segunda-feira, 30 de maio de 2011

Uma carta para pequena Sara.

 Meu caminho ainda é um mistério, ainda não tenho certeza onde tudo vai parar, onde meus pensamentos vão encontrar repouso. Estou sempre pensando; meus pensamentos não me deixam ser apenas mais um, disso tenho orgulho. Sei que tenho muitos amigos, amigos de infância, amigos de agora e amigos descartáveis. Uns já se foram, outros estão em clínicas lutando pela vida e muitos outros estão vagando pela madrugada entre a poeira enfadonha do tempo. Por carinho, respeito ou má fé eles me qualificam em vários adjetivos: Polêmico, inconstante, arrogante, sem caráter, amoroso, intelectual, solitário, drogado, ridículo, criança, alcoólatra, ou simplesmente me chamam de “novinho”. Enfim, são meus amigos que ganhei nesse percurso tão grandioso da vida. Todos eles buscam alegria, querem um emprego, falam em família. Todos, cada um do seu modo, buscam por alegria e alívio em um mundo tão complicado e devorador de sonhos. Minha alegria não sei ao certo, tento manter a calma em meio aos meus delírios.  Não sei qual lugar me traz deveras alegria, uma sala de aula entre intelectuais ou em uma mesa de bar fumando, bebendo e falando as coisas mais absurdas. É tudo tão novo e ao mesmo tempo tão velho. É tudo tão “eu.” Gosto de me sentir assim, confuso e fora de moda como uma foto em preto e branco. Gosto de me vê como um nada, ainda em construção, pois ainda não me vejo. Quero sempre saborear a vida como uma incrível novidade. Eu sou um estupido quando penso que sou melhor, sou o ridículo do destino que me pesa feito um imenso rochedo. Fui tanta coisa, hoje sou um nada, amanhã serei bastante coisa. Amei e fui amado, amarei sempre do meu jeito. Gostaria de nunca ter machucado ninguém, gostaria de verdade. Gostaria de não saber de todas as maldades que as pessoas fazem, gostaria de virar as costas para as dores do mundo. Mas não consigo, é inútil é poético ser dessa forma. Eu quero bem mais que um arcabouço teórico com receitas e métodos que em nada ameniza minha fome e as feridas do mundo. Eu quero um lugar, um equilíbrio, força e uma casa. Eu quero continuar dessa forma, com essa luz, porém não quero ser sempre o mesmo.  Quero ser diferente, amo o diferente, e serei assim, enquanto for preciso, um ser como você, cuja leveza sobrevoa os mais belos jardins. Pois bem, pequena Sara... Você passou por aqui, e com todo seu encanto disfarçou sua tristeza. Sua leveza deslizou desse lugar, agora sua luz brilha em outro céu, um lugar feito para seu doce espírito. Guardo de você um pouco do tudo no incrível do existir. Não existe mais dor, não precisa arder em sofrimento, não tenha medo. Durma, descanse, tenha os mais belos sonhos, e quando acordar em seu paraíso. Saiba que o milagre da sua existência falou mais suave em nossos corações.  


Adeus, pequena Sara !      

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