente interesse nas diversas ciências e esferas sociais. Em meio às discussões, o que  é  natural,  surge  uma infinidade  de  opiniões, ideias,  sugestões,  estudos,  publicações  e  etc.,  que  tentam  explicar  o  fenômeno  e  os  motivos  que  leva  um  indivíduo  ou  grupo  a  agir  deforma  deliberada e, muitas vezes, tão cruel.

Os agravantes de tal prática: interferência drástica no processo de aprendizagem e de socialização, que estende suas consequências para o resto da vida podendo chegar a um desfecho trágico. Em situações de ataques mais violentos, contínuos e que causem graves danos emocionais- enfim, um ato de extrema violência.

Um  fenômeno, nem velho, nem novo, dentre as formas de violência física e moral,  tem se tornado comum nesse cotidiano já indigesto; uma forma de violência muitas vezes não explícita que nos faz refletir sobre uma peculiaridade: trata-se  de um problema entre as relações interpessoais, mas cujas intenções ou  causas são de ordem intrapessoal.

Porém, de cada ferida pode nascer uma flor. Devemos acreditar nisso! Temos que pensar em nosso próximo como reflexo do nosso “EU”.  Deixo aqui para os leitores, educadores, pais, amigos e amigas um breve e lindo poema do Shane. Para quem ainda não conhece seu trabalho e lição de vida, aconselho esse poema que trata sobre essa temática do bullying com seriedade e arte. Shane  é um artista maravilhosamente talentoso; seus poemas estão repletos de paixão e inteligência. Seu desempenho traz um elemento emocional, inspirando-os a acreditar que tudo é possível.

O vídeo abaixo foi feito por 87 animadores e motion artists, cada um produziu 20 segundos de animação para ilustrar com beleza e emoção o poema To this day (“Ainda hoje”, tradução livre) de  Shane Koyczan.

O vídeo aborda a história de três pessoas diferentes, que foram alvos de formas diferentes de outras pessoas, sejam por besteiras faladas quando criança (sua própria experiência pessoal), seja por não se encaixar no padrão de beleza dos outros (por causa de um sinal), seja por uma criança pequena entrar em depressão pela falta dos pais.




Um forte abraço!



Claudio Castoriadis
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Penso, logo sou filosofia!

A única maneira de se ficar mais esperto é jogando contra alguém mais esperto. 

Fundamentos do Xadrez, 1883.



Pense como que pensa, não apenas como quem respira...



Claudio Castoriadis
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sexta-feira, 10 de maio de 2013

Crianças da aldeia de Arakib, 09/05/2013



Crianças da aldeia de Arakib, que foi demolida pela 50ª vez em dois anos pelas forças da ocupação israelense, segurando uma faixa dizendo: nós vamos ficar aqui, não vamos sair, 09/05/2013 

Children of Arakib village, which was demolished for 50th time in two years by Israeli occupation forces, holding a banner saying: we will stay here, will not leave , 09/05/2013

Honório Lemes: o Leão do Caverá



Orgulho de ser gaúcho, a maioria do povo do Rio Grande do Sul tem. No entanto, muitos não conhecem bem a História do estado, nem os nomes de muitos personagens que fazem parte dela. Honório Lemes é um deles, e pode-se dizer que é “um dos grandes”. 

A História gaúcha definitivamente não é um exemplo de pacifismo, mas as por vezes violentas revoluções serviram para definir as virtudes deste povo, simbolizadas nas atitudes dos heróis que lutaram pela melhoria do estado. Grandes homens cujos nomes deveriam ser lembrados; ou melhor, nunca esquecidos.

Tendo nascido em 23 de setembro de 1864, em Cachoeira do Sul, Honório Lemes da Silva participou ativamente da Revolução Federalista aos 29 anos.

Manoelito Carlos Savaris, presidente do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (IGTF) e estudioso da História do Rio Grande do Sul, afirma que “Honório Lemes participou da Revolução, iniciando como oficial subalterno na força federalista de Manoel Machado Soares, que foi quem o cognominou de Leão do Caverá”. A denominação, de acordo com Mariza Santos, foi lhe dada em função do amplo conhecimento que tinha da Serra do Caverá, onde batalhou na Brigada 





Por Claudio Castoriadis


Foto by Claudio Castoriadis
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