quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Vidas Desperdiçadas: seres humanos destituídos de meios de sobrevivência.



Não é de hoje que a sociedade capitalista vem se alimentando da exploração e alienação de milhões de seres humanos. O sistema capitalista é tão construtivo quanto um câncer, ele cresce devorando, é um sistema de comando cujo modo de funcionamento é orientado para a acumulação do capital lambendo suas feridas - convertendo pessoas em entidades abstratas. O modo de produção capitalista cria um processo de crescente mercantilização e burocratização das relações sociais. Resultado: o ser humano fica preso em um tipo de camisa de força. A vida é subjugada pelo laço denominado como CLASSE SOCIAL. De um lado os dominantes, do outro os dominados: 

“Nosso planeta está cheio. Não somente do ponto de vista físico, como também social e político. Hoje são postos em movimento enormes contingentes de seres humanos destituídos de meios de sobrevivência em seus locais de origem. Já não há mais espaço social para os parias da modernidade, os inadaptados, expulsos, marginalizados, o lixo humano produzido pela sociedade de consumo”.

(Zygmunt Bauman - Vidas Desperdiçadas) 



Capitalismo e sua paisagem: alto índice de pobreza.

Mediante o consumismo desenfreado incentivado pela competição social temos uma doença abafada pela alienação coletiva: o alto índice de pobreza.  Depois de formado o alto índice de pobreza, se torna mais difícil lidar com as consequências que acompanham o fenômeno. Os dados de 1999 do Programa de Aprimoramento das Informações de Mortalidade do município de São Paulo (PRO-AIM) mostram uma relação direta entre espacialidade e violência. 

As áreas mais violentas são aquelas em que predominam a perversa conjunção de níveis baixos de renda e de escolaridade, elevado desemprego, maior número de moradores em favelas e piores condições de moradia.

A urbanização no Brasil se deu de forma desigual. Esse elemento aumenta a brecha de exclusão social, tônica no desenvolvimento das cidades. Existem ações para corrigir essa realidade, mas não para preveni-la. É preciso um esforço nacional para favorecer a desconcentração e fazer com que as cidades médias funcionem melhor, para que possam absorver a periferia das grandes", pondera Alberto Paranhos, oficial principal no escritório regional do Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (UN-Habitat) para a América Latina. 

Pode-se afirmar que o surgimento da população em situação de rua é um dos reflexos da exclusão social, que a cada dia atinge e prejudica uma quantidade maior de pessoas que não se enquadram no atual modelo econômico, o qual exige do trabalhador uma qualificação profissional, embora esta seja inacessível à maioria da população.

É inegável que indivíduos utilizam as ruas como moradia, fato desencadeado em decorrência de vários fatores: ausência de vínculos familiares, desemprego, violência, perda da autoestima, alcoolismo, uso de drogas, doença mental, entre outros fatores. Tudo por conta da supremacia do neoliberalismo e da ideologia do mercado enquanto regulador absoluto das relações sociais.



Texto dedicado ao amigo Dejair, morador de Rua da Área Central da cidade de São Paulo.



São Paulo, 2013

Foto by: José Carlos



Por Claudio Castoriadis

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