sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Pierre Lévy - Cibercultura




Falar em sociedade digital só é possível quando se aborda o acúmulo das novidades e informações no avanço dos meios de comunicações. Para tanto, o livro Cibercultura do filósofo Pierre Lévy acolhe reflexões oportunas para se repensar os caminhos da humanidade e, em especial, da aprendizagem, juntamente com as tecnologias digitais. O ciberespaço é uma virtualização da realidade, onde as pessoas migram do mundo real para o mundo virtual. Como? O ciberespaço, na mente das pessoas, torna o espaço e o tempo físico variável.  Por isso ainda se faz necessário uma avaliação mais ponderada das promessas e realizações da internet para a cultura: elemento crucial à formação contemporânea.  
  
Em sua narrativa analítica, o autor sinaliza que a sociedade encontra-se condicionada, mas não determinada pela técnica. Tal afirmação permite a percepção da relação biunívoca - Correspondência entre pontos e pares ordenados - entre sociedade e tecnologia, mediante a qual a primeira se constitui historicamente pela segunda, embora não seja por ela determinada.

 Ao transpor o entendimento filosófico de “virtual” para o contexto contemporâneo, Lévy afirma que: “É virtual toda entidade ‘desterritorializada’, capaz de gerar diversas manifestações concretas em diferentes momentos e locais determinados, sem, contudo, estar ela mesma presa a um lugar ou tempo em particular.

Sendo assim, suas reflexões sobre interatividade e ciberespaço são atuais na medida que sinalizam a interatividade das distintas mídias.

Levando em conta a essência, o movimento social, o som, a arte. O autor apresenta considerações sobre a nova relação com o saber, a partir da cibercultura e suas ramificações na educação, na formação e na construção da inteligência coletiva.  

Pierre Lévy elabora um painel histórico, que compreende o advento da escrita, da enciclopédia e do ciberespaço. Nesse cenário, situa a simulação como modo de conhecimento próprio da cibercultura. Amparado no conceito de inteligência coletiva, o sociólogo descortina novas formas de organização e de coordenação, em tempo real, no ciberespaço- sem esquecer do mundo real-. Segundo o autor, com o advento do ciberespaço, o saber articula-se à nova perspectiva de educação, em função das novas formas de se construir conhecimento, que contemplam a democratização do acesso à informação, os novos estilos de aprendizagem e a emergência da inteligência coletiva.

Frente as decorrentes mudanças no mundo do trabalho e a proliferação de novos conhecimentos, os modelos tradicionais de ensino necessitam de uma adaptação  enfatizando a transmissão dos saberes no cultura tecnocrática. Nesse cenário, o autor releva a internet como fonte promissora de informações, ressaltando-se a perene transformação do ciberespaço, em que as informações multiplicam-se e atualizam-se de modo exponencial.

Resumindo, seu livro ainda enfatiza simetricamente a atitude geral atrelada ao progresso das novas tecnologias, a virtualização da informação que se encontra em andamento, ainda ganhando forma, e a transformação global da civilização que dela resulta. Em particular, temos uma obra que trata as novas formas artísticas, as transformações na relação com o saber, as questões relativas a educação e formação, a cidade e democracia, a manutenção da diversidade da culturas, os problemas da exclusão e da desigualdade.  




Por Claudio Castoriadis

Imagem: fonte web




Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

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