quinta-feira, 2 de maio de 2013

Mario Benedetti: MUSAK: música ambiente



“Ao cacete. E gangrena.” Disse assim, textualmente. Um absurdo. Quanto “ao cacete”, ainda vá lá. Apesar de que há maneiras mais claras de dizer isso, você não acha? Mas, “e gangrena”? Estava sentado escrevendo à máquina naquele escritório. Estivera ali escrevendo à máquina, certamente algum comentário sobre basquete. No final do campeonato sempre se faz um balanço da temporada. Não sei pra quê. De todas formas, sempre se conclui o mesmo: os jogadores não são os culpados, mas sim, o técnico. Disse: “Ao cacete”, e eu perguntei: “O que você disse, Oribe? Não porque não tivesse entendido, mas porque o que tinha entendido me parecia um tanto estranho. Então, ele me olhou, ou melhor, fixou o olhar, por cima de minha cabeça, neste calendário, e proferiu o restante: “E gangrena”. A partir de então, ninguém mais pôde detê-lo. “Ao cacete. E gangrena. Ao cacete. E gangrena”. Chamei o Peretti e ele me ajudou. Juntos, o levamos à enfermaria. Não opôs resistência. Suava, e até tremia um pouco. Eu dizia pra ele: “Mas, Oribe, meu velho, que acontece?” E ele com sua cantilena: “Ao cacete. E gangrena”. Depois de quinze anos trabalhando juntos (bem, está certo, vizinhos ao menos, ele esportes , eu policial ), algo assim impressiona. Ainda mais que o Oribe é um cara simpático, expansivo, que está sempre contando até os mais insignificantes detalhes de sua vida. Você vê, acho que conheço cada canto da sua casa e olha que nunca estive lá. Conheço só pela minuciosidade das descrições dele. Posso até fazer um mapa, se você quiser. Posso te dizer o que a mulher dele guarda em cada gaveta do armário, aonde o moleque deixa a mochila da escola e de que cor são as escovas de dente e aonde esconde seus livros sobre marxismo. Sabia que ele é bolche? Quinze anos de intimidade. De repente, isto. 

Compreender Nietzsche: perspectivismo




O sentido geral da expressão “perspectivismo” – como um modo de se conceber criticamente o “valor” e os “domínios do conhecimento” – já está presente nos primeiros escritos de Nietzsche, especialmente nos fragmentos póstumos de 1872/1875 (que deveriam constituir O Livro do Filósofo) e no ensaio “Verdade e mentira no sentido extra-moral” (1873). Porém, só a partir da década de 1880 o termo aparece explicitamente formulado (sobretudo em A Gaia Ciência,ex.: §354 e §374).

Em vários fragmentos dos anos 80, em especial os do final de sua vida lúcida este seu pensamento é abordado com grande ênfase. o perspectivismo nietzschiano (que se insere na perspectiva do pensamento contemporâneo) sugere uma superposição de visões, um entrelaçamento de olhares, multiplicidade de focos. 


O uso cada vez mais recorrente do termo “perspectivismo” em círculos intelectuais variados, de modo especial, mas não exclusivamente, no debate filosófico contemporâneo, por si só justifica uma tentativa de compreensão do que se quer dizer com o mesmo. Defensores e críticos do perspectivismo muitas vezes não falam sobre a mesma coisa. O termo adquiriu, como não é raro ocorrer, uma pluralidade semântica que parece se confundir com aquilo mesmo que o termo quer significar. O perspectivismo é, entre outras coisas, a afirmação de que há uma pluralidade de sentidos, uma polissemia irredutível, no limite, a uma definição unívoca e não ambígua. Num aforismo de título Nosso novo “infinito”, Nietzsche dá conta disso: “penso que hoje, pelo menos, estamos distanciados da ridícula imodéstia de decretar, a partir de nosso ângulo, que somente dele pode-se ter perspectivas. O mundo tornou-se novamente ‘infinito’ para nós: na medida em que não podemos rejeitar a possibilidade de que ele encerre infinitas interpretações”. Portanto, não é por acaso que “perspectivismo” ocorre em diversos empregos.



Fonte:

http://www.cadernosnietzsche.unifesp.br/ 

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Dionisio-despedacado.html



Por Claudio Castoriadis

Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

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