domingo, 10 de março de 2013

Attila József: o lado vomitante da vida



Poeta húngaro filho de mãe lavadeira e de pai proletário da indústria de sabões. Nasceu a 11 de abril de 1905, em Budapeste, Hungria. Morreu a 3 de dezembro de 1937, em Balatonszárszó. Teve uma vida arraigada por distúrbios. É impressionante como em meio de tanta miséria, fome e dificuldades, de várias ordens, alguém se elevou ao mais sublime nível onde a derrota pessoal se tornou vitória sobre o fardo da existência. Se levamos em consideração a máxima do filósofo Sartre, que considera o escritor um intelectual por essência, podemos encontrar a grandeza do angustiado ATTILA JÓZSEF um modesto e sentido exemplar- peculiar, de fato, pois se sustenta límpido mediante o afago de suas armaguras.  Publica pela primeira vez seus poemas com apenas dezessete anos e em seguida se muda para Viena onde passa a vender jornais;  de lá parte para Paris  onde vive de "leite, queijo e poemas". 

Chega a frequentar cursos na Sorbonne, traduz Vilon e Appolinaire e pouco depois volta à pátria disposto a lutar pela justiça social. 

Foi atraído pelas ideologias marxistas e se tornou membro do então ilegal Partido Comunista. Em 1932 lançou um periódico literário que durou pouco, Valóság, e em 1936 tornou-se co-fundador da revista Szép Szó.

Em sua densa poesia, apresentou retratos íntimos da vida proletária, imortalizando a mãe, uma pobre lavadeira, fazendo dela símbolo da classe trabalhadora. Criou um estilo de realismo melancólico, reflexo de uma dramática situação e consequência de uma série de fatores infundindo com irracionalidade, através da qual conseguiu exprimir sentimentos complexos do homem moderno e revelar sua fé na beleza e harmonia essenciais da existência.

O lado vomitante da vida e áspero contexto social, ajudou na situação de esvaziamento do seu espírito. intelectualidade em ebulição, no redemoinho de situações contraditórias, atormentado por problemas pessoais, mentais (esquizofrenia) e farta depressão atentou contra a própria vida ingerindo aspirinas, que apesar de dores terríveis no estômago, não lhe ceifou a vida. Em seguida tomou veneno, que não lhe foi mortal. Resolveu então deitar sobre dormentes de via férrea, entretanto o trem havia parado devido a outro suicida que havia se atirado na linha. Por fim conseguiu seu intento, finalmente atropelado pelo trem, perto de onde estava internado em Balatonszárszó. 

Aos que sentem o peso da angústia de pensar diferente,  de tentar outros caminhos, resta a solidão visceral, que já é praticamente certa, independente da redenção ou transtornos neuróticos, não é fácil ser alguém que se importa com seu contexto social. O amargurado Attila József foi fruto de sua época, dilacerado exatamente pela constituição individualista e insólita da sua realidade.  



Por Claudio Castoriadis

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