quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Uma referência que se encontra lá quando se perde aqui.




Brincando com as palavras e desconstruindo o sentido da coisa. Eu poderia ficar o resto da minha vida debruçado sobre as palavras. O som, a força, a modulação – Quase tudo na medida do possível.  É preciso fechar os olhos para sentir e ver o percurso de uma palavra. Por vezes penso que as mesmas foram boas com a minha pessoa, sinto que esse consolo nunca me falhou. Engraçado, com este suspiro me encontro no tal “giro linguístico”- tudo pela linguagem, nada é como pensamos fora do seu labirinto. Sentido, a palavra que engatilha a mente do escritor, que motiva todo ser que buscar continuar existindo. Com o tempo aprendemos gradualmente e lentamente; que tudo ao nosso redor se encontra no campo do inefável, daquilo que fica preso na garganta, na gagueira, do não dito.

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Assim como nossa realidade, um texto se encontra em movimento. Compreensível para alguns, incógnito para outros. É tudo uma questão de estabelecer simultaneamente sua própria ligação e a unidade do conjunto representado.  

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Unidade que simplifica algo posto em espiral cuja dinâmica evidencia o espaço múltiplo e experimental da leitura. Nesse contexto (texto) lembrei do Jacques Roubaud que certa vez afirmou que toda língua é construída com o auxílio de elementos sonoros sem significado cuja concatenação faz aparecer, na frase, o sentido. Eis a questão, um sentido que na prática não é, apenas uma referência que se encontra lá quando se perde aqui. 



Por Claudio Castoriadis 
Imagem: Morrisey




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