domingo, 9 de dezembro de 2012

A influência cristã no pensamento de Karl Popper



Karl Popper é a principal referência da epistemologia contemporânea e suas ideias, constituem o mais importante desenvolvimento da filosofia do século XX. A grandeza de seu pensamento decorre da fecundidade e alcance de sua obra, traduzida em mais de 20 idiomas, cujos principais títulos, em forma de livro, são: A lógica da pesquisa científica (1934), A miséria do historicismo (1944- 1945), A sociedade aberta e seus inimigos (1945), Conjecturas e Refutações (1963), Conhecimento Objetivo (1972), Autobiografia intelectual (1974), O eu e seu cérebro, escrito em parceria com John C. Eccles (1977), Os dois grandes problemas da teoria do conhecimento (preparado na década de 1930, mas publicado apenas em 1979), a trilogia Pós-Escrito à Lógica da Pesquisa Científica (1982-1983), Um mundo de propensões (1990) e O mito do contexto (1994). Entre as publicações póstumas, destacam-se: Em busca de um mundo melhor (1995), A lição deste século (1996), O mundo de Parmênides (1998) e A vida é aprendizagem (1999).

Popper é reconhecido pela originalidade de sua posição filosófica acerca da ciência. desenvolveu uma abordagem crítica em relação à tendência positivista. Para ele, nosso conhecimento, incluindo o conhecimento científico, é sempre falível, conjectural e passível de erro. Seu racionalismo crítico, como ficou conhecido o núcleo de seu pensamento, coloca-se frontalmente contra algumas das principais construções teóricas de seu tempo, sobretudo a psicanálise de Freud, a Psicologia Individual de Adler e o Marxismo. A  base ética do pensamento popperiano assenta-se na compreensão dos limites do conhecimento humano, de sua fragilidade, e da absoluta falta de condições de se estabelecer um critério de verdade.

A influência exercida pelo cristianismo parece improvável diante das declarações de muitos filósofos e cientistas de que Popper era um ardoroso ateísta, mesmo que ele dissesse com frequência considerar-se a si próprio agnóstico. Em resposta à inclinação de muitos chalatões e intelectuais de retórica teatral,  creio  que convém examinar, o que o próprio Karl disse a respeito da religião em geral, e claro, do cristianimo.

Em sua obra, A sociedade aberta e seus inimigos. Apesar da crítica deixou bem claro que alguns dos maiores pensadores cristãos repudiavam essa teoria historicista como idolatria. E acrescenta: “Um ataque a essa forma de historicismo não deve ser interpretado por conseguinte, como um ataque à religião”. Penso que nessa afirmação o mestre karl Pooper foi bem claro. Mas, vamos acrecenta nessa problemática sua declaração mais direta: “Sou tudo menos um adversário da religião”. ( AutoBiografia).

Poder-se-ia até mesmo dizer o que Popper tinha em mente ao problematizar a religião eram essas formas de autoridade cega, fanatismo ou dogmas mumificados que parecem torna-se cada vez mais sólidos em nossos dias. Porém, que fique bem claro, uma religião baseada nas ideias de responsabilidade pessoal, liberdade  de pensar, consciência, solidariedade com o próximo, igualdade, isto é, o cristianimo em seu sentido mais amplo, tem muito em comum com a ética do pensador Karl Popper.

Pois bem, a influência da ética cristã é vista com clareza na seguinte afirmação de Popper:

O mais importante dos Dez mandamentos diz: “Não matarás”. Ele contem quase a totalidade da ética. O modo por exemplo como shopenhauer formula a ética é apenas uma extensão desse que é o mais importante mandamento. A ética de shopenhauer é simples, direta, clara. Ele diz: “não faças mal a ninguém, mas ajuda a todos, da melhor forma que puderes”





Por Claudio Castoriadis




Fontes

Popper, K. Em busca de um mundo melhor. São Paulo, Martins fontes, 2006.


Ensaios sobre o pensamento de Karl Popper / Paulo Eduardo de Oliveira (org.). Curitiba: Círculo de Estudos Bandeirantes, 2012.


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