segunda-feira, 21 de março de 2011

Estilhaço II

Gosto de pensar tudo que existe como parte de um todo, refrigera minha angústia imaginar meu corpo dançando no frio do inverno. Como posso te abraçar se teu corpo estilhaça meu espírito? Eu tinha um mundo, uma forma, um sentido, mas agora tudo é diferente. Você não vai me procurar por que minha voz corta sua alma. Cada parte do seu corpo se definha quando toca em minha pele. Para eternizar a imagem que tenho do seu sorriso lentamente deixei minha existência no mais longe, depois do infinito, além da escuridão, bem ao lado do nada. Cortaram meus braços, queimaram meu espírito, congelaram meu coração. Mas ainda existo. Você já parou pra ouvir o silêncio? Quantas vezes você ouviu sua lágrima? Pensar em mim é cair verticalmente no fundo do vazio. Você consegue sentir a poesia que no final do paraíso reflete em meu castelo? Meu desprezo é sintoma do cansaço, sinto muito por você não encontrar em mim uma lembrança amiga ou brandura outonal.  Serei sempre incompreensível e inacessível. Cada canto da minha mente despoja sofrimento. E você ainda me procura? Não ponha sentido em minhas palavras, não gaste seu tempo e seu ouro comprando minhas mentiras. Não queira existir em meus sonhos. Não deseje minha pálida face. Mesmo que meu grito clame teu nome fuja. Não tenha medo, existem milhares maneiras gloriosas de me afastar dos seus pensamentos.

Por Claudio Castoriadis ( Novinho )
Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

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