domingo, 21 de abril de 2013

Haikai: primeiro adquirir a atitude para depois compreender



Um bom poema apenas precisa "ser" não mais que isso nem aquilo, apenas seja. Nessa estética somos convidados a embarcar em uma aventura literária e poética das poucas palavras: os haicais. Para quem ainda não é familiarizado com a o termo se trata de formas poéticas japonesas surgidas no século XVI. Os Haicais chamam atenção pela maneira sucinta e harmônica que eles têm.

Sucinta? Literalmente ou falando de forma não conceitual, não encontro palavras para descreve um estilo composto por três linhas que consegue captar um momento presente, abrindo nossas mentes para sensações e lugares.  Foi o mestre japonês Matsuo Bashô quem tornou essa arte conhecida, divulgando-a em diários de viagem.

Claro que aqui no Brasil temos aqueles que se banharam nesse estilo, vários escritores desse tipo de texto, como Alice Ruiz, Paulo Leminski, Paulo Franchetti . Segundo o poeta Teruko no Brasil, o haicai alcançou o grande público por meio de três correntes: a que valoriza o conteúdo, a que valoriza a forma e a que valoriza a palavra de estação. O haicai não é poema que se resolve por si, não é produto final, como a trova, por exemplo, cuja mensagem é entregue pronta e acabada para o leitor. Daí que há quem diga que haicai não é poesia. É sugestão poética, ensinam os mestres. Há uma frase atribuída a Bashô, que diz o seguinte: “por trás das poucas linhas [do haikai] existe uma cultura milenar. Primeiro adquirir a atitude para depois compreender”

Segundo o escritor Paulo Franchetti um bom haicai é aquele que tem a modéstia e o despojamento da linguagem como valores centrais, aquele que não se satisfaz na banal exibição de virtuosidade técnica ou capacidade de associação brilhante. Um bom haicai é um texto que se limita voluntariamente a apenas situar uma dada percepção sensória, objetiva, num campo maior de referências (objetivas ou subjetivas) onde ela ganhe sentido e componha um quadro único; um texto que traz para o leitor a presentificação de um instante como algo inacabado, aberto, um esboço ou um diagrama do choque entre a sensação fugaz e irrepetível e seu longo ou profundo ecoar nas diversas cordas da sensibilidade e da memória.


Abaixo deixo uns exemplos do Paulo Leminski e Alice Ruiz. Boa leitura!


Primeiro frio do ano
fui feliz
se não me engano

Paulo Leminski



tudo começa
do mesmo jeito
diferente

o que se quebra
pesa mais
do que o sonho leva

como se o dia
não passasse
dessa noite

Autora: Alice Ruiz 



Por Claudio Castoriadis
Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

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