sábado, 20 de outubro de 2012

Filosofia: a arte de fabricar conceitos e ideias.



Gilles Deleuze (1925-1995), foi um pensador vinculado aos denominados movimentos pós-estruturalistas, categorizações que o próprio Deleuze questionava pelo que trazem, ainda, da visão e luta pelo idêntico. Suas teorias acerca da diferença e da singularidade nos desafiam a pensar os temas mais caros da filosofia contemporânea. Gilles Deleuze em sua trajetória intelectual, geralmente com um espírito explosivo, trabalhou seu pensamento da maneira mais produtiva possível - levando em consideração não apenas a filosofia de diferentes épocas, mas também as ciências, as artes e literatura. Não se pode desprezar a quantidade e a qualidade dos textos de Deleuze sobre as mais diversas áreas do conhecimento. 

Roberto Machado nos lembra que para Deleuze, fazer Filosofia é muito mais do que uma tarefa de repetição e reflexão sobre fatos. A filosofia é antes de tudo, um processo de criação. Segundo o filósofo Deleuze, a história da filosofia é ponto de partida para uma apropriação e criação de ideias, em um contexto imanente, onde gravitam e se articulam os conceitos. Deleuze sugere que a filosofia seja a arte de formar, de inventar, de fabricar conceitos. Sendo assim, a filosofia é um pensamento que, em vista da tradição histórica, não repete os filósofos, mas subverte a filosofia deles, transformando e experimentando as mesmas. Temos então com sua teoria um convite para observamos uma radiografia da filosofia, uma necessidade de reconfigurar padrões e garantias de controle que vingam através das noções básicas de conceito e ideias no plano de imanência onde o trabalho do filósofo é aqui amparado pelo do historiador da filosofia. 

Talvez só possamos colocar a questão O que é a filosofia? Tardiamente, quando chega a velhice, e a hora de falar concretamente. De fato, a bibliografia é muito magra. Esta é uma questão que enfrentamos numa agitação discreta, à meia-noite, quando nada mais resta a perguntar. Antigamente nós a formulávamos, não deixávamos de formulá-la, mas de maneira muito indireta ou oblíqua, demasiadamente artificial, abstrata de mais; expúnhamos a questão, mas dominando-a pela rama, sem deixar-nos engolir por ela. Não estávamos suficientemente sóbrios. Tínhamos muita vontade de fazer filosofia, não nos perguntávamos o que ela era, salvo por exercício de estilo; não tínhamos atingido este ponto de não-estilo em que se pode dizer enfim: mas o que é isso que fiz toda a minha vida? Há casos em que a velhice dá, não uma eterna juventude mas, ao contrário, uma soberana liberdade, uma necessidade pura em que se desfruta de um momento de graça entre a vida e a morte, e em que todas as peças da máquina se combinam para enviar ao porvir um traço que atravesse as eras...

Gilles Deleuze e Félix Guattari. 




Por Claudio Castoriadis
Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

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