segunda-feira, 20 de maio de 2013

Psicopata: natureza devastadora e assustadora.



Já dizia o intelectual Adler que o neurótico é vítima da realidade imaginária que elegeu como diretriz ou finalidade de vida. Dito de outra forma, é o sujeito que escolhe um fim fictício para dar sentido à existência e busca satisfazer, simultaneamente, as exigências do mundo real e desse universo por ele inventado, mantendo-se cativo de uma tormentosa ambivalência.

Pois bem, quando a neurose passa  ser algo incontrolável? Uma anomalia psíquica? Um transtorno antissocial da personalidade? Alterando a conduta social do indivíduo se convertendo em anomalia patologicamente alterada? Qual o resultado desse tipo de transtorno? 

Quantas vezes você chegou a pensar sobre essas questões em seu cotidiano? Melhor, você observa com cautela o comportamento específico de certos indivíduos? Geralmente o diagnóstico ou soma desses fatores resulta em psicopatia. Nesse caso, todo cuidado é pouco.  A natureza dos psicopatas é devastadora, assustadora, e, aos poucos, a ciência começa a se aprofundar e a compreender aquilo que contradiz a própria natureza humana. Com isso, temos o objeto da ação de um psicopata, uma mente com sérios traumas,  abismos desconhecidos. Importante lembrar que nem todos os psicopatas são assassinos compulsivos ou criminosos, como você pode pensar. Alguns, aparentemente, são pessoas comuns. Na verdade, 1% a 3% da população em geral tem fortes tendências psicopatas. Também não pense que se trata de um maluco beleza. 

O livro da Dra. Ana Beatriz Barbosa – MENTES PERIGOSAS - deixa claro que ninguém vira psicopata da noite para o dia: eles nascem assim e permanecem assim durante toda a sua existência. Os psicopatas apresentam em sua história de vida alterações comportamentais sérias, desde a mais tenra infância até os seus últimos dias, relevando que antes de tudo, a psicopatia se traduz numa maneira de ser, existir e perceber o mundo (BARBOSA, 2008, p. 170). Além do mais, as crianças que mentem sem sentir e tornam esta atitude um hábito normal em seu desenvolvimento, podem tornar-se sérios candidatos á Psicopatia na fase adolescência/adulto.

Podemos afirmar que a psicopatia não tem cura? Segundo alguns especialistas, não. Por se tratar de um transtorno da personalidade e não uma fase de alterações comportamentais momentâneas. Sei que é difícil de acreditar, mas algumas pessoas nunca experimentaram ou jamais experimentarão a inquietude mental, o menor sentimento de culpa, remorso por desapontar, magoar, enganar ou até mesmo tirar a vida de alguém. Um outro argumento que merece ser mencionado é o da psicóloga Jennifer Skeem, da Universidade da Califórnia em Irvine, que sugere que essas pessoas podem se beneficiar da psicoterapia como qualquer outra. Mesmo que seja muito difícil mudar comportamentos psicopatas, a terapia pode ajudar a pessoa a respeitar regras sociais e prevenir atos criminosos.


Conceito

A palavra psicopatia, etimologicamente, vem do grego psyché, alma, e pathos, enfermidade. O conceito de psicopatia não é consenso entre os especialistas, entretanto, apesar das inúmeras definições diversificadas, acorda-se que a psicopatia é um transtorno da personalidade e não, uma doença mental.

A Associação Americana de Psiquiatria (American Psychiatric Association – APA) prefere a expressão Transtorno da Personalidade Antissocial sob o código 301.7. Em seu manual DSM-IV-TR[2] – Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), a instituição apresenta critérios diagnósticos do transtorno:

Critérios Diagnósticos para Transtorno da Personalidade Antissocial

A. Um padrão global de desrespeito e violação dos direitos dos outros, que ocorre desde os 15 anos, como indicado por pelo menos três dos seguintes critérios:

1- incapacidade de adequar-se às normas sociais com relação a comportamentos lícitos, indicada pela execução repetida de atos que constituem motivo de detenção

2- propensão para enganar, indicada por mentir repetidamente, usar nomes falsos ou ludibriar os outros para obter vantagens pessoais ou prazer

3- impulsividade ou fracasso em fazer planos para o futuro

4- irritabilidade e agressividade, indicadas por repetidas lutas corporais ou agressões físicas

5- desrespeito irresponsável pela segurança própria ou alheia

6- irresponsabilidade consistente, indicada por um repetido fracasso em manter um comportamento laboral consistente ou de honrar obrigações financeiras

7- ausência de remorso, indicada por indiferença ou racionalização por ter ferido, maltratado ou roubado alguém

B. O indivíduo tem no mínimo 18 anos de idade.

C. Existem evidências de Transtorno da Conduta com início antes dos 15 anos de idade.

D. A ocorrência do comportamento antissocial não se dá exclusivamente durante o curso de Esquizofrenia ou Episódio Maníaco. 


Com o perdão da palavra, é melhor parar para pensar bem com quem você se relaciona. As vezes temos um carro bomba em nossa garagem ou no quintal do vizinho. Enfim, não é possível fazer um diagnóstico apenas observando informalmente, toda pessoa com algum transtorno psicológico só terá o diagnóstico depois de devidamente atendida por um psicólogo ou psiquiatra.




Por Claudio Castoriadis 
Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

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