domingo, 22 de junho de 2014

Avoir Mangé Du Lion




a fuga da linguagem disfarça o pensamento 
escritos  teleológicos e
coloquiais se edificam
de quando em quando 
|murmuro|
delongas indigestas

como se fala um escolástico guardador de palavras apócrifas?  
principalmente de tal forma que  terce o exterior com gravuras?

linhas matemáticas, versos geométricos, ironia e maiêutica 
parábolas desembuchadas, grudentas e afáveis mudas 
algo bem diferente do que permite o significado
da forma normatizada em teus ouvidos

os balões barrigudos são casas deltas de frente para o mar
com portas e janelas entre meus dedos abertos, desengonçados
venho de um mundo de onde nunca se volta o mesmo

[uma lágrima jorra fecundando meu pé de jacarandá, por sorte endireita a vírgula, um termo entre um louco e um cadáver]

honestidade deveria ser produzida através de fotossíntese. milagre faz parte da nossa composição química. não se morre para sempre.

o efeito do fim não precisa de um começo ou aviso prévio proporcional
essas coisas, por minhas mãos serão enterradas - viajar é preciso
se possível respirando avoir mangé du lion

sem saber, improviso um recital com particularidades equacionadas dos infindáveis cartões postais e dimensões historiográficas na minha caixa de mensagem 


Por Claudio Castoriadis
Imagem fonte web


 

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