sexta-feira, 21 de novembro de 2014

papel parede

quantos carvões cabem numa fumaça? quantos pulmões dividem oxigênio com balões? e as xícaras? de onde trovejam suas asas? as elucidações em massa destrancam vários coxins na nuca. à esquerda, de antemão, a cortina bate palma conduzida pela cornucópia rente à botija de zimbro. o colar preciso vai certeiro, esfregando os ombros em cima do dique. antes, não estivera a dizer um marasmo em papel parede enrolado no baralho. depois do longo suspense, um olho arregalado senta na poltrona, uma última edição sobra na banca. em dado momento a valva dispara inerme na mandíbula do inválido, afunda três - ou mais polegadas do sargaço. em média, as coisas são pequenos sopros que se desmancham em penugens.

por claudio castoriadis
imagem fonte web

Eliano Silva : descodificando conceitos


Eliano Silva é um poeta e músico potiguar da cidade de Pau dos Ferros, que projeta sofisticação emotiva com poesia onto-animada-livre recombinando fragmentos do bem aventurado cotidiano. O moço nasceu em 1991 e já na infância iniciou seus estudos em música através de um grupo de flauta doce do município.

Dizem que pessoas são mais que canções, pessoas são musicais. Existe uma ligação  que vibra nos músicos de todos os gêneros musicais, sejam eles intuitivos ou especializados. Este substrato provém do magnífico desafio implícito no ato de compor. É preciso cristalizar sua obra em canção, cuidar, interiorizar, seja ela uma ideia em formação, um fenômeno ou um sentimento de vida. Uma canção deve persuadir seu ouvinte, educar, ou seja, convencê-lo de que aquilo que sua canção diz é berçário para a natureza.

A perícia do jovem Eliano Silva rema por essas correntes da vida. Seu trabalho é justamente a medida da eficácia que desemboca puxando notas na direção do horizonte onde nada se perde. No plano de expressão, sua rima pode ser considerada como um mecanismo de resgate. A recorrência de uma mesma sonoridade a intervalos regulares ritmando termos, valores, sonhos, encantos e desencantos- no mesmo canto, do micro ao macro descodificando conceitos. Ao fluxo instável e acústico da sua fala se sobrepõe a regularidade de todo um processo criativo.

O processo de gestão de seu primeiro EP, "Quiçá", inteiramente belo e autoral, chegou com quele gosto de arte fervendo, onde foram selecionadas quatro músicas de seu repertório  e que se encontravam na gaveta.


Por claudio castoriadis

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