sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Recriando a velocidade do tempo, 16ago 2013


Meu medo tem o tamanho da minha coragem. Encontro a melhor parte da minha personalidade no medo. Nem sempre acredito na engenhosidade de um intelectual, escritor ou algo do tipo. Quando alguém me aponta um caminho, busco outro evitando um cárcere. Ano passado me perguntaram qual o meu mundo, onde encontro tantas ideias para escrever. Tentei explicar que por mais que nossa realidade aparentemente seja uma, um milhão de mundos se encontram lutando por meios, formas, tamanhos, cores e conteúdos. Falando em mundos, hoje fiquei sabendo de um jovem que tinha se aventurado, se perdeu  por vontade própria ao caminhar por um vale, mas que, com uma fagulha invulgar e esforço achou uma saída. Como? Não sei bem, recriando a velocidade do tempo? As tensões e o traumatismo do nosso cotidiano?

Aquilo que foi ontem
Desmente o agora
O instante


O poeta tem algo mais devastador que suas palavras: o silêncio. Ainda penso em escrever essa máxima em uma camiseta, só me falta tempo.  Hoje em dia, qualquer frase de efeito me chama atenção. Vejo, fico editando em minha mente e pronto tá valendo. Onde os outros enxergam bobagens, eu vejo delicadeza, claro que nem sempre, eu e minhas manias de ser do contra. Por mais estranho que pareça, eu sou assim. Tanta coisa acontecendo mundo afora, as vezes acho melhor me calar. Apenas tentar ficar alheio, longe, mais também um pouco perto. Não é de hoje que ando com poucas palavras na ponta da língua, ou seria na mente? Vai saber! Não acho uma boa ideia deixar certas coisas na ponta, ou mesmo em nossa essência. Espero não está sendo chato nas palavras. Enfim, ando fechando os olhos e protegendo os ouvidos de qualquer bombardeio de ideias estranhas...Mas coisas estranhas, serão sempre bem vindas, assim como milhares de outras coisas comuns em tempo real.

Velocidade máxima
Uma mente lenta
superficial


      
16ago 2013

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

“Instituto para Pesquisa Social” de Frankfurt: conhecimento manipulatório




O pensamento da escola de Frankfurt tem sido identificado de modo excessivamente superficial com o de Marcuse, que sem dúvida é o mais conhecido, mas nem por isso o mais representativo dos estudiosos que, dos anos ao redor de 1930 em diante, se reuniram no “Instituto para Pesquisa Social” de Frankfurt. Pode-se considerar que a história da escola de Frankfurt coincide, em grande parte, com a Biografia intelectual de Horkheime, animador incansável e primeiro inspirador do grupo de intelectuais que se reúnem ao redor dele. Um dos teóricos  do “Instituto Para Pesquisa Social” Theodor Adorno, possui uma produção relevante nesta temática, mas nesse contexto não podemos deixar de citar Walter Benjamin que produz reflexões sobre a técnica de reprodução da obra de arte, no caso particular, o cinema, compreendendo os resultados sociais e políticos dessa massificação ganhando uma dimensão social mais ampliada. O que Adorno estabelecerá como indústria cultural.


A Escola trabalha os elementos de racionalidade do mundo moderno para denunciá-los como uma nova forma de dominação. A Dialética do Iluminismo resume de forma exemplar esta filosofia da história que procura entender a racionalidade como espírito de previsibilidade e de uniformização das consciências. O livro se afasta dos diagnósticos anteriores, calcados sobre o fascismo, integra uma compreensão da história mais abrangente, e o que é mais importante, é escrito na década de 40, tomando-se em consideração o contacto dos autores com a sociedade americana. Não se pode esquecer que nele, pela primeira vez, se fala em indústria cultural, conceito que sintetiza a crítica da cultura de massa nas sociedades modernas.


Quando Adorno e Horkheimer afirmam que o Iluminismo "se relaciona com as coisas assim como o ditador se relaciona com os homens", que ele "os conhece na medida em que os pode manipular", de uma certa forma eles condensam seu pensamento a respeito da sociedade moderna. O conhecimento manipulatório pressupõe uma técnica e uma previsibilidade que possa controlar de antemão o comportamento social. Para ele o mundo pode ser pensado como uma série de variáveis que integram um sistema único. A possibilidade de controle se vincula à capacidade que o sistema possui de eliminar as diferenças, reduzindo-as ao mesmo denominador comum, o que garantiria a previsibilidade das manifestações sociais. A crítica da racionalidade desvenda desta forma uma crítica do processo de uniformização.


Por Claudio Castoriadis


Diário de um andarilho


Mikhailovitch, primavera de 1886


A voz do meu companheiro de longas datas fez-me voltar à realidade. Semana passada estava tudo diferente. Eu havia devaneado às cegas dentro de uma situação. Pessoas contra outras, muitas ideias jogadas em minha cara, isso cansa, ainda assim fiquei tranquilo. Não poderia perder a calma. Hoje na aula de literatura a professora tratou sobre uma temática aconchegante: Mudança. O debate foi se estendendo por Horas e horas. Ótimo, o dia estava a meu favor. Em silêncio encontrei uma relação entre mudança e sabedoria. Gosto de complicar as coisas, assim vou aprendendo desaprendendo. Não demorou muito e logo cheguei a conclusão que um sábio aprende a mudar, desconstruir, transformar, se livrar do que está ancorado em sua realidade, se libertar das pessoas, dos objetos e dos lugares. Afinal, já dizia aquele velho ditado: é preciso mudar tudo para que nada mude. Uma boa atividade para a mente consiste em confiar no movimento do tempo.
Por Claudio Castoriadis

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Ainda que por outros motivos.


Por que superestimamos nosso próximo em detrimento de juízos estúpidos? Como se nosso pensamento fosse algo muito superior ao de alguém? Não seria por ventura nossa idiotice visivelmente estúpida? — Penso que sim. Errar não caracteriza uma estupidez. Escolhas e motivos diversos conduzem a um ato. Não temos um finalmente. A questão do chegar, se difere de concluir, parar, ser estático. Portanto: enquanto eu erro, demonstrarei com atos a construção da minha personalidade; se eu não mais errar, deixarei de ser movimento, não serei enquanto for. Eu sou, errando, seguirei praticando diversos atos, ainda que por outros motivos.




Por Claudio Castoriadis

Figuras de pensamento: uma explosão de significados.




Figuras de pensamento


As figuras de pensamento são recursos de linguagem que se referem ao significado das palavras, ao seu aspecto semântico.

As figuras de pensamento trabalham a subjetividade, exploram a riqueza dos sentidos. Por trás de uma uma ideia, uma expressão, temos uma explosão de significados. As figuras de pensamento trabalham mais a questão daquilo que se encontra implícito, ou seja, daquilo que revela a intenção que o emissor quis provocar em seu interlocutor do que a questão voltada para aspectos sintáticos, relacionados à construção das orações. Sendo assim, vejamos suas classificações:

Antítese

Consiste na utilização de dois termos que contrastam entre si. Ocorre quando há uma aproximação de palavras ou expressões de sentidos opostos. O contraste que se estabelece serve, essencialmente, para dar uma ênfase aos conceitos envolvidos que não se conseguiria com a exposição isolada dos mesmos. Observe os exemplos:

"O mito é o nada que é tudo." (Fernando Pessoa)
O corpo é grande e a alma é pequena.
"Quando um muro separa, uma ponte une."
"Desceu aos pântanos com os tapires; subiu aos Andes com os condores." (Castro Alves)
Felicidade e tristeza tomaram conta de sua alma.


Paradoxo

Consiste numa proposição aparentemente absurda, resultante da união de ideias contraditórias. Veja o exemplo:

Na reunião, o funcionário afirmou que o operário quanto mais trabalha mais tem dificuldades econômicas.

Eufemismo

Consiste em empregar uma expressão mais suave, mais nobre ou menos agressiva, para comunicar alguma coisa áspera, desagradável ou chocante.

 Perífrase

Consiste no uso de uma expressão que designa um determinado ser por intermédio de alguma de suas características ou por meio de um determinado fato que o fez ser conhecido entre todos 



Por Claudio Castoriadis

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