sábado, 25 de fevereiro de 2012

Falando um pouco sobre o Martin Heidegger





Martin Heidegger (1889-1976), nascido na Alemanha, professor da Universidade de Freiburg im Brisgau e seu reitor de 1933 a 1934, em 1923, assumiu umas das cátedras de filosofia da universidade de Marbug e começou a projeta-se entre os especialistas, acadêmicos por seus trabalhos especiais dos pensadores pré-socráticos.  Em 1946, o filósofo foi afastado do ensino em consequência de inquérito a que respondeu perante as tropas Aliadas de ocupação pelas notórias e oficiais relações por ele entretidas com o Partido Nazista quando foi reitor. É um dos raros filósofos modernos cuja obra apresenta singular crescimento póstumo: Heidegger morreu com as gavetas pilhadas de inéditos, que começaram a ser editados a partir de 1978 – fato gerador de uma terceira fase da recepção de seu pensamento. A primeira fase, até 1946, corresponde à irradiação de “Ser e tempo”, um belo trabalho dedicado a seu mestre Edmund Husserl, “com amizade e veneração”, escrito a partir de 1923, interrompido em 26 e publicado em 1927, permaneceria incompleto até o fim da vida de Heidegger, só com duas das três seções programadas para a primeira parte, omitindo a terceira (com o título inverso de Tempo e ser) e sem a segunda parte, então prevista, da mesma obra. Anunciada nessa inversão do título, de Ser e tempo a Tempo e ser. 


As duas seções publicadas da primeira parte de Ser e tempo já compõem o perfil de uma ontologia fundamental, estudando, numa analítica, com base no método fenomenológico de Husserl, o homem do ponto de vista de seu ser, como Dasein. O perfil dessa ontologia, repassado na “vontade de destruição e subversão” que impregna a questão do sentido do ser, se reconfigura nos textos de 1929, como O que é a metafísica? Da essência do fundamento e Kant e o problema da metafísica. A julgar-se pela segunda fase, seria esse estudo apenas um caminho provisório para “o desenvolvimento completo da questão do ser em geral”. Não era, pois, a existência humana, mas a questão do ser em geral a meta de Ser e tempo, que passou a considerar-se a questão de fundo, interesse, encargo ou destino do pensamento nos escritos de 1930 em diante, como, entre outros, A essência da verdade, Hölderlin e a essência da poesia e aqueles reunidos na coletânea Caminho do bosque, particularmente a origem da obra de arte (1935), A época da imagem do mundo e Por que poetas? Além daqueles mais tardios em que se juntam os temas da essência da técnica e da superação da metafísica.

Enfim, esta obra pode ser vista como síntese da Filosofia de Martin Heidegger, peça fundamental para compreendemos a filosofia contemporânea, figurando em geral nas seleções dedicadas as chamadas joias do pensamento ocidental mesmo Tratando-se de uma obra tão hermética. Um manuscrito de grande sucesso que teve sua relevância no existencialismo francês durante a euforia do mundo pós-guerra.


Por Claudio Castoriadis 

Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

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