sábado, 2 de novembro de 2013

Rise Against: qual Deus condenaria um coração? (Preconceito e Homofobia)


Fãs do Rise Against criaram um clipe da música “Make It Stop (September’s Children)”. Parte do mais recente álbum recente da banda, o Endgame, a canção fala sobre preconceito e homofobia (tu podes conferir a letra mais abaixo). No vídeo, os fãs colaram suas orientações sexuais na boca, simbolizando a dificuldade e o tabu em torno do assunto.

O Rise Against  já havia lançado um vídeo clipe oficial dessa música.  Na ocasião, o  vocalista Tim McIralth falou:

“Um número de eventos foram os catalisadores para a criação de Make It Stop, tudo sobre os suicídios de Setembro de 2010, até nossos fãs falando sobre seus medos e inseguranças de tempo em tempo. Eu decidi criar a música como uma resposta, e quando eu descobri a campanha do It Gets Better e o comprometimento de seu co-fundador Dan Savage para essa importante e precisa mensagem, eu me comovi. E eu imediatamente senti que, se nossa música é a estrada, então o It Gets Betters Project é o destino. Eu espero que a sinergia entre os dois possa alcançar as pessoas e fazer a diferença.

 

Letra traduzida pelo Portal Terra

Faça Isso Parar (Crianças de Setembro)


"Bang bang" fazem os pregos do caixão
Como um último suspiro,
Então se foi para sempre.
Parece que foi ontem,
Como eu perdi o levantamento das bandeiras vermelhas?

Pense de volta nos dias em que nós rimos
Nós enfrentamos estas tempestades amargas juntos
De joelhos ele chorou
Mas de pé ele morreu

Qual Deus condenaria um coração?
E qual Deus nos separou?
Qual Deus poderia...

Fazer isso parar
Deixar isso terminar
Dezoito anos jogados no abismo
E acabou nisso
Um passo sem peso
Descendo o caminho cantando
Woah...
Oh...

"Bang bang" das paredes do armário
Dos corredores da escola
Das espingardas carregadas
Empurre-me e eu empurrarei de volta
Eu cansei de perguntar, eu exijo
De uma nação sob Deus
Eu sinto o amor como um eletrochoque de gado

(Nascido livre) Eu nasci livre, mas ainda assim eles odeiam
(Nascido eu) Nascido eu, não, eu não posso mudar
É sempre mais escuro
Justamente antes do amanhecer
Então fique acordado comigo
Vamos provar que eles estão errados

Faça isso parar
Deixe isso terminar
Dezoito anos jogados no abismo
E acabou nisso
Um passo sem peso
Descendo o caminho cantando
Woah...
Oh...

O rio frio lavou-o para longe
Mas como nós poderíamos nos esquecer
Os reunidos seguram velas
Mas não suas línguas
E muito sangue voou
Dos pulsos
Das crianças envergonhadas
Por aquelas que elas escolheram beijar
Quem vai se levantar para parar o sangramento?

Nós estamos pedindo
Insistindo em
Uma batida diferente
É, uma canção novinha em folha

Tyler Clementi (18 anos)
Uma canção novinha em folha
Billy Lucas (15 anos)
Harrison Chase Brown (15 anos)
Cody J. Barker (17 anos)
Seth Walsh (13 anos)

Faça isso parar
Deixe isso terminar
Essa vida me escolheu
Eu não estou perdido em pecados
Mas orgulhoso eu estou
De ser o que eu sou
Eu planejo continuar vivendo

Faça isso parar
Deixe isso terminar
Dezoito anos jogados no abismo
Mas orgulhoso eu estou
De ser o que eu sou
Eu planejo continuar vivendo


Fonte: Portal Terra
Imagem: fonte web


Doce com gosto caramelo


Tem gente que nasce com o coração mole
Molhado, doce com gosto caramelo
Palavras meladas, desbocadas
Úmidas, na boca sobremesa
Sobre a mesa
Sobre ela.

Tem gente que anda sobre as águas,
Sobre as nuvens, sobre o teto
Sobre o mundo, sobre as palavras
Sobre o mar, sobra  lágrimas




Por Claudio Castoriadis
Imagem: fonte web

Memórias de um Asilo: 30 de novembro de 1983



Em minha mente a brancura da dúvida que não admitia réplicas – nomes, pessoas, locais, – produzia uma fidalga impressão, um clima caverna encantada com todos os acessos para ideias. Quando o meu eu era outro, achava que Deus fosse um antigo lago, achava que mergulhando em seu brilho glacial as pessoas seriam deveras pessoas. Sem uma única e superficial fissura! 

***

Insônia, na passagem de uma ideia para outra, ela  ecoava, como se uma cansativa madrugada tivesse arrebatado a chama da clareira que se fez de uma vela, insignificante originário. Quem precisa de sono quando se respira sonhos? 

O alarido, estranho, indiferente, não me paralisa. — Não me assusta a ideia de um estado natural da imaginação com ausência de leis. Eu nunca desejei, nunca algo assim entrou em minha cabeça.

***

Afastando seu rosto das sombras, ela olhou de esguelha para o nada. Suavidade, repentinamente um acesso de felicidade.  

E assim Mawilda não hesitou em falar:

— Pequena Amina, não é de estranhar a ineficácia do tempo?
— Sim, outro dia pensei algo parecido...Prossiga com seu raciocínio.

Sua fala vagava minha mente. Era a mesma mente onde ela descansava. E assim arrebatou o silêncio, exatamente com essas palavras: 

Um olhar inteligente sobre o atraso da nossa situação no mundo imita irrefletidamente as ondulações do tempo. Pense nisso, a monstruosa ineficácia do tempo interposto entre nossas ações duradouras no mundo. O tempo tem a ver com a condição humana finita, a penumbra não definida, a umidade da nossa existência, de modo que quando pensamos sobre o tempo, nosso limite é parte desta reflexão. 

***

— Depois falaremos sobre isso, Amina - disse minha pequena amiga-, agora tenho que deixar seus aposentos. E assim ela se vai, retorna para minha mente lerda e ranhenta, se lança nesse lugar.



30 de novembro de 1983



Por Claudio Castoriadis 
Imagem: fonte web
Ouvindo: Fats  Waller

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