quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O quarto


é preciso conhecer cada detalhe do nosso quarto. cama, telhado, porta e retrato. cada poeira sobre outra poeira na cabeceira pescando peixe do livro empoeirado. um quarto pode ser poesia, artéria, organismo, bolha, incubadora, um olho que olha um corpo, obra de arte. um quarto pode ser o lago do quadro, largo, esticado, calmo e profundo, processo, vida em rascunho. de tudo um pouco para tudo isso, uma janela curvada da parede para alma, fábula, incursão, labirinto, um mundo iniciático.





Por Claudio Castoriadis
Ilustração: Aquasixio - Cyril

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Ludwig Wittgenstein, adrenalina intelectual!!!


Há autores que tornam a questão da crítica ainda mais complicada. Eles perguntam em que sentido se pode falar deles. Perguntam o que há para ser dito. Olham nos olhos do crítico, pedem coragem, ironizam. Poucos autores conseguem essa proeza assustadora. Entre eles, temos o filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein, considerado um dos maiores gênios em filosofia no século 20. Fica a dica para quem gosta de adrenalina intelectual!!



Por Claudio Castoriadis

Vida inteligente

A inteligência se encontra saltando na primeira pessoa repousando na terceira da segunda intenção de uma parte inteira.



Ontem escutei um pensamento

Tão alto que acordou o vizinho

Do outro lado do mundo real




Por Claudio Castoriadis 
Imagem: fonte web

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Rascunho também faz história




O que faz um rascunho de pessoa buscar sua história na vida? Com tanta estupidez e porcalheira sendo derramada nesse lugar, (E)stado, que jura que ainda é nação, tenho cá minhas dúvidas: ainda é possível traçar uma história honesta em folhas brancas? Retórica anacrônica.



A mídia anda abusando tanto desse artifício. Um ataque de adjetivos e substantivos deformados ( em todos os formatos) pessoas enfeitando  vocabulários com algumas figurinhas de linguagem.



Um nível conveniente que adotei, o tratamento na 3ª pessoa, quando me refiro a mim mesmo como alguém. “Eu comigo mesmo”.... Quem fala algo deve ser responsável pelo que diz. Lembrando a provocação de um certo filósofo: Quem fala demais paga, quem continua fica devendo. Um rochedo onde finco minha cautela. Por isso, com uma simples -estratégica- mudança gramatical de personalidade sigo escrevendo na esperança de está imunizado contra quaisquer excesso que venha da minha pessoa.



Por falar em escrever, gosto da madrugada. Ela avança para muitos lados, caindo, decompondo nossas ideias em mil pedaços por quilômetro quadrado em apenas uma mente!!




Por Claudio Castoriadis
Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

Tariq Ali : o objetivo da “guerra limitada” organizada pelos EUA






O objetivo da “guerra limitada” organizada pelos EUA e seus vassalos europeus é simples. O regime sírio estava lentamente restabelecendo seu controle sobre o país, contra a oposição armada pelo Ocidente e seus Estados tributários na região (Arábia Saudita e Qatar). Essa situação exigia correção. Nessa deprimente guerra civil, era preciso fortalecer militar e psicologicamente a oposição.


Desde quando Obama afirmou que as armas químicas era a “linha-limite”, era claro que elas seriam utilizadas. Cui prodest? como costumavam perguntar os romanos. Quem se beneficia? Claramente, não o regime sírio.



Há várias semanas, dois jornalistas do Le Monde já tinham descoberto as armas químicas. A questão é: de fato foram usadas, quem as lançou? O governo Obama e seus seguidores gostariam que acreditássemos no seguinte enredo: Assad permitiu que os inspetores de armas químicas da ONU entrassem na Síria; então, anunciou a chegada deles lançando um ataque de armas químicas contra mulheres e crianças, a mais ou menos 15 quilômetros do hotel onde estavam hospedados. Isso simplesmente não faz sentido. Quem, então, cometeu a atrocidade?



No Iraque, sabemos que foram os EUA a utilizar “fósforo branco” em Fallujah, em 2004 (não havia “linhas-limites” exceto aquelas traçadas no chão por sangue iraquiano). Portanto, a justificativa é tão turva quanto nas guerras anteriores.



Desde a invasão e guerra no Iraque, o mundo árabe está dividido entre sunitas e xiitas. Apoiando a invasão à Síria estão dois velhos conhecidos: Arábia Saudita e Israel. Ambos querem o regime do Irã destruído. Os sauditas, por disputas de facção; os israelenses, por estarem desesperados para acabar com o Hezbollah. Esse é o grande objetivo que têm em mente e Washington, após resistir por um tempo, está voltando a considerá-lo. Bombardear a Síria é o primeiro passo. (…)



Os iranianos reagiram fortemente e ameaçaram retaliação apropriada. Pode ser um blefe, mas o que isso revela é que até o novo líder “moderado”, prestigiado pela mídia ocidental, assumiu posição não distinta à de Ahmadinejad. Teerã compreende bem o que está em jogo e por quê. Cada uma das intervenções ocidentais no mundo árabe e seus arredores tornou as condições piores. Os ataques que estão sendo planejados pelo Pentágono e suas filiais na OTAN provavelmente terão o mesmo padrão.



Enquanto isso, no Egito, um Pinochet árabe está restaurando a “ordem” da velha maneira violenta já consagrada e com o apoio dos líderes, ligeiramente constrangidos, do conglomerado EUA/Europa. 

 Por Tariq Ali, no London Review of Books | Tradução: Vinícius Gomes

Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

domingo, 1 de setembro de 2013

Palavra não dita, pensada, gritada

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PA LA VRA
     LAR ¿?
VRA
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A palavra que fala, com calma, da alma, que senta  de fora do lado, gritando em silêncio, de boca para boca, de dentro para fora, de uma ponta para outra, a palavra se cala, cansa, Começa, descansa, termina no princípio no fim de outra palavra, ação do acaso, descaso, Colagem, de novo, o começo, da mesma palavra, não dita, pensada, gritada, palavra é palavra  



Por Claudio Castoriadis
Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

Auguto de "campos minados" de poesia.

 
Augusto Luís Browne de Campos nasceu em São Paulo, em 1931. Poeta, tradutor, ensaísta, crítico de literatura e música, em 1951 publicou o seu primeiro livro de poemas, O rei menos o reino. Em 1952, com seu irmão Haroldo de Campos e Décio Pignatari, dando início ao movimento internacional da Poesia Concreta no Brasil, lançou a revista literária Noigandres, origem do Grupo Noigandres. Em 1955, no segundo número da revista, publicou uma série de poemas em cores, Poetamenos, considerados os primeiros exemplos consistentes de poesia concreta no Brasil. O verso e a sintaxe convencional eram abandonados e as palavras rearranjadas em estruturas gráfico-espaciais, algumas vezes impressas em até seis cores diferentes, sob inspiração da Klangbarbenmelodie (melodia de timbres) de Webern. Em 1956 participou da organização da Primeira Exposição Nacional de Arte Concreta (Artes Plásticas e Poesia), no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Sua obra veio a ser incluída, posteriormente, em muitas mostras, bem como em antologias internacionais como as históricas publicações Concrete Poetry: an International Anthology, organizada por Stephen Bann (London, 1967), Concrete Poetry: a World View, por Mary Ellen Solt (University of Bloomington, Indiana, 1968), Anthology of Concrete Poetry, por Emmet Williams (NY, 1968). A maioria dos seus poemas acha-se reunida em Viva Vaia, 1979, Despoesia, 1994 e Não, 2003. Outras obras importantes são Poemóbiles (1974) e Caixa Preta (1975), coleções de poemas-objetos em colaboração com o artista plástico e designer Julio Plaza. Sei livro, Não poemas (2003), recebeu o prêmio de Livro do Ano, concedido pela Fundação Biblioteca Nacional.

Outras obras:

POESIA

Antologia Noigandres, 1962.

Linguaviagem, 1970.

Equivocábulos, 1970.

Colidouescapo, 1971.

Despoesia (1979-1993), 1994.

Poesia é risco (CD-livro), antologia poéticomusical, 1995.

Não poemas, com CD de “clip-poemas”, 2003 (Prêmio de Livro do Ano, concedido pela Fundação Biblioteca Nacional).

ENSAIOS DIVERSOS

Re/Visão de Sousândrade, 1964 (com Haroldo de Campos),

Teoria da poesia concreta, 1965 (com D. Pignatari e H. de Campos).

Balanço da Bossa, 1968 (com Brasil Rocha Brito, Julio Medaglia, Gilberto Mendes). A 2ª edição foi ampliada: Balanço da Bossa e outras Bossas, 1974.

Guimarães Rosa em três dimensões, 1970 (com H. de Campos e Pedro Xisto).

Pagu: Vida-Obra, 1982.

À margem da margem, 1989.

Música de invenção, 1998.

TRADUÇÕES E ESTUDOS CRÍTICOS

Dez poemas de E.E. Cummings, 1960.

Poemas de Maiakóvski, 1967 (com H. de Campos e B. Schnaiderman).

Poesia russa moderna, 1968 (com H. de Campos e B. Schnaiderman).

Traduzir e trovar, 1968 (com H. de Campos).

Antologia poética de Ezra Pound, 1968 (com D. Pignatari, H. de Campos, J. L. Grünewald e Mário Faustino).

ABC da literatura, de Ezra Pound, 1970 (com José Paulo Paes).

Invenção: de Arnaut e Raimbaut a Dante e Cavalcanti, 2003.

(Dados obtidos no página oficial do autor e em sites na internet)


Poesia: Traduções de Augusto de Campos (in: Poesia da recusa. Perspectiva, 2006)



Por Claudio Castoriadis 
Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

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