terça-feira, 27 de setembro de 2011

O mestre cartola e sua poesia!

Quem gosta de um bom samba com certeza já ouviu falar do ilustre Angenor de Oliveira (1908-1980) mais conhecido como o mestre Cartola. Considerado por músicos como Nelson Cavaquinho e Paulinho da Viola como maior sambista de todos os tempos. Cartola não só fundou a escola de samba Estação Primeira de Mangueira, como lhe deu nome e as cores verde e rosa (para quem contrariava as cores, ele respondia: "Ora, o verde representa a esperança, o rosa representa o amor, como o amor pode não combinar com a esperança?"). Mestre do lirismo e da paixão, cartola foi gravado pelos grandes cantores da década de 30, infelizmente ele desapareceu e somente no final década de 50 foi encontrado pelo cronista Sérgio Porto trabalhando como lavador de carros.  Ele sua esposa Zica fundaram na década de 60 o bar Zicartola no centro do Rio de Janeiro, que foi um pólo inflamado pelo samba e onde surgiram vários talentos. Somente aos 65 anos conseguiu gravar seu primeiro disco. Seus dois primeiros discos gravados por Marcus Pereira são marcos da música brasileira e obrigatórios na discoteca de qualquer um que goste samba. É autor de sambas imortais como O Mundo é um Moinho, As Rosas não Falam e Autonomia.
Por Claudio Castoriadis

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Vizinhança maldita

Toc, Toc...


_Quem é?
_É a senhora morte
_ Sim, claro! O que deseja?
_Seu último suspiro de vida e sua alma
_Sei tudo bem. Olha, só tenho uma alma, mas posso emprestar, vai demorar muito?
_ Não que é isso imagina... Só o resto da eternidade durante o tempo que em que ela arderá no mármore do inferno. 
_Ok! Olha ver se não demora muito por que só tenho essa
_ Pode deixar vizinho. Grato pela gentileza.

Toc, toc...


_Quem é?
_O lobo mau amigo dos três porquinhos
_ Sim, claro! O que deseja camarada?
- Eu quero soprar tua casa e destruir tudo
_ Sei entendo! Gostaria a até de lhe ser útil senhor lobo, mas só tenho uma porta o resto da casa o terrorista Bin Laden pediu pra derrubar com dois aviões. Ele disse que precisava treinar sabe? Não sobrou pedra sobre pedra da minha casinha. Mas pelo menos ele me deixou essa porta. Assim todo dia posso atender meus adoráveis vizinhos.

                                                                                        
                                                                    Por claudio Castoriadis
Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis
é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

SARTRE: INFORMAÇÃO E LIBERDADE


‘“Informação” essa é a palavra de ordem que movimenta o mundo. Estamos constantemente surpreendidos por um dilúvio de informações. Somos uma esponja, estamos freneticamente absorvendo tudo que nos cerca, coisas boas e coisas ruins. O mundo já não é o mesmo, os valores estão sempre despencando sobre nossas cabeças, não é fácil acordar todos os dias e bater de frente com a mesma paisagem- fome, miséria, má distribuição de renda, corrupção, desemprego, matança desenfreada dos animais e a poluição do meio ambiente. Tudo isso delineia um mundo que se encontrar longe da perfeição. “Perfeição” conceito que vaga feito um cego na imensidão do absurdo. O mundo pede socorro, será que alguém se importa? Alguém sente falta de um mundo melhor? Será que o sinônimo de homem remete a destruição? Estupidez desnecessária? Nós respiramos e ainda vivemos, isso já é um começo, para enxergar tudo diferente, arriscar métodos e ações. Como? A partir de atos benevolentes vindos de cada um em especial. Como ajudar? O que pode ser feito?  Existiram pessoas, intelectuais que fizeram a diferença. Entre eles podemos citar Sartre.

 

O francês Jean-Paul Sartre (1905-1980) se encontra entre os filósofos mais populares do cenário contemporâneo. Sua obra era conhecida de estudantes, intelectuais, revolucionários e mesmo do público em geral pelo mundo afora. É bem verdade que essa popularidade, singular para um filósofo, devia-se em parte ao comportamento revolucionário de Sartre, porém, não se deve deixar em segundo plano seu papel de porta-voz do existencialismo, que pregava a liberdade última do indivíduo — era a instigante e envolvente "filosofia da ação" que nas mãos de Sartre, tornou-se uma bandeira de luta contra os valores burgueses. Mas o que seria o existencialismo? Ora, o existencialismo ou a filosofia da existência é uma vasta corrente filosófica contemporânea que se afirma na Europa logo após a Primeira Guerra Mundial, se impõe no período entre as duas guerras, se desenvolve, e se expande até tornar-se moda, sobretudo nas duas décadas posteriores à Segunda Guerra Mundial. Vale lembrar que, a época do existencialismo é época de crise: a crise daquele otimismo romântico que, durante todo o século XIX e a primeira década do século XX, garantia o sentido da história em nome da Razão, do absoluto, da ideia ou da Humanidade, fundamentava valores estáveis e assegurava um progresso certo e incontível; o idealismo, o positivismo e o marxismo são todas filosofias otimistas, que presumem ter captado o princípio da realidade e o sentido progressivo absoluto da história. O existencialismo, por sua vez, considera o homem como ser finito, lançado no mundo e continuamente dilacerado por situações problemáticas ou absurdas.

 A habilidade de Sartre para desenvolver ideias filosóficas e suas implicações não encontrou rivais no século XX, visto que o mesmo escrevia com bastante brilhantismo. Sartre expressou seu pensamento em obras filosóficas e também em romances, em obras dramáticas, em ensaios políticos, porém as primeiras já são suficientes para delinear sua concepção da realidade. Sartre aceita a teoria da intencionalidade de Husserl: conhecer ou ter consciência é sempre ter consciência de alguma coisa, e ter consciência de alguma coisa significa estar diante de uma presença concreta e plena que não é a consciência. A essência do homem não precede sua ação, se o homem se faz justamente.

                                                                                                                                                   Por claudio Castoriadis

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Cornelius Castoriadis : As encruzilhadas do labirinto


O Filósofo Castoriadis nasceu em Atenas, em 1922, onde cursou Direito, Economia e Filosofia. Pensador que levou a sério a prática intelectual, cedo se engajou em um marxismo militante que o levou a critica a política do PC grego e a integrar-se nas fileiras do trotskismo. Em 1945, transferiu-se para a França e fundou, quatro anos mais tarde, com Claude Lefort, a revista Socialismo ou Barbárie, que dirigiu até a dissolução em 1966. A revista reunia estudiosos e militantes e possuía inicialmente inspiração marxista. Porém, tal influência é deixada de lado quando a revista passou a tomar uma postura mais autônoma. Frente ao contexto social e politico o marxismo passou a ser mal quisto pela revista, visto que o mesmo era incapaz de fazer face a face, de maneira sofisticada, à novidade e originalidade dos fenômenos contemporâneos. Ainda assim, a inspiração revolucionária será constante, particularmente na obra de Castoriadis, sendo visível um alargamento considerável em tal inspiração.  Crítico do marxismo? Isso é indubitável. Porém, sem deixar de buscar os mesmos ideais. Audacioso, seu pensamento pautado no horizonte de temas aparentemente afastados um do outro, como por exemplo, a psicanálise, a linguagem, a ciência e a economia toma para si os riscos em aventura-se nos labirintos do conhecimento. Cornelius Castoriadis é sem dúvidas, um dos pensadores contemporâneos mais vigorosos. Esclarecedor e provocante suas ideias sobre temas tão intrigantes para nosso contexto político lhe garante o mérito de trazer a luz o importante papel da filosofia na prática cotidiana.

Para os leitores que pretendem adentrar no universo dinâmico do pensamento de Castoriadis uma obra que faz uma sucinta apresentação da complexidade das suas teses é certamente as encruzilhadas do labirinto. Um livro que chama atenção pela versatilidade do autor em lidar com vários temas e projetar os leitores em várias esferas teóricas de modo irreverente e intrigante, porem, de modo eficaz. Uma obra que visa, antes de qualquer coisa, a renovação da reflexão filosófica. Sendo seu maior intento preencher as possíveis lacunas do pensamento ocidental. Vale lembrar, que a leitura é rigorosa e precisa, dispensando um leitor leigo no que se infere aos grandes problemas que o mesmo pretende resolver. O título da obra já é sugestivo, temos que caminhar por arriscadas encruzilhadas terminológicas e persistir de forma coerente por um imenso labirinto imaginário. Alegoria que exprime bem o percurso de um pensamento que tenta estrategicamente pensar o dado das manifestações, nas suas mais audaciosas ocorrências, no seu desenvolvimento. Tudo fruto de um imaginário histórico social determinado.


Por Claudio Castoriadis

domingo, 11 de setembro de 2011

Desdobramento de imagens




Minha inteligência é inepta
Quando ouço por ventura
O silêncio- um tipo de silêncio
Que perturba
Entoando seu grasnido.

Desdobramento de imagens.

Maldita hora do meu infortúnio
Equivalente às neuroses
Da minha angustia imaculada
Uma nova forma, um novo
Sentido para meu corpo

Tenho os olhos flamejantes
E em meu corpo o brilho da
Estrela divina.

Minhas palavras tem como
Destino a poesia,
A mesma?
O desprezo pela massa.

A eloquência mais persuasiva
Levo como terno conforto,
Minha gratidão ainda que um gemido.
 — Não me assusta o rufo dos
Tambores, bárbaros, almas
Sombras ébrias que se afastem —.

Tenho uma meta – o mar
E sua suprema esperança
Assim exalta os mais densos
Pensamentos.

É a glória que eu respiro
Um paraíso, pleno e insolente
Eu sei de onde sou.






Por Claudio Castoriadis




sábado, 3 de setembro de 2011

Kant: uma nova revolução copernicana

 Por Claudio Castoriadis

Nunca sistema algum de pensamento dominou tanto uma época como a Filosofia de Emanuel Kant dominou o pensamento do século dezenove. Após quase sessenta anos de desenvolvimento quieto e retirado, o misterioso Filósofo de Kónigsberg despertou o mundo de sua "sonolência dogmática", em 1781, com a sua famosa Crítica da Razão' Pura; e daquele ano até agora a "filosofia crítica" tem dominado o campo especulativo da Europa. Kant nasceu em 1724 em Kónigsberg, Prússia. Com a exceção do pequeno período em que ensinou numa aldeia próxima, esse sossegado professor, que gostava tanto de discorrer sobre a geografia e etnologia de terras distantes, nunca saiu de sua cidade natal. Em 1755, Kant começou seu trabalho conto instrutor da Universidade de Kónigsberg. Durante quinze anos deixaram-no neste posto subalterno; duas vezes foi recusado seu pedido de se tornar professor. Finalmente, em 1770, foi nomeado professor de lógica e metafísica. Após muitos anos de experiência como professor, escreveu um livro didático sobre pedagogia e costumava dizer dele que continha muitos preceitos excelentes nenhum dos quais ele jamais aplicara. E no entanto foi talvez um melhor professor do que escritor; duas gerações de estudantes aprenderam a amá-lo. Um de seus princípios práticos era prestar mais atenção aos alunos de capacidade média; os tolos, dizia ele. não podiam ser auxiliados, e os gênios tratariam de si mesmos.


"das coisas conhecemos a priori só que nós mesmos colocamos nelas".


Kant é considerado como o maior filósofo do Iluminismo alemão. Em seu texto O que é a ilustração, o filósofo sintetiza o otimismo iluminista em relação à possibilidade de o homem se guiar por sua própria razão, sem se deixar enganar pelas crenças, tradições e opiniões alheias. Com rigor, Ele apresenta o processo de ilustração como sendo "a saída do homem de sua menoridade" e a tomada de consciência por ele da autonomia da razão na fundamentação do agir humano. O ser humano, como ser dotado de razão e liberdade, é o centro da filosofia kantiana. Quando a teoria geocêntrica não mais conseguia explicar o conjunto de movimentos dos astros, Copérnico vislumbrou a necessidade de tirar-nos do centro do Universo. E, lançando o modelo heliocêntrico, ele resolveu todos os impasses da astronomia da época. Da mesma forma, invertendo a questão tradicional do conhecimento, o papel que Kant atribuiu ao sujeito representou para a filosofia uma revolução comparável à de Copérnico na astronomia. Antes de Kant, afirmava-se que a função de nossa mente era assimilar a realidade do mundo. Nessa operação, alguns filósofos só consideravam importante a atividade mental do sujeito (Racionalismo dogmático), enquanto outros ressaltavam o papel determinante do objeto real exterior (empirismo). Através de seu racionalismo crítico, Kant tentou formular a síntese entre sujeito e objeto, entre racionalismo dogmático e empirismo, mostrando que, ao conhecermos a realidade do mundo, participamos de sua construção mental, ou seja: "das coisas conhecemos a priori só que nós mesmos colocamos nelas".


sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Solidão amiga...



“Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.!“

                                                                                                               Drummond

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