sábado, 21 de setembro de 2013

A Filosofia no Brasil – trajetórias e perspectivas




A concepção de Filosofia difundida na educação escolar brasileira historicamente esteve ligada a saberes abstratos e racionalistas, ligados à formação das elites. Suas bases escolásticas desde o Brasil Colônia a desvincularam de características contextualizadas de um ensino voltado à realidade vivencial, afastando-a de possibilidades de reflexão e problematização.

Tal concepção revela as visões idealistas racionais e pragmáticas que até meados do século XX caracterizaram o ensino e os saberes filosóficos no Brasil. Revelam-se aí visões de mundo que permeiam toda a formação recebida pelos professores de Filosofia e que, ao ensinar, a reproduz, com poucas perspectivas de mudanças no contexto educacional em que se inserem, caracterizando-a como algo à margem de estruturações e arquiteturas curriculares críticas e transformadoras.

No Brasil Colônia, o ensino de Filosofia foi ofertado em reduzido número de Colégios, onde a escolástica era a base do ensino, pela vinculação religiosa dos jesuítas, responsáveis pela educação à época.

Até meados do século XX, essa modalidade do ensino da Filosofia esteve presente na escola brasileira, com fortes repercussões nos currículos. Com a Reforma Capanema, em 1942, torna-se obrigatório o ensino da Filosofia, de modo especial nas escolas religiosas, que atendiam às elites sociais e econômicas do país. 

Porém, com a promulgação da Lei 4.024/61, a Filosofia deixa de ser disciplina obrigatória e passa a disciplina complementar nos currículos escolares.
 
Logo em seguida a Lei 5.692, promulgada em 1971, em pleno regime militar, extingue a Filosofia dos currículos, destarte as reações e mobilizações ocorridas no país em prol de sua manutenção/retorno aos currículos escolares.

Tais mobilizações estimulam reações em diversos níveis e, por meio do Parecer 7.044/82, do então Conselho Federal de Educação – CFE –, abrem-se possibilidades para o retorno da disciplina de Filosofia aos currículos do Ensino Médio – EM.

A luta e a contestação dos educadores brasileiros e dos setores populares em prol de reformas educacionais, sociais e políticas, desde meados da década de 80, alteram-se e são desestruturadas, por meio da edição da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN 9.394/96 –, que desconsidera todo esse processo e esvazia a correlação de forças, a partir do modelo neoliberal que se adota no país, desde o início do governo de Fernando Collor de Mello, consolidando-se e aprimorando-se com os dois períodos de governo de Fernando Henrique Cardoso – FHC – de 1998 a 2002, seguidos da posse  do Presidente Luis Inácio Lula da Silva, governando por oito anos, com uma certa continuidade aos ditames colocados.

 Cont...


Fonte:  Educar em Revista, Curitiba, Brasil, n. 46, p. 69-82, out./dez. 2012. Editora UFPR


domingo, 15 de setembro de 2013

Consertando uma estrela.



não me leve tão a sério,

nem para outro lugar

seja leve não se leve ao pé da letra


leve como a brisa que voa circulando pelo quintal

leve feito o corpo que veste a roupa  pendurada no varal

leve somente o necessário, os dias, um pouco do tempo da vida inteira
                          deixe apenas o ponteiro do relógio atrasado que aponta para noite 
consertando uma estrela




Por Claudio Castoriadis 
Imagem: fonte web

sábado, 14 de setembro de 2013

Destrambelhados, articulações intermediárias

O poema se constrói com signos-de, que representam, delicadamente, um passeio sobre o próprio fazer poético, que é voo estético, voo lúdico, voo imagético, voo sinestésico, e que contém informações cognitivas trazidas pela ação diacústica. De sua leitura e interpretação emerge a articulação entre o sentir e o pensar, inerente ao fazer artístico, já preconizada desde a Antiguidade, pelo pensamento aristotélico.




Texto:  Beatriz Amaral
Poesia: Claudio Castoridis
Imagem: Fonte web

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Tudo é o que não deveria ser




na casa do equilibrista, tudo é o que não deveria ser, dor não tem cotovelo, papel não corta pedra, rastro não tem cometa, o dia não é inteiro, a mente não tem cabeça, brinquedo não é brincadeira. um mundo é um milhão de outros mundos, e a porta não se importa se alguém passa, fica, ou exporta. é tudo tão pouco, tão então, tão assim, tão sei lá, goteira no molhado, um gato no telhado, botão sem camiseta, o rosto veste a careta, o sapato leva o pé do cara, o cara não foi com minha cara. carteira sem identidade, esquecido no achado. o olho não escuta, a desconhecida se chama conhecida.



Por Claudio Castoriadis  
Imagem: fonte web

Nietzsche e Wittgenstein destruindo a metafísica


O discurso metafísico abrange grande parte da especulação filosófica até o principio do ´século XIX. No entanto, já a partir de descartes, ele cede sua supremacia, que até então sempre lhe pertencera, ao problema gnosiologico. Nesse contexto, o que se deve enfrentar de imediato é o problema do valor e do alcance de nosso conhecimento.

Com a chegada do filósofo da suspeita, Nietzsche, a metafísica se tornou tão frágil quanto um castelo no ar. Nietzsche esmagou a metafísica a golpes de martelos. Logo em seguida Wittgenstein “termina” o serviço, pela via da lógica.

Deixando a metafísica de lado, Wittgenstein a esvazia. Ao proceder assim, ele não perdeu tempo com a busca de um superconceito, abrangente e totalizador, jogando a filosofia no campo da linguagem.

Nesse ponto é considerável sua aproximação com Nietzsche, para quem “somente por esquecimento pode o homem, alguma vez, chegar a supor que possui uma „verdade‟ no grau acima designado” e “a „coisa em si‟ .

Se para Nietzsche o que sabemos e dizemos sobre o mundo e as coisas que estão nele é sempre uma questão de perspectiva, para Wittgenstein tudo o que sabemos e dizemos é sempre uma questão pragmática, de modo que essa ou aquela forma de vida constitui significados no seu próprio desenrolar vital. Em ambos, o que interessa é a vida. 



Por Claudio Castoriadis

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