quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Walter Benjamin: profanações e contemporaneidade.




Walter Benjamin  é um dos filósofos mais significativos da modernidade, somente reconhecido enquanto tal após sua trágica morte, durante a fuga das forças nazistas. Em vida ele era respeitado enquanto intelectual apenas em seu círculo de pensadores, como Ernst Bloch e T. W. Adorno, que tomou a iniciativa de editar toda sua obra postumamente. Nasceu no seio de uma família judaica, filho de Emil Benjamin e Paula Schönflies Benjamin, comerciantes. Na adolescência, participou do Movimento da Juventude Livre Alemã, de tendência socialista. 
 
O que mais interessa na obra crítica de Benjamin é a abordagem de temas concretos da literatura, da arte, das técnicas, da vida social, etc., sem abandono do rigor conceitual. Benjamin é, por isso, além de filósofo, um crítico de ideias e fatos.

Entre seus ensaios destacam-se "As afinidades eletivas de Goethe", "Sobre alguns temas em Baudelaire", "Teses sobre filosofia da história", "A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica".
 
Quando Walter Benjamin se matou, aos 48 anos, em setembro de 1940, fugindo da polícia francesa do regime de Vichy (pró-Hitler) e barrado na fronteira com a Espanha pela polícia franquista, vivia exilado e desempregado em Paris. Sem jamais ter conseguido um posto de professor na universidade, mantinha-se como crítico literário, com um pequeno auxílio do Instituto de Pesquisa Social, embrião da escola de Frankfurt

Havia publicado poucos livros, alguns artigos, várias resenhas, mas as portas se fechavam cada vez mais para ele em razão de sua origem judaica alemã. Era conhecido num pequeno círculo de amigos, em sua maioria escritores que fugiram do nazismo: Brecht, Adorno, Scholem, e, em Paris, também Bataille e Klossovski.  

Seu primeiro texto traduzido no Brasil foi "A Obra de Arte na Era de sua Reprodutibilidade Técnica". O ensaio introduz hipóteses essenciais para uma teoria da arte contemporânea, marcada, segundo Benjamin, pela "reprodutibilidade técnica", central na fotografia e no cinema, que abole progressivamente a 'aura' de unicidade e de autenticidade da obra de arte.

Walter Benjamin também contribuiu para o estudo da linguagem ao dar destaque para o caráter mágico da linguagem, ao mesmo tempo em que demonstrou preocupações quanto à instrumentalização que dela se fez, especialmente a partir da modernidade. 

Juntamente com as novas leituras, os desdobramentos da dimensão teórica em Walter Benjamin são reelaborados, adquirindo novos contornos sem perder sua originalidade. Um pensamento pautado na ação de esperar o que se deseja e a confiança naquilo que se espera. Esperança, uma palavra que transmite muito daquilo que encontramos nesse filósofo judaico alemão.  

terça-feira, 24 de setembro de 2013

"Versos para dois no mesmo espaço"

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Por Claudio Castoriadis

Eu, Fernando Pessoa em HQ


Nesta narrativa em quadrinhos Fernando Pessoa é visto a partir de sua obra e de uma carta em que ele explica ao amigo Adolfo Casais Monteiro o nascimento e vida de seus principais heterônimos – Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos – e do semi-heterônimo Bernardo Soares. O roteiro construído por Susana Ventura com base em textos históricos (cartas, obituários dos jornais de época) recebeu a leitura visual vertiginosa e genial de Guazzelli.

Essa experiência recente do ilustrador Eloar Guazzelli na tradução de Fernando Pessoa para os quadrinhos encorajou-o a transportar as imagens que garimpou nesses trabalhos para sua outra profissão: a de diretor de curta-metragem. Guazzelli adaptou para a tela uma releitura silenciosa e sintética do álbum Eu, Fernando Pessoa em quadrinhos (São Paulo: Peirópolis, 2013). O entusiasmo pela obra do poeta gerou este curta-metragem de animação na forma de um poema visual retratando o dia em que Fernando Pessoa virou imortal. "Conviver com essa personalidade multipartida, essa verdadeira multidão gerada a partir de um indivíduo e sua explosão criativa em diversas frentes foi o que me cativou em definitivo", confessa.



A Coleção “Clássicos em HQ”, da Editora Peirópolis, inclui também versões para quadrinhos das obras: Dom Quixote (Cervantes por Caco Galhardo); Os Lusíadas (Camões por Fido Nesti); O Corvo (Poe por Luciano Irrthum); Demônios (Aluísio Azevedo por Eloar Guazzelli); Conto de Escola (Machado por Silvino); Auto da Barca do Inferno (Gil Vicente por Laudo Ferreira), A Divina Comédia (Dante por Piero e Giuseppe Bagnariol) e Frankenstein (Mary Shelley por Taisa Borges).

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Koselleck: uma história dos conceitos contidos em forças diacrônicas




O professor Koselleck dedicou cerca de 30 anos de sua vida à elaboração de uma história dos conceitos (Begriffsgeschichte). Partindo da premissa de que este tipo de história não pode ser separado da história social, ele investiga os problemas teóricos implícitos a este campo de pesquisa, particularmente no que se refere às relações entre linguagem e história.

De forma simplificada, podemos admitir que cada palavra remete-nos a um sentido, que por sua vez indica um conteúdo. Porém, nem todos os sentidos atribuídos às palavras são relevantes do ponto de vista da escrita de uma história dos conceitos. A saber, conceitos para cuja formulação seria necessário um certo nível de teorização e cujo entendimento é também reflexivo.

Tomemos, por exemplo, as palavras Estado (Staat), ou Revolução (Revolution), ou História (Geschichte), ou Classe (Klasse), ou Ordem (Stand), ou Sociedade (Gesellschaft). Todas elas sugerem imediatamente associações. Essas associações pressupõem um mínimo de sentido comum (minimal Bedeutungsgehalt), uma pré-aceitação de que se trata de palavras importantes e significativas.

Apoiando-nos na análise auto reflexiva, devemos nos interrogar acerca dos limites e fronteiras que separariam palavras em si teorizáveis, e acerca de que palavras seriam em si reflexivas. Trata-se na verdade de uma determinação aleatória.  De forma a melhor ilustrar o esse processo de teorização de um conceito é necessário  um certo grau de teorização/abstração.

À utilização/emprego de conceitos (Begriffsverwendung), se mostra uma questão bastante controversa no interior do debate teórico. Todo conceito não é apenas efetivo enquanto fenômeno linguístico; ele é também imediatamente indicativo de algo que se situa para além da língua. Com isso, Koselleck defende a hipótese de que todo conceito é sempre concomitantemente fato (Faktor) e indicador (Indikator).

Um conceito relaciona-se sempre àquilo que se quer compreender, sendo portanto a relação entre o conceito e o conteúdo a ser compreendido, ou tomado inteligível, uma relação necessariamente tensa. De forma lapidar, o historiador considera teoricamente errônea toda postura que reduz a história a um fenômeno de linguagem, como se a língua viesse a se constituir na última instância da experiência histórica. Se assumíssemos semelhante postura, teríamos que admitir que o trabalho do historiador se localiza no restrito no pano campo da hermenêutica.

Devemos partir teoricamente da possibilidade de que em cada uso pragmático da linguagem (Sprachpragmatik), que é sempre sincrônico, e relativo a uma situação específica, esteja contida também uma diacronia. Toda sincronia contém sempre uma diacronia presente na semântica, indicando temporalidades diversas que não posso alterar. E aqui situa-se o ponto que pode sustentar a defesa de uma história dos conceitos segundo Reinhart Koselleck: ela pode ser escrita, posto que em cada utilização específica de um conceito, estão contidas forças diacrônicas sobre as quais  não temos nenhum poder e que se expressam pela semântica. O eixo dessa analise implica em apontar a forma ingênua a apropriação dos conceitos , a partir de uma semântica que temos em nossas cabeças como um a priori. 


Por Claudio Castoriadis 

“Conversa pra dois no mesmo espaço ocupado”




Quando eu tento identificar as intenções das pessoas que me motivaram no processo de pensar e formular ideias sobre o mundo, por segurança, não por desamparo, mantenho uma certa distância do “tempo liquido” que julgo descabível para um bom senso. Quando deixo um lugar não apenas visto algo, algo me veste: o material comum na presença das pessoas.

As imagens, embora selvagens, a densidade proseada na atmosfera, tudo isso já faz parte das especulações cotidianas ( Derivados Cambiais). Uma lembrança é formatada quando uma página é virada. Ainda em tempo, “na natureza nada se perde”, tudo é arquivado.

Mais uma vez, alguém encontrou um sorriso, que não estava lá, antes de ontem. Disfarço, por saber que ele vai gritar ecoando no vazio da geladeira transbordando a casa inteira gostosuras e travessuras.

Durante o curso da madrugada, eu tento dar a estes termos abstractos, ideias concretas aproveitando cada fagulha de pensamento, mantendo na minha cabeça que estou a construir algo que irá fazer sentido. Desvelamento, parte de um circundante, que será abusado, negado e legado, abandonado, e até detestado – enfim, que irá ser respirado.


Por Claudio Castoriadis
Imagem: fonte web

domingo, 22 de setembro de 2013

Confissão da clareira rotatória

Relaxa, para onde vai com tanta pressa? Basta um instante, um segundo torna breve o visível, risível - com vivacidade o universo pousa em sua cabeça aérea, impressão de estar caindo depois subindo com o mundo rodando, vislumbrando em segredo para o ar "avante" amplitude aberta; cumprimento formal por educação. Chegamos até aqui, fazendo vir à luz a clareira, dedilhando a suavidade de uma pedra escalando o rochedo das montanhas aproveitando o dia (ponto) ainda não é o final.





Por Claudio Castoriadis 
Imagem: fonte web

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