sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Sombras


É vaga a lembrança que tenho de você
Queria tudo diferente, outra cor, outro
Sentido, outro lugar.
Eu poderia falar dos teus olhos, da sua
Pele, de nossos dias,
Mais o infinito fala mais alto quando
Do escuro, pedaços de uma realidade
Caem sobre meu corpo aos milhares.
Estou cansado, não é fácil construir um
Mundo todos os dias e voltar para dentro
De si todas as noites.
Não existe terceiro dia, é pequeno,

É sem brilho o passado que me cega.

Suas palavras são infladas, sua forma
De longe lembra o paraíso de quando
Eu era criança .
Sangue, gasolina, mentiras bem quistas
Eu te odeio feito um viciado sem malícia
Eu te amo toda vez que rasgo seu rosto
Eu te adoro feito lunático desprovido de sentimentos.

O amor é um velho fantasma que vaga em um
 Beco escuro assustando os solitários com suas
Correntes - Os poetas são ridículos quando dormem
 Com o mesmo escondido entre seus lençóis.

Ausente, quente, húmido
Impregnado
Em minhas palavras,
Em cada escultura,
Em cada verso.
Uma nova sinfonia
Dor, ódio e tristeza,
Uma leve grandeza
Rancor, fúria e pecado.
Rasga minha face cada lágrima involuntária.
Ouço um ruído nas escadas
Não tenho coragem
Sou um mentiroso
Sou um ladrão
Eu sou.
Eu tenho uma flor
Mesmo sufocado nos escombros
Eu tenho um coração
Ainda que debilitado pela vidraça estilhaçada,
Eu sigo em frente
Ontem choveu canivete
Hoje desaba luz
Uma nuvem negra sobrevoa meu jardim.


Por Claudio Castoriadis
Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

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