quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Sobre o texto o Existencialismo é um Humanismo


O texto O Existencialismo é um humanismo, foi escrito por Sartre para explicar o existencialismo e defender-se de críticas feitas por deturpadores. Em um texto bem estruturado e sucinto respostas são colocadas sobre diversas críticas de seus opositores. No ano de 1946, Jean Paul Sartre profere uma elegante conferência cuja transcrição daria origem a uma das mais polêmicas e, mais debatida defesa do existencialismo.

 Na ocasião o existencialismo fora acusado de se inclinar a caminhos vedados em um destino onde a ação é descartada. Colocando assim o existencialismo em uma filosofia que a mesma é antípoda: uma filosofia contemplativa. Nesse ponto o texto alerta para um tipo de filosofia burguesa que o comunismo aponta no existencialismo com suas críticas. Uma outra crítica que pesou contra o existencialismo foi derivada da igreja católica. Nesse sentido foi usada como pretexto contra o existencialismo a deturpação do lado luminoso da natureza humana. Crítica especifica da senhorita da igreja católica Mercier. Mediante essas acusações compreendemos que as ideias que o Sartre tratou de se defender foram: a de haver negado a solidariedade humana, por considerar o homem um ser vivo e isolado e a incapacidade de retomar o altruísmo com o próximo.

 A crítica feita pela igreja foi uma descarada acusação de que o existencialismo nega a realidade e a seriedade dos costumes humanos. Crítica essa instaurada simplesmente por negar os mandamentos de Deus. As acusações foram tantas que o Sartre teve que delinear de forma clara e objetiva o conceito humanista do existencialismo. Que fique bem claro, ao contrário da crítica base que é imputada, de que o existencialismo enfatiza o lado negativo da vida humana, é preciso atentar que na verdade o existencialismo é uma doutrina que torna a vida humana possível e que declara que toda verdade e, por conseguinte toda ação implica uma subjetividade humana.

O texto também alerta para o modismo que circula em torno da palavra existencialismo. Em Várias artes do conhecimento humano o termo é utilizado como carro chefe. Onde tal Filosofia se destina exclusivamente aos técnicos e aos Filósofos. Porém, as complicações sobre o termo se deve a existência de dois tipos de existencialistas: o cristão defendido por Jaspers de confissão católica; e o ateu entre os quais se situa o Heidegger. Tendo esses dois pontos de vista o que de fato eles têm em comum é simplesmente a afirmação de que a existência precede a essência. Dito de outro modo é necessário partir da subjetividade.

Logo então temos uma crítica para o existencialismo cristão e para a Filosofia essencialista. Quando concebermos um Deus criador, este é visto como um artífice superior, e isso vale para qualquer doutrina que se considera, quer se trate de uma doutrina como a de Descartes ou como a de Leibniz. Até mesmo o ateísmo do século XVIII que elimina a noção de Deus, segundo a tradição, não suprime a ideia de que a essência precede a existência. Qual a grande questão pendente? O homem possui uma natureza. É nesse sentido que o existencialismo ateu representado por Sartre se transfigura de forma mais coerente. Ora, se Deus não existe deve existir um ser no qual a existência precede a essência, um ser livre, que existe antes de poder ser definido por qualquer conceito e este ser é o homem, a realidade humana. Por isso, a existência precede a essência. Nada existe e pode existir a separar o sujeito de si mesmo. É o homem, que se escolhe: a sua liberdade é incondicional e ele pode mudar seu projeto original ou inicial a qualquer momento. A liberdade consiste na escolha do próprio ser. Assim o existencialismo sartreano afirma a realidade dos homens, através da consciência como liberdade. A essência do homem não precede sua ação, se o homem se faz justamente. Por tanto, o homem é aquele que se projeta no futuro, e tem essa consciência de estar se projetando no futuro. É o homem fruto de sua liberdade- Uma soma de suas escolhas.


Por Claudio Castoriadis 

Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

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