quarta-feira, 11 de maio de 2011

Complexidade da sociedade moderna: Niklas Luhmann e sua postura iconoclasta.


Segundo o filósofo Jean Paul Sartre somos seres em situação. Não escolhemos o país a data, a família e a classe social em que nascemos e isso implica em nossa situação.  Porém, da mesma forma somos seres de liberdade, podemos escolher o que fazer com nossa situação no mundo. Na década de 1990, logo com o fracasso do bloco socialista, a tensão político- ideológica é amenizada. Porém, outras questões ainda preocupam governos, movimentos sociais e cidadãos: problemas ambientais, desemprego, desigualdade social, intolerância religiosa. Nesse contexto, o que você tem feito para compreender a situação em que vive? Todo o sentido da filosofia contemporânea deveria girar em torno desse eixo: instigar questões sobre a situação do sujeito no mundo.  Vivemos em um planeta que pede socorro, contraditório.  De um lado temos os grandes feitos da ciência: sofisticação tecnológica que de maneira benéfica, facilita uma razoável integração de pessoas e bens em especificas partes do mundo. No entanto, quais são essas partes especificas? Quem está desfrutando dos grandes feitos tecnológicos? Apesar do bom domínio da tecnocracia e sua legitimação, por que as expressões primeiro mundo e terceiro mundo são tão familiares em nossos dias? Por que um abismo separa os povos do mundo? Segundo Sartre o homem nada mais é do que ele faz de si mesmo. Então o homem nesse discurso é um ser auto destrutivo? Por que as adversidades do mundo se mostram tão construtivas como um câncer. Seria a natureza do homem egoísta e cruel?  Nossas escolhas nada mais fizeram do que erguer um muro de perguntas e dúvidas acerca de nossa essência. Ou pior, exteriorizar a incompetência do homem em pensar o todo. Nós homens do conhecimento não nos conhecemos? (Como diria o “diabólico” Nietzsche) O certo é que, todos estamos no mesmo barco e o mar que navegamos infelizmente não está pra peixe. Enfim, à luz dessas reflexões temos que deduzir que: o sentido da coletividade humana que, ao longo de toda era mergulhou em meio a tantas possibilidades de existência, continua “arcaica” visto que as pessoas se tornaram cada vez mais estranhas uma às outras. Pois é, Renato russo tinha razão: vamos celebrar a estupidez humana...demasiada humana. 
Qual sua postura perante esse quadro? Qual o sentimento que lhe toma quando seus direitos são violentados por uma política destruidora? Qual o futuro que podemos garantir vivendo em plena cultura do medo? Ficar calado? Gritar para surdos? Ou se trancar em uma sala de aula para debater ideias e conceitos vazios em quanto que o mundo lá fora se arrasta e definha como um paciente em estado terminal? Com se sente perante a situação em que vivemos? Um fraco? Um forte? Ou pior, um covarde? Pois bem, o caos está sobrevoando em nosso planeta como um fardo. Presenteia as sociedades com coroas de espinhos. Tudo está fora do lugar. Praticamente acordamos com uma tapa na cara todos os santos dias. O sistema atual não apenas esmaga, cada vez mais está sendo competente em alienar as pessoas. Eu não tenho culpa, você não tem culpa. Mas então, quem realmente é o responsável? No momento deixemos de lado essas perguntas e vamos para pra pensar de forma livre, com uma postura nobre. Pensar diferente pelo menos uma vez na vida. O Filósofo Nietzsche disse que as coisas grandes exigem que falemos com grandeza. Porque não pensar grande?  Por que não pensamos uma forma, um método ou teoria que garanta nossa dignidade? Feitas essas considerações uma sociólogo que desperta atenção por sua postura firme e polémica é o Niklas Luhmann. Difícil de compreender pela maioria dos seus contemporâneos (mais habituados a evocar os "clássicos" em sinal de veneração): assumindo assim uma postura própria de um verdadeiro iconoclasta e um crítico, que sabe o que falar e quando é necessário manter silêncio, fala e criticar apenas quando isso é absolutamente indispensável para focalizar melhor o seu próprio pensamento. Produzindo textos até a sua morte em 1998. Luhmann deixou uma obra numerosa e abrangente com uma terminologia tão complexa como a sociedade que o mesmo analisava. Escreveu mais de trinta livros e cerca de trezentos artigos. Seus temas? Os mais variados, uma miscelânea de problemáticas. Com uma coerência que lhe é peculiar, seu pensamento abraçou questões sobre direito, tratou de forma minuciosa temas que remetiam a pedagogia, não deixou de analisar a religião, pensou a economia e o que pesava na transformação de uma cultura. Desde o início de sua trajetória não se deixou perder em seus planos inovadores e instigantes: Elaborar uma teoria específica e aplicável. Sua visão do todo traz a luz uma teoria que pretende ser universal, capaz de abarcar tudo o que existe, revelando-se uma teoria geral da sociedade. Para dar conta disso, a teoria mostra-se complexa e abstrata e contém uma vasta terminologia. Existe um encadeamento de ideias que constroem uma estrutura aplicável à sociedade inteira. Cada conceito em seu devido lugar e cada especulação, racional em sua amplitude. Ao invés de limitar a fundamentação de suas teses aos clássicos da sociologia, Luhmann foi ousado pensou grande utilizou conceitos dos mais diversos trabalhados em outras áreas. Contrário aos princípios tradicionais, seu pensamento provocou o tradicional pensamento acadêmico, que não acredita que uma única teoria possa, de modo plausível, analisar diferentes esferas sociais. Enfim, não seja covarde, não seja um fraco, seja grande.
                                                                                                                   


Por Claudio Castoriadis

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