domingo, 9 de fevereiro de 2014

Na fumaça do boêmio: malandragem e intumências

Nunca fui mais que um boêmio isolado,
o que é um absurdo; ou um boêmio místico,
o que é uma coisa impossível.
(Fernando Pessoa)


O mistério da vida coincide dentro de um estalo crescente que atravessa a ribanceira do ontem enquanto germina o amanhã refratário, o sonho acordou pulando na fumaça do boêmio que fumava acordado encostado na madrugada sem horário. Arregaçando o bigode úmido chegou sem aviso prévio com malandragem e intumências de quem deita no colo da mesa. Escurecido pelas sombras das moscas vitroladas nas sobras do gosto tirado pra dançar; desbravou conversas banguelas na boca da nota seresteira que exalava água na saideira. Pouca luz chorada pela vida do carteado, embaralhando a falência múltipla dos metaforizados, sonetos estelionatários, cantadas perdidas, velhas valsinhas, vadia é vasilha da vida, na qual o quotidiano descarrega o apito da fábrica de extrair bobagens. 


Por Claudio Castoriadis
Imagem: fonte web

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