terça-feira, 2 de julho de 2013

Poderia ser um poema


O corpo que veste a alma
Já não é o mesmo
Quando lhe desgraça

Reluzente como um raio
Enroscado na esperança
Do outro lado destinado
 Aquilo que nunca foi

Assim morre uma maldita rima
Da mais alta virtude
Trágico,  
Poderia ser um poema

Liberdade,

Eu a desejo com deleite
A queda da luz, correndo
Precipitando-se—
Logo em seguida: o silêncio

Refração...
Cor, florescendo
Dissolvendo-se

      Descontinuidade?
                —Restauração
                   A fome segue,
Onde cultivas-te  o carvalho

Que a vida permaneça,
Tempestade e correnteza
Afetos— no ar frágeis

Espumas deslizando
Arco da existência
E todos nos contemplam
Sim! apenas respire.


                                                                                                   Por Claudio Castoriadis 
Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Compaixão: algo atrelado na natureza humana.


Geralmente quando uma crueldade despenca em nosso meio ficamos estarrecidos, eu pelo menos sou assim. Cada pessoa tem sua maneira pessoal de lidar com algum ato de crueldade. Quem se diz humano demonstra sua essência quando sente aversão pelo ato. Para inflamar de vez essa tal essência temos os noticiários, muitos sensacionalistas, que nos apresentam com frequência casos e mais casos, martelando bruscamente nossos sentimentos.

Em casos como esse, como se fosse um assalto, somos tomados pela revolta, um tipo de angústia que não entendemos: "poxa vida, como alguém pode ser capaz de fazer algo desse tipo?" Doloroso, isso é indubitável. Vivemos em uma humanidade destinada ao nada? Totalmente desprovida de compaixão?

Segundo o filósofo Arthur Schopenhauer a vida humana transcorre em meio à maldade, ao egoísmo, aos trabalhos e às dores. Porém, ele aponta a existência da compaixão como algo atrelado na natureza humana. Compaixão essa que sendo mensurada pode estimular a justiça e a caridade, as quais representam o alívio de muitos sofrimentos neste mesmo mundo de carências e misérias. Nesse caso uma pergunta se faz necessário aos brasileiros: onde você esconde sua compaixão? Em você? No outro? No seu banco? Na sua Classe Social?



Por Claudio Castoriadis 
Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Turbilhão de protestos no Brasil: cuidado, complexo Che encubado




Depois desse turbilhão de protestos no Brasil, do norte para tudo que for Brasil, uma frase de uma tal de Bismarck poderia resumir algumas questões que a moçada ainda teima em desconstruir:  a política é arte do possível. Falo isso, tendo em mente uma reforma política de acordo com o sistema sem a necessidade de romper com o sistema democrático. Creio que "revolução" é uma palavra forte que ainda deve ser estudada com rigor antes da sair quebrando tudo, uma batalha de todos contra todos. Os grandes movimentos devem acontecer. Porém, de maneira  espontânea, como a maioria dos movimentos populares foram desde o século dezessete.


No nosso tempo uma falsa consciência de liberdade foi despertada na rua ( denomino complexo Che encubado) mas como funciona essa crise? Na forma de um movimento “apartidário”. Com isso, temos grupos se comportando feito ovelhas clamando atenção para  os oportunistas de plantão: seja de esquerda, direita, de cima ou em riba!

Desorganizado e desinformado o tiro pode ser no escuro, mirar no leão e acertar no viado, daí o escombro que se pretende sair pode se aprofundar: pois é chapa, se a economia brasileira afundar em um abismo sem volta? Um ponto negativo: o Estado terá menos recursos para bancar os hospitais e consertar suas falhas no contexto público. Ser sério, não significa em destruir a política que temos, assim, do nada! A arte de viver com o próximo, mesmo as coisas estando como estão, é equivalente à capacidade de proteger o espaço da política contra exigências oriundas do impossível.  Digamos que tudo seja quebrado? E agora? Quem vai bancar? Aqueles que sempre pagaram impostos, trabalhando a vida inteira sem o direito a nada? Os marginalizados serão cada vez mais massacrados, e vão por mim, eu não desejo isso para eles, afinal, eu sou um deles, eu trabalhei com eles, lutei com eles. O setor público, nunca foi um santo pela minha gente, um demônio? chegando perto. Mas, nós acreditamos, minha gente rala em  programas sociais. Nossa barreira? Sempre foi o muro  do preconceito social , porém, a moçada aqui, ainda está de cabeça erguida. E juntos ainda vamos fazer mais do que barulho pelo nosso próximo.



Por Claudio Castoriadis

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Vida: encanto e mistério


Geralmente esperamos tanto da vida, e a mesma gloriosa em seu encanto e mistério, sempre nos presenteia com suas possibilidades, um universo de possibilidades, uma gama de paradigmas em forma de esperança, sim, uma infinidade de possibilidades que ainda não vingaram: a possibilidade de uma bela família, uma boa casa de campo, lindos filhos, a possibilidade de uma boa vizinhança, o reconhecimento de um bom emprego, amigos, uma boa festa, um bom final de semana, um agradável jogo de futebol, uma bela pessoa que passa por acaso ao nosso lado, uma boa refeição, um ótimo livro, uma agradável  conversa, um inverno nostálgico, um exuberante jardim que transborde vida, uma desejável companhia, um merecido conforto, uma bela poesia, uma majestosa pintura, uma saudável caminhada, uma boa noite de sono, ou até mesmo um alívio após um cigarro. Enfim, nossa existência tem fome de ser e existir mergulhada em possibilidades. 


Foto by: José Carlos 



Por Claudio Castoriadis
Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Penso, logo sou...Castoriadis!

Sobre o Capital















Por Claudio Castoriadis

Pense, seja vida. Um prelúdio para a felicidade!


Imagine a vida sem tamanho, nem forma. Sim! pense nessa possibilidade. Algo inconclusivo. Seja arrebatado por esse pensamento - antro de liberdade, o mais sagrado pensamento que o mundo até então sangrou. Sendo a vida desprovida de tamanho e forma, em qual formato se encontraria o bem ou o mal? Se debruce nessa ideia. Em vez de vasculhar a sua mente, assediando formatos, tenta explorar o que é possível fazer. O hoje, o agora, esse breve instante. Em outras palavras, a vida pode ser eterna, mas nossa consciência, como atividade, naturalmente um dia será esgotada. Então? Condenado por essa sentença você prefere abundante benevolência e simplicidade, apenas viver? Ou mortalmente ser prostrado por uma prolongada agonia? Acorrentado por uma vontade inquisidora de tamanhos e formas sedento por um sentido incomensurável?



Por Claudio Castoriadis

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Ainda um rascunho


É preciso está preparado quando o verso cair em sua cabeça
Seu sangue criptografado vazar em seu vocabulário
Sua alma se perder fora da página.

O mundo: um subtítulo, aquela palavra
Que se prolonga...
Precede, um punhado de conceitos
  — Amputado, esquecido
Lhe pula às costas

Devaneios primários, temperando
Desaguando em um conto—
Ainda um rascunho
Não desconhecido

Desgraçado de ti! Intoxicado
Hipérbole que queima
Feito gasolina —
Duramente eternidade
Autodecomposição



   

Por Claudio Castoriadis

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Mészários* : dez lições básicas para quem deseja criticar o socialismo




1-  Antes de mais nada não existe a palavra “comuna” o correto seria comunismo.


      2-  Existe uma distinção entre capital e capitalismo


     3-  Segundo o filósofo MÉSZÁROS, Marx não intitulou sua principal obra O capitalismo, e sim O capital e mais: o subtítulo do volume I foi mal traduzido, sob a supervisão de Engels, como "o processo de produção capitalista", então, segundo o mesmo, o correto seria "o processo de produção do capital", o que tem um sentido radicalmente diferente.

      4- O objetivo fundamental da transformação socialista é superar o poder do “capital”


    5- O “capital” não depende especificamente do poder do capitalismo e isso é importante também no sentido de que o capital precede o capitalismo em milhares de anos.

     6- Quando o capitalismo é derrubado numa área específica, o poder do capital continua, mesmo que numa forma híbrida.


      7- É absolutamente crucial reconhecer que o capital é um sistema metabólico, um sistema metabólico sócio-econômico de controle. Você pode derrotar o capitalista, mas o sistema fabril permanece, a divisão de trabalho permanece, nada mudou nas funções metabólicas da sociedade.

       8-  O capital é uma força controladora, você não pode controlar o capital, você somente pode se livrar dele por meio da transformação de todo o complexo de relações metabólicas da sociedade - é impossível enganá-lo. Ou ele o controla ou você se livra dele, não existe meio termo


     9- Em nossa sociedade, os incentivos materiais tal como nos são apresentados sempre colocam as pessoas umas contra as outras. É possível ver isso por toda a parte, em toda profissão, no ensino, na universidade, em qualquer canto da vida: os incentivos operam na presunção de que podemos dividir as pessoas para melhor controlá-las.

     10- Antes de falar sobre o socialismo entenda: o socialismo sequer foi iniciado, não foram dados nem os primeiros passos na direção de uma transformação socialista, cujo alvo somente pode ser a derrubada do poder do capital e a superação da divisão social do trabalho, a derrubada do poder do Estado, que é também uma estrutura de comando para a regulação da vida das pessoas a partir do alto.





*O filósofo húngaro István Mészáros foi aprendiz de Jorge Lukács e é reconhecido como um dos principais intelectuais marxistas contemporâneos. 

sábado, 1 de junho de 2013

“O inferno no mundo” a condição trágica do homem.


A primeira grande lição do filósofo Schopenhauer deixada para humanidade foi dizer que o “mal” é parte essencial do mundo, que o horror e a injustiça, “o inferno no mundo”, eram produto da vontade da natureza, como que uma raiz, um princípio primeiro do mundo inato  no agir humano. Em todos os fenômenos da vida, ao instinto dos animais e mesmo no querer consciente dos homens lá a encontramos a manifestação dessa vontade. Nesse caso, não somos tão livres quanto pensamos, pois, tudo o que acontece, acontece segundo a necessidade. Em Schopenhauer, encontramos a ideia de que não há nenhum ‘local’ de escape da vontade na natureza, as expressões dela são vistas entorno de todo mundo.

A segunda lição foi afirmar que o sofrimento educa, que a dor tem portanto uma função pedagógica e não pode ser negada: essa é a lição que reivindicaheroísmo” do sujeito.







Dica de leitura

O Mundo como Vontade e como Representação - Arthur Schopenhauer

A mais completa edição em língua portuguesa do grande clássico da filosofia alemã, “O Mundo Como Vontade e como Representação”, traduzido por Jair Barboza. É imprescindível para o vislumbre do horizonte em que se movem as chamadas filosofia do impulso com sua reflexão sobre o irracional e o inconsciente, bem como uma crítica a esse irracional que também passa por uma crítica da razão. A obra se subdivide em quatro livros. Dois elegem o tema da Representação e dois, o tema da Vontade e cada livro assume um ponto de vista diferente da consideração.





Por Claudio Castoriadis

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Rimbaud: desmembramento dos sentidos ultrapassando a linha do delírio.




"Jamais pratiquei o mal. Os dias me serão leves, o arrependimento me será poupado"

Rimbaud



Revolucionário do seu tempo, a poética de Rimbaud ultrapassa a linha do delírio, do desmembramento dos sentidos apresentando um mundo novo. Com isso, temos um autor autentico com uma obra sufocante, provocante. Uma nova estratégia da linguagem. Certamente é preciso cautela e estômago para uma bem sucedida aproximação com seus textos. Afugentar leitores, talvez seja essa a sombra que paira em seu estilo? Sua fosforescência desconstrói a barreira das línguas. 


De acordo com o crítico Hugo Friedrich, o poeta fez ir pelos ares não só sua própria produção inicial como também a tradição literária que se achava atrás dele, além de criar uma linguagem que, ainda hoje, se mostra produtiva na lírica moderna. "Sua obra corresponde a essa impetuosidade. É exígua; mas a ela se pode aplicar uma palavra-chave de Rimbaud: explosão." diz o crítico.

Poeta Maldito, maldição constitutiva da poética e visão de mundo. Encarnou o desconhecido rasgou o invisível e inaudível. Em Uma temporada no Inferno, criou o monólogo do exilado no mundo – “Por ora sou maldito, tenho horror à pátria” – que perdeu a memória – “De nada mais me lembro anterior a essa terra e o cristianismo – e tem o “sangue mau”. Um selvagem da “raça inferior”, além de longínqua: “meus pais era escandinavos: vazavam o flanco, bebiam o próprio sangue”. Identifica-se aos marginais e párias; aos criminosos: é “o forçado intratável contra quem se encerram as grades da prisão”. E por fim verberou "Chega de frases. Não vejo a hora em que tombarei no vácuo". Conhecido pelas longas e rotineiras caminhadas, percorrendo a Europa e os oceanos, atrelado em ocupações para ganhar a vida. Rimbaud aprendeu uma porção de línguas, para findar, finalmente, na África, perdendo-se na teia de aranha por ele mesmo tecida entre Aden e DjibutiZeilah e Harar, onde cumprira o resto de seu ciclo infernal em atrozes condições chegando a morrer como um mártir aos trinta e sete anos. Temperamento forte, para muitos estudiosos o seu destino estava sacramentado: solidão. Terrivelmente só.

Rimbaud, o poeta perverso. Entre aqueles poemas iniciais, “Os poetas de sete anos”, em que se descreve como menino que “Teimava em se trancar no frescor das latrinas / Para pensar em paz, arejando as narinas”. Encontra-se com uma “pirralha infernal”, filha de oito anos do “operário ao lado”, que lhe pula às costas: “Ele por baixo então lhe mordiscava as popas, / porquanto ela jamais andava de calcinha”. Observa Calasso: “Até então a literatura vivera ignorando tudo isso. Nenhum escritor, nem mesmo Baudelaire, ousara mencionar cenas desse tipo”. 



Depoimentos



André Gide

Rimbaud era para mim como um poeta demoníaco, um "poeta maldito" entre todos e gostava de o ser, com a ajuda do álcool, o "famoso gole de veneno" que ele nos convida a beber e que eu degustava com prazer, mais embriagante que qualquer outro vinho, que não podia convir senão aos fortes, eu pensava.

A que estranha danação ele não arrastaria todos os outros?

Rimbaud, com seu individualismo exacerbado, sua insubmissão. O selvagem Rimbaud. Ele assusta... mesmo preso!

... Há o que ele quis dizer, o que pensamos que ele quis dizer; mas o que ele disse sem o querer e contra si mesmo.

Rimbaud continua um mestre admirável na arte de escrever, um inventor de formas cuja originalidade não foi esgotada por nenhum de seus inúmeros imitadores.


Henry Miller

Creio que há muitos Rimbaud neste mundo, e que seu número crescerá sempre. Creio que, no futuro, o tipo Rimbaud substituirá o tipo Hamlet e o tipo Fausto.

Rimbaud é uma curiosa mistura de audácia e timidez. Ele tem a coragem de se aventurar lá onde nenhum branco jamais pôs os pés, mas ele não é capaz de enfrentar a vida com pouco dinheiro. Não tem medo dos canibais, e sim dos brancos, de seus semelhantes.

Une Saison en Enfer: este livro é a última palavra do desespero, da revolta, da maldição.

Ele combateu até o extremo limite de suas forças. E é por isso que seu nome, como o de Lúcifer, continuará glorioso.

Nele havia luz, uma maravilhosa luz, mas ela não devia se espalhar antes que ele morresse.




Dica de leitura


Uma Temporada no Inferno
Arthur Rimbaud
Tradução de Paulo Hecker Filho
74 páginas
LPM POCKET
2002






Por Claudio Castoriadis
Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

quarta-feira, 29 de maio de 2013

O eterno caminhar das palavras


O movimento é algo que assegura a poesia,
andar, refletir, dançando sobre o ritmo do pensamento
— o eterno caminhar das palavras.
Fazendo-o perceber os sentimentos, detratores
Que saltam em sua alma!

Esse impulso que age naturalmente tem algo
Coisas: ideias de outras ideias de coisas...
Esplêndido cortejo, tolice que se lança,
Alcança fremente a diamantina beleza
Um mar de dádivas

Exaltação da vida
Pássaros, palavras
e tons 

Por mais que alguém julgue o curso da natureza
Aquele do outro lado,
mesmo que em horrível contrapartida
Todos, sombras do antes, presente...Ausente
Seremos para todo o sempre
A eterna comédia, nobre e vulgar
Embriagante beleza, meticuloso exílio
Finalidade primordial — movimento.




Por Claudio Castoriadis
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"Não confunda ética com éter" Natália - Legião Urbana!!!



Penso, logo sou...Renato- cultura- Russo!

"Não confunda ética com éter" 

Éter: nome da substância que os físicos acreditavam que existia em todo o universo, mas sem massa, volume e indetectável, pois não provocaria atrito. 

É, na mitologia grega, a personificação do conceito de "céu superior", o "céu sem limites" (diferente de Urano). É o ar elevado, puro e brilhante, respirado pelos deuses.




Por Claudio Castoriadis
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segunda-feira, 27 de maio de 2013

Que coisa é a vida. Que coisa pior ainda é o tempo


Um homem vem caminhando por um parque quando de repente se vê com sete anos de idade. Está com quarenta, quarenta e poucos. De repente dá com ele mesmo chutando uma bola perto de um banco onde está a sua babá fazendo tricô. Não tem a menor dúvida de que é ele mesmo. Reconhece a sua própria cara, reconhece o banco e a babá. Tem uma vaga lembrança daquela cena. Um dia ele estava jogando bola no parque quando de repente aproximou-se um homem e... O homem aproxima-se dele mesmo. Ajoelha-se, põe as mãos nos seus ombros e olha nos seus olhos. Seus olhos se enchem de lágrimas. Sente uma coisa no peito. Que coisa é a vida. Que coisa pior ainda é o tempo. Como eu era inocente. Como meus olhos eram limpos. O homem tenta dizer alguma coisa, mas não encontra o que dizer. Apenas abraça a si mesmo, longamente. Depois sai caminhando, chorando, sem olhar para trás.

O garoto fica olhando para a sua figura que se afasta. Também se reconheceu. E fica pensando, aborrecido: quando eu tiver quarenta, quarenta e poucos anos, como eu vou ser sentimental!


Luís Fernando Veríssimo 
Sobre o Autor:
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domingo, 26 de maio de 2013

Algo entre tantas coisas


Pálida, a chama de uma vela que se derrama d' alvorada
É noite, pressinto o dia, ave d'aurora, algo entre tantas coisas
sombra esvaecida, arquejando, tentando, querendo ser...
Fora, oxidado, sem controle, desatento, nest'hora remoendo
A ânsia da glória, agora se perde
Um lampejo do passado.





Por Claudio Castoriadis
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segunda-feira, 20 de maio de 2013

Psicopata: natureza devastadora e assustadora.



Já dizia o intelectual Adler que o neurótico é vítima da realidade imaginária que elegeu como diretriz ou finalidade de vida. Dito de outra forma, é o sujeito que escolhe um fim fictício para dar sentido à existência e busca satisfazer, simultaneamente, as exigências do mundo real e desse universo por ele inventado, mantendo-se cativo de uma tormentosa ambivalência.

Pois bem, quando a neurose passa  ser algo incontrolável? Uma anomalia psíquica? Um transtorno antissocial da personalidade? Alterando a conduta social do indivíduo se convertendo em anomalia patologicamente alterada? Qual o resultado desse tipo de transtorno? 

Quantas vezes você chegou a pensar sobre essas questões em seu cotidiano? Melhor, você observa com cautela o comportamento específico de certos indivíduos? Geralmente o diagnóstico ou soma desses fatores resulta em psicopatia. Nesse caso, todo cuidado é pouco.  A natureza dos psicopatas é devastadora, assustadora, e, aos poucos, a ciência começa a se aprofundar e a compreender aquilo que contradiz a própria natureza humana. Com isso, temos o objeto da ação de um psicopata, uma mente com sérios traumas,  abismos desconhecidos. Importante lembrar que nem todos os psicopatas são assassinos compulsivos ou criminosos, como você pode pensar. Alguns, aparentemente, são pessoas comuns. Na verdade, 1% a 3% da população em geral tem fortes tendências psicopatas. Também não pense que se trata de um maluco beleza. 

O livro da Dra. Ana Beatriz Barbosa – MENTES PERIGOSAS - deixa claro que ninguém vira psicopata da noite para o dia: eles nascem assim e permanecem assim durante toda a sua existência. Os psicopatas apresentam em sua história de vida alterações comportamentais sérias, desde a mais tenra infância até os seus últimos dias, relevando que antes de tudo, a psicopatia se traduz numa maneira de ser, existir e perceber o mundo (BARBOSA, 2008, p. 170). Além do mais, as crianças que mentem sem sentir e tornam esta atitude um hábito normal em seu desenvolvimento, podem tornar-se sérios candidatos á Psicopatia na fase adolescência/adulto.

Podemos afirmar que a psicopatia não tem cura? Segundo alguns especialistas, não. Por se tratar de um transtorno da personalidade e não uma fase de alterações comportamentais momentâneas. Sei que é difícil de acreditar, mas algumas pessoas nunca experimentaram ou jamais experimentarão a inquietude mental, o menor sentimento de culpa, remorso por desapontar, magoar, enganar ou até mesmo tirar a vida de alguém. Um outro argumento que merece ser mencionado é o da psicóloga Jennifer Skeem, da Universidade da Califórnia em Irvine, que sugere que essas pessoas podem se beneficiar da psicoterapia como qualquer outra. Mesmo que seja muito difícil mudar comportamentos psicopatas, a terapia pode ajudar a pessoa a respeitar regras sociais e prevenir atos criminosos.


Conceito

A palavra psicopatia, etimologicamente, vem do grego psyché, alma, e pathos, enfermidade. O conceito de psicopatia não é consenso entre os especialistas, entretanto, apesar das inúmeras definições diversificadas, acorda-se que a psicopatia é um transtorno da personalidade e não, uma doença mental.

A Associação Americana de Psiquiatria (American Psychiatric Association – APA) prefere a expressão Transtorno da Personalidade Antissocial sob o código 301.7. Em seu manual DSM-IV-TR[2] – Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), a instituição apresenta critérios diagnósticos do transtorno:

Critérios Diagnósticos para Transtorno da Personalidade Antissocial

A. Um padrão global de desrespeito e violação dos direitos dos outros, que ocorre desde os 15 anos, como indicado por pelo menos três dos seguintes critérios:

1- incapacidade de adequar-se às normas sociais com relação a comportamentos lícitos, indicada pela execução repetida de atos que constituem motivo de detenção

2- propensão para enganar, indicada por mentir repetidamente, usar nomes falsos ou ludibriar os outros para obter vantagens pessoais ou prazer

3- impulsividade ou fracasso em fazer planos para o futuro

4- irritabilidade e agressividade, indicadas por repetidas lutas corporais ou agressões físicas

5- desrespeito irresponsável pela segurança própria ou alheia

6- irresponsabilidade consistente, indicada por um repetido fracasso em manter um comportamento laboral consistente ou de honrar obrigações financeiras

7- ausência de remorso, indicada por indiferença ou racionalização por ter ferido, maltratado ou roubado alguém

B. O indivíduo tem no mínimo 18 anos de idade.

C. Existem evidências de Transtorno da Conduta com início antes dos 15 anos de idade.

D. A ocorrência do comportamento antissocial não se dá exclusivamente durante o curso de Esquizofrenia ou Episódio Maníaco. 


Com o perdão da palavra, é melhor parar para pensar bem com quem você se relaciona. As vezes temos um carro bomba em nossa garagem ou no quintal do vizinho. Enfim, não é possível fazer um diagnóstico apenas observando informalmente, toda pessoa com algum transtorno psicológico só terá o diagnóstico depois de devidamente atendida por um psicólogo ou psiquiatra.




Por Claudio Castoriadis 
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