sexta-feira, 4 de março de 2011

Casa de brinquedo

                                                                                    
Em tua beleza uma virtude embriagada,
Sobre tua pele respinga minha lágrima
Sondando minhas feridas
No mais sutil repudio.
Quem falou mesmo
Que pensar é existir?

Existe em mim um instante, uma ideia que
Persiste, onde trevas frias incertas,
Indubitáveis, consomem
Uma luz linda e solitária
Minha esperança amputada
E desgastada, sofre em silêncio,
Tenso e covarde.

Exuberante, ainda que simplório,
Será sempre cruel culpa
Liberdade dos meus dias
Hei de ser triste até meu último        
Suspiro?

Tenho uma alma cuja nudez
Exposta revela imunda morbidez
Mumificada sobre versos trágicos
Sem sentido, sem vida.

Tão logo me vem à angústia sufocando
Em delírio meu espírito, que envelhece,
Junto a um canto sujo, frio, porém,
Aconchegante.
Pequena e imperfeita, minha
Vaidade renascentista.

Ainda sinto a maresia da ferrugem
Que emana do seu túmulo, vazio,
Outrora esquecido,
Quando foi a última visita?
Quem lhe trocou as últimas
Flores?
Retrógrado sentimento,
Hei de trai-lo no altar erguido
Em memória da minha insanidade.

Meu pranto é amenizado quando
Mergulho em teu perfume
Derrama sobre mim toda a
Sua tristeza cuja melancolia
Descansa a sombra da tua perfeição.


  Claudio Castoriadis

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