quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Artistas marginalizados: um apelo ao resgate da memória artística que surge para o mundo, um presente para o mundo.

Quando fui convidado para cerimônia entre blogueiros, intelectuais e profissionais na área de comunicação em São Paulo, deixei bem nítida minha expectativa quanto ao evento. Nada contra a população da cidade, creio que minha personalidade fala por si. Gosto do meu espaço. De maneira que em uma grande cidade sinto minha pessoa  pertecer a quem não se pertence. Prefiro me abster de qualquer comentário dedutivo ou qualquer julgamento. Afinal, fui bem acolhido pela terra da garoa. Linda Cidade, isso é inegável.

Cheguei pela manhã no hotel reservado. A chuva havia começado nesse dia, bastava andar alguns quarteirões e o desânimo em caminhar me arrebatava. Sem problemas, passo o resto do dia em meu quarto, sem sono, encohido em uma cama ao som de uma cidade que nunca dorme.

No dia seguinte, tendo em mente apreciar as diversas manifestações artísticas significativas na cidade. Pergunto ao recepcionista do hotel pelos Teatros, cinemas, museus e centros culturais. Por sorte o local onde me hospedei é próximo da Avenida Paulista - símbolo da cidade, um dos principais expoentes culturais da metrópole.

Nos primeiros instantes tudo era novidade. Andando  pela Avenida Paulista, conversando com um amigo, notei uma multidão aglomerada em um lugar, ao lado de um imenso shopping, observo as reações das pessoas, alguns atenciosos, outros sarcásticos. De qualquer forma, todos prestigiavam um artista de rua. Melhor dizendo, um cidadão, pai de família, que corajosamente todas as manhãs deixa sua casa para um destino comum - Centro da Cidade.

Esse tipo de arte  me fascina . Trabalha-se na rua, dentro de uma série de características que, neste rústico espaço, tornam belo o possível, o necessário. São muitos os que fazem da rua o seu local de trabalho:  músicos, atores, mímicos, palhaços, saltimbancos  entre outros.

Um tipo de trabalho honesto que visa entreter as pessoas com bom humor. E claro, geralmente ao final de uma apresentação passam o “chapéu” para receber da plateia a sua contribuição. Sou um profundo admirador dos artistas marginalizados. Sem nenhum apoio e a constante desvalorização da arte fora dos holofotes do teatro. Milhões de pessoas passam pelas ruas, apressadas pela correria do cotidiano, e, às vezes, nem notam aqueles que tentam impressionar pelo talento e criatividade.  

Falar em  artistas de rua é um apelo ao resgate da memória da arte que surge para o mundo, um presente para o mundo. Falar em artista de rua implica em lembrar de um ser que deseja criar algo para além do impossível. Um trabalho mergulhado em  ideias, valores e comunicação de uma cultura urbana. Uma fuga desse mundo imanente, um show de vida. O ingresso a esse espetáculo? Que tal um sorriso e uma salva de palmas?  




Dedico esse texto ao artista de rua  Mário Izildo de souza, 59 anos.




Foto by José Carlos

São Paulo, 2013



Por Claudio Castoriadis

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