segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Israel: a mão esquerda de Deus?



Quando se fala do conflito no mundo árabe, que assola a população de ambos os lados desde muito tempo, busca-se entender o que de fato está em jogo. Quais as origens dos conflitos? Trata-se de uma questão econômica e geopolítica, religiosa e cultural? Ou todas elas estão mutuamente implicadas? Qual o real motivo para tanta discordia? Numa época em que tanto se fala de direitos humanos, é inadmissível que o mundo assista inerte ao massacre desenfreado no oriente médio: O conflito israel-palestino. 

Todas essas questões reabrem o debate sobre o anti-semitismo, anti-sionismo e judaísmo quando o massacre aos palestinos é problematizado. Entre 1947 e 1948, 1 milhão de palestinos foram expulsos de suas terras; cerca de 1 milhão de colonos originários da Polônia, Alemanha, Rússia e outros países as ocuparam. E hoje onde vivem mais de 1 milhão de palestinos, de forma deplorável, temos um palco para humilhação sistemática da população nativa, a detenção em massa de civis, o espancamento de inocentes, deportações, destruição de casas e campos de cultivo, fechamento arbitrário de instituições, ocupação militar de cidades e vilarejos. Quase que diariamente os jornais do mundo inteiro noticiam os infindáveis massacres mútuos promovidos pelo "Estado de Israel" aos palestinos. 

A Palestina sempre foi um território estratégico para os impérios e potências da região. Sua localização fez dela uma importante rota comercial terrestre e marítima. Ela está próxima da Europa, banhada pelo mar Mediterrâneo, e está na porta de entrada para a Ásia fazendo fronteira com a África. Na teoria, a Palestina era para ser uma nação livre, soberana e independente, com judeus, cristãos e muçulmanos compartilhando o território em paz. Infelizmente, sabemos que o clima atual da região não é bem esse- O conflito mais recente entre os dois povos se intensificou a partir da Primeira Guerra Mundial, quando se deu o fim do Império Otomano, e a Palestina, que fazia parte dele, passou a ser administrada pela Inglaterra que por sua vez apoiava o movimento sionista, criado no final do século 19. O conflito começou a ganhar maior proporção em consequência  de um problema que foi exportado do ocidente depois do Holocausto, onde uma nação teve de ser encontrada para os judeus e eles escolheram a palestina que hoje em dia agoniza para sobreviver.

Temos então uma tragédia tipicamente sionista, Visto que o sionismo é um movimento político e filosófico que defende o direito à autodeterminação do povo judeu em um tipo de nacionalismo judaico que beira em um pensamento fundamentalista. Os sionistas queriam ter seu próprio Estado, seu próprio mercado para cuidar de seus interesses. Nesse caso a Palestina se tornou um alvo fácil, devido ao fato de que muitos judeus têm uma ligação emocional com a Terra Santa e era fácil convencê-los a fugir da perseguição na Europa indo para a Palestina, onde estabeleceriam seu próprio Estado a partir da destruição das esperanças e aspirações palestinas seguindo ao “pé da letra” o que foi escrito por Teodoro Herzl, considerado o fundador do sionismo,  em 1895: Vamos tratar de afugentar a miserável população local para fora das fronteiras. Enfim, são várias as causas para os conflitos. Porém, sem dúvidas  uma delas se encontra na natureza do movimento sionista, que é excludente, racista e estava (e ainda está) disposto a implementar seu próprio projeto político a qualquer custo. Como? Violando os direitos Humanos, os direitos civis em um esbanjamento de sangue e mutilações éticas- práticas brutais e cruéis. O "Estado de Israel", com sua ideologia sionista, não vai se contentar até que o último palestino seja exterminado. Alguém lembra do apartheid da Afríca? O mesmo racismo podemos encontrar no sionismo de Israel. O grande problema do Estado de Israel não consiste em seu “complexo de Deus” e sim no seu “complexo de Diabo” quando exterioriza uma realização do potencial estatal  fazendo questão de mostrar para o mundo os palestinos como pedras no caminho. Solidificando uma guerra imputada não mais ao corpo, mas ao ambiente no qual o inimigo é constrangido a viver.

  

Escute, eu sei que você está gravando, mas eu pessoalmente gostaria de ver todos eles mortos ... Eu gostaria de ver todos os palestinos mortos porque são uma doença em qualquer lugar que vão. Tenente do Exército israelense, Líbano, 16 de junho de 1982.





Fontes



http://midiadosoprimidos.blogspot.com.br/


Por Claudio Castoriadis 


Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

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