segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Ana Larousse: o fenômeno dos sentimentos se confunde com o fluxo da música.

Muitas sardinhas, alergia a gatos, lavanda pela casa toda e uma coleção de coringas de baralho. Sempre sonho que a Gestapo está vindo me prender, tenho medo de avião e de multidões, é difícil me tirar de casa, gosto de viajar sozinha, não leio jornais porque não sei lidar com notícias feias. Bebo chá o dia todo, acho maluco existir, gosto de desenhar janelas e nuvens, já tive banda punk, guardo palitos queimados de volta na caixinha e sou doidinha por mapas e dicionários. Coleciono tempestades, vulcões e histórias de amor.

Desde pequena, eu guardava minhas bagunças em cadernos e mais cadernos. Fazia de cada dor e sorriso um poema. Comecei a estudar violão aos 10 anos e, em bandas de rock, comecei a jogar meu mundo em canções. Aos 19, deixei os gritos nas garagens de Curitiba para cantar baixinho lá na França. Foi na melancolia que carrega cada rua de Paris, que eu encontrei suavidade e leveza para cantar minhas ausências.


Ana Larousse

Até em uma sua apresentação, a cantora não faz economia de gotículas sentimentais revelando em cada linha do seu pensamento a brandura que desbrava uma beleza que apraz sua pequena, longa, vistosa trajetória.

O fenômeno dos sentimentos se confunde com o fluxo da música. Talvez, poderia ser assim, mais seguro perguntar quando a estética musical retratou um sentimento, aquele sentimento - uma bolha de afetos. Não sei definir a prosa da Ana Larousse; um pedaço compartilhado da sua voz não tarda para um discurso poético, já que, restituindo os pontinhos aqui, outros bem lá, ela esbarra de mansinho nos versos designados para fazer pirraça com o sentido primário da linguagem.

Com a palavra ou seria com a poesia? Melhor, tudo e mais coisas interligadas. Todo mundo pousa um sonho antes de ser sonhado, um tempinho, instantes antes de deitar a alma. Esses detalhes a poetisa lida com ternura e travessuras. Significante e significado trabalhado com charme.
 
Pode ser que essa resenha tenha uma verve utópica; construida por uma mente primitiva - ainda em formação - que ainda toma o susto com o brinde da vida; ou talvez lembre uma oração auto biográfica, mas, as palavras são assim -  dançam de acordo com a música.

Fica a dica, indicada para a limpeza do espírito



Por Claudio Castoriadis
Imagem: fonte web
Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

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