quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Uma referência que se encontra lá quando se perde aqui.




Brincando com as palavras e desconstruindo o sentido da coisa. Eu poderia ficar o resto da minha vida debruçado sobre as palavras. O som, a força, a modulação – Quase tudo na medida do possível.  É preciso fechar os olhos para sentir e ver o percurso de uma palavra. Por vezes penso que as mesmas foram boas com a minha pessoa, sinto que esse consolo nunca me falhou. Engraçado, com este suspiro me encontro no tal “giro linguístico”- tudo pela linguagem, nada é como pensamos fora do seu labirinto. Sentido, a palavra que engatilha a mente do escritor, que motiva todo ser que buscar continuar existindo. Com o tempo aprendemos gradualmente e lentamente; que tudo ao nosso redor se encontra no campo do inefável, daquilo que fica preso na garganta, na gagueira, do não dito.

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Assim como nossa realidade, um texto se encontra em movimento. Compreensível para alguns, incógnito para outros. É tudo uma questão de estabelecer simultaneamente sua própria ligação e a unidade do conjunto representado.  

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Unidade que simplifica algo posto em espiral cuja dinâmica evidencia o espaço múltiplo e experimental da leitura. Nesse contexto (texto) lembrei do Jacques Roubaud que certa vez afirmou que toda língua é construída com o auxílio de elementos sonoros sem significado cuja concatenação faz aparecer, na frase, o sentido. Eis a questão, um sentido que na prática não é, apenas uma referência que se encontra lá quando se perde aqui. 



Por Claudio Castoriadis 
Imagem: Morrisey




segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Ainda sobre o tempo




Sinto que o tempo é generoso com as pessoas, as pessoas que não são tão compreensíveis com o tempo.  Seja referindo-se ao que já passou e ao que ainda não chegou muitas palavras ainda teimam em integrar a paisagem que cansa os ouvidos, dificulta a vista- muita reclamação, tantos arranhões, devendo ações e estética nítida: prática! Mídia- publicidade- cultura industrial? Como chegamos até aqui no centro de um furacão ácido e corrosivo de palavras, direções, incertezas, valores, costumes, realidade invertidas, conflitos de interesses. Alguém é responsável? Leia-se, alguém no plural.



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Respostas tenho poucas; apenas sinto falta de quando as coisas eram menos artificiais. Hoje em dia tudo não basta ser, tem que ser o melhor: segunda, melhor que o domingo, o aniversario, melhor com mais presentes, o carro do ano, melhor, sendo mais moderno que o do ano passado, aquela música, melhor que as outras músicas, "tudo mais melhor"- uma vida é melhor que várias vidas. Parece-me que tudo se encontra no balanço ritmado, derrapando na vastidão das obrigações diárias. Pontos faiscantes de luz, uma falsa luminária. Espero ter estômago para suportar esse penda-lo nosso de cada dia (Estou sendo dramático). Espero saber o caminho de volta se por ventura, nessas aventuras, um contra balanço desnortear meus passos. Para ser receptivo a essa nostalgia é necessário ter noção do vaivém das informações. Tudo acumulado nas “Regras para o parque humano”.

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Sobre o tempo não é fácil de- escrever

 Inscrever, escrever o que tem sido

Só vendo, ter-sido, só sendo









Por Claudio Castoriadis

Design humano



A cor que se faz na instabilidade da poesia se encontra na leveza que apedreja fazendo vir à luz a pedra, que no meio do caminho encontrou um mar pingando em seu destino. Isto é alguma coisa, em mudança, na mesma linha, design humano. Vida, longa metragem, sem edição no formato: "aos vivos", em cores, online.



Por Claudio Castoriadis
Imagem: fonte via web

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