segunda-feira, 14 de março de 2011

Penso logo, "lembro"

Por acaso você sabe quanto vale o sofrimento de um pensamento? Você sabe o que é fechar os olhos mesmo em dias difíceis e respirar uma outra realidade? Você imagina a mágica de nossas lembranças? Você sabe envelhecer em segredo? Lembro de cada momento, lembro da música, lembro de você chegando leve e esgotada. Pensar não é apenas existir, pensar é carregar um mundo encantado de dúvidas. Simulacros de deuses: Não entendo o essencial da vida, não entendo a luz do pensamento. Mas eu lembro. Lembro de cada gota daquela noite de chuva, lembro das suas lágrimas, cada uma delas, seja a mais feliz, seja a mais alegre. Quando eu lembro, tento esquecer o impossível, quando eu lembro eu sou mais eu, mais forte, mais fraco. Quando eu lembro eu sou. Você está em mim, na minha estupidez, na minha alma, em minhas crises. Quando eu lembro o tempo é só uma questão de tempo e a eternidade apenas uma medíocre ideia. Lembro de cada toque, sua respiração, seu corpo invadindo minha escuridão. Sabe o seu sorriso? Ele está comigo. Sabe sua insegurança? Ela me acompanha.

A realidade é uma ferida, machucada toda vez que lembro, porém em cada ferida, seja ela a mais profunda nasce uma flor. Ainda lembro, e isso inflama qualquer motivo de ser; isso me deixa pequeno, sem segurança, sem conforto. Não falo de amor, porque disso não entendo, falo de lembranças. Dizem que quem não esquece adoece, não me importo, porque eu sou sua lágrima descendo de forma involuntária pelo seu rosto. É tudo sem sentido, é tudo tão real, é tudo do meu jeito. Queria um mundo diferente, queria você queimando no fundo de um abismo. Sua voz ainda ecoa em meu espírito, ela me leva para o centro do universo e faz de minha estrela uma cama feita no vazio. Longe da escuridão, eu lembro, longe do absurdo sou retalho. Sinto muito por chegar na hora errada, lamento por cada momento de solidão que te abraçou como único consolo.  Quando me levanto, quando fecho os olhos, eu lembro, adianto meus passos, disfarço minha fúria e tento lembrar. Lembrar que um dia você esteve bem aqui, do meu lado, com hálito congelante, hoje um lugar vazio, sem forma sem razão de ser, demente. Uma página, rasgada em minha existência. É tudo tão incrível, místico, estranho, contundente. Em minhas tremulas e melancólicas palavras eu me perco, mas eu vou me lembrar. Eu me lembro.


Por Claudio castoriadis

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