quinta-feira, 11 de julho de 2013

Formação

Eu rabisco
— Meio sem forma
Assim vou me formando.




Por Claudio Castoriadis

Michael Moore e Oliver Stone: carta de apoio a Julian Assange




A tradução integral da carta, feita pelo Tugaleaks, segue abaixo:

    
 Durante toda a nossa carreira de cineastas defendemos a tese segundo a qual os meios de informação americanos frequentemente não relatam aos cidadãos as mais torpes acções cometidas pelo nosso governo. Eis porque estamos profundamente gratos à Wikileaks pelo que fez e aplaudimos a decisão do Equador em conceder asilo político ao seu fundador, Julian Assange, neste momento refugiado na embaixada deste País sul-americano em Londres.

    O Equador agiu em conformidade com importantes princípios dos direitos humanos internacionais. Mais ainda, a prova mais concludente da justeza da decisão das autoridades de Quito consiste na ameaça, por parte do governo britânico, de violação de um princípio intocável das relações diplomáticas e de invasão da embaixada para deter Assange. Desde o seu nascimento que a Wikileaks tem mostrado à opinião pública filmes de “homicídios colaterais”, que mostram um helicóptero de guerra Apache que mata de forma aparentemente indiscriminada civis em Bagdad, outros aspectos precisos sobre a verdadeira face das guerras no Iraque e no Afeganistão, o conluio entre os Estados Unidos e a ditadura iemenita para esconder as nossas responsabilidades nos raids efectuados nesse país, as pressões da administração Obama sobre outros países para convencê-los a não processar por tortura funcionários da era Bush, e muitas outras coisas ainda.

    Como era previsível, a resposta dos que prefeririam que os americanos permanecessem na ignorância de tudo isto foi implacável: expoentes de primeiro plano dos grupos parlamentares de ambos os partidos definiram Assange como um «terrorista hi-tech» e a senadora Dianne Feinstein, representante democrática da Califórnia à frente da Comissão especial sobre os serviços secretos do Senado, pediu que Assange fosse processado ao abrigo da lei da espionagem. A maioria dos americanos, dos britânicos e dos suecos não sabe que a Suécia não incriminou formalmente Assange: simplesmente emitiu um mandado de captura sobre ele para o interrogar sobre denúncias de agressão sexual apresentadas contra ele em 2010.

    Necessário se torna que sejam conduzidas averiguações aprofundadas sobre estas acusações antes que Assange se transfira para um país onde a magistratura sueca o não possa alcançar. Mas foram os governos de Londres e de Estocolmo quem levantou obstáculos a esta investigação, não foi Assange.

    Já no passado magistrados suecos se deslocaram ao exterior para conduzir averiguações, sempre que necessário, e o fundador de Wikileaks expressou claramente a sua disponibilidade para ser interrogado em Londres. O governo equatoriano, para além disso, expressou explicitamente à Suécia o seu consentimento para com o interrogatório de Assange no interior da embaixada. Em ambos os casos a Suécia recusou.

    Assange concordou igualmente em deslocar-se imediatamente à Suécia se o Governo de Estocolmo se comprometesse formalmente na sua não extradição para os Estados Unidos. As autoridades suecas não mostraram nenhum interesse nesta proposta e o Ministro dos Negócios Estrangeiros Carl Bildt disse recentemente com clareza a Assange e à Wikileaks que a Suécia não tenciona assumir um compromisso deste tipo. Também o governo britânico, por força do mesmo tratado, teria o direito de impedir a extradição de Assange da Suécia para os Estados Unidos, mas também o governo britânico afirmou claramente não pretender servir-se deste seu poder. Os esforços por parte do Equador para mediar acordos deste tipo com os governos de Londres e de Estocolmo foram reenviados ao destinador. Tomadas no seu conjunto, as acções das autoridades britânica e sueca indicam claramente que o seu verdadeiro objectivo é o de enviar assange para a Suécia, porque daí provavelmente, por via de tratados e outras considerações, seria mais fácil a sua extradição para os Estados Unidos com o intuito de o processar. Assange tem todos os motivos para temer um resultado deste tipo. O departamento de justiça recentemente confirmou que as averiguações sobre a Wikileaks prosseguem e documentos do governo australiano recentemente tornados públicos, datados de Fevereiro último, afirmam que «as averiguações dos Estados unidos sobre uma eventual conduta criminal de Assange prosseguem há mais de um ano».

    A mesma Wikileaks publicou mails da Stratfor, uma empresa privada de informação, onde se afirma que um Grande Júri (um júri especial encarregado de estabelecer se subsistem elementos para um processo) já aprovou secretamente a acusação de Assange. E os precedentes indicam que a Suécia se dobraria às exigências de Washington e entregaria o fundador da Wikileaks às autoridades dos Estados Unidos: em 2001 o governo sueco entregou à CIA dois egípcios que tinham requerido asilo, a CIA transferiu-os para o egipto onde foram torturados pelos torcionários de Mubarak.

    Se Assange fosse extraditado para os Estados Unidos, as consequências far-se-iam sentir durante anos em todo o mundo. Assange não é um cidadão americano e nenhuma das suas acções ocorreu em território americano. Se os Estados Unidos podem perseguir penalmente um jornalista nestas circunstâncias, então, seguindo a mesma lógica, os governos russo ou chinês poderiam pedir a extradição de jornalistas estrangeiros, de todas as partes do mundo, culpados de terem violado as suas leis. Um precedente deste tipo deveria preocupar a todos, admiradores ou não da Wikileaks.

    Nós lançamos um apelo aos cidadãos da Grã Bretanha e Suécia para que peçam aos seus governos que respondam a algumas questões fundamentais: por que motivo as autoridades suecas se recusam a interrogar Assange em Londres? E por que razão nem o governo de Londres nem o de Estocolmo aceitam o compromisso de não extradição de Assange para os Estados Unidos? Os cidadãos britânicos e suecos têm assim uma ocasião irrepetível para defender a liberdade de expressão em nome de todo o mundo.



 – Carta de Michael Moore e Oliver Stone publicado no The New York Times; Tradução Tugaleaks

terça-feira, 9 de julho de 2013

Perder entre minhas dúvidas a confiança na vida.



O que é a verdade? Já me perguntei tantas vezes. Quem nunca se perguntou? Eu pelo menos tenho essa necessidade! Buscar coisas óbvias de tão absurdas. E se a verdade fosse uma mentira? Sem problemas, nesse caso seria a minha mentira. Me sentindo bem, tudo bem. Contarei sempre com essa mentira, ou meia verdade, no espelho da minha alma e com o corpo inteiro, não apenas com palavras. — Serei feliz, um idiota, porém, feliz.

O que não quero? Perder entre minhas dúvidas a confiança na vida. É bem verdade que o mundo se assemelha a uma casa de boneca revirada — Mas poucos sabem disso. Temos com isso problemas, uma cartilha bem recheada de problemas. Mas por conta disso torna-se uma pessoa amargurada? Olha, não acho saudável. Será que não existe outra maneira? Já pensou em se apegar a vida? Não falo de se apegar de qualquer forma, se apegar de maneira diferente. Se apegar com respeito, com cautela, pensar bem e perceber que a vida adora surpresas, de tão complexa ela anseia se esconde por traz dos nossos medos, corridas incertezas. Então? Verdade ou consequência?



Por Claudio Castoriadis
Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Pensamentos Sublimados




Falar consigo mesmo, uma atividade desejada por vezes encontrada
Cada um tem sua forma, cada coisa busca comunica-se,
todos têm sua maneira.

Eu encontrei a minha, assim como os outros
Eu tenho meu jeito, que perpassa n’alma
Onde os homens não vêem.

Estou longe deles, feito rima que leve deixa o gosto,
No frio gélido que sopra lembranças,
Falei com minha antípoda enquanto a noite descia,
Envolvendo com sombras o brilho ébrio,
Um sentido que não diz:
O poeta e eu

Queimando sem razão, sentado na nuvem solitária
De portos e mares mergulhando,
Um barco sobreveio, mais um horizonte
Exausto, pensamentos sublimados
Vida que jorra nas encostas da mesma coisa:
Eu comigo mesmo.





Por Claudio Castoriadis
Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

terça-feira, 2 de julho de 2013

Poderia ser um poema


O corpo que veste a alma
Já não é o mesmo
Quando lhe desgraça

Reluzente como um raio
Enroscado na esperança
Do outro lado destinado
 Aquilo que nunca foi

Assim morre uma maldita rima
Da mais alta virtude
Trágico,  
Poderia ser um poema

Liberdade,

Eu a desejo com deleite
A queda da luz, correndo
Precipitando-se—
Logo em seguida: o silêncio

Refração...
Cor, florescendo
Dissolvendo-se

      Descontinuidade?
                —Restauração
                   A fome segue,
Onde cultivas-te  o carvalho

Que a vida permaneça,
Tempestade e correnteza
Afetos— no ar frágeis

Espumas deslizando
Arco da existência
E todos nos contemplam
Sim! apenas respire.


                                                                                                   Por Claudio Castoriadis 
Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Compaixão: algo atrelado na natureza humana.


Geralmente quando uma crueldade despenca em nosso meio ficamos estarrecidos, eu pelo menos sou assim. Cada pessoa tem sua maneira pessoal de lidar com algum ato de crueldade. Quem se diz humano demonstra sua essência quando sente aversão pelo ato. Para inflamar de vez essa tal essência temos os noticiários, muitos sensacionalistas, que nos apresentam com frequência casos e mais casos, martelando bruscamente nossos sentimentos.

Em casos como esse, como se fosse um assalto, somos tomados pela revolta, um tipo de angústia que não entendemos: "poxa vida, como alguém pode ser capaz de fazer algo desse tipo?" Doloroso, isso é indubitável. Vivemos em uma humanidade destinada ao nada? Totalmente desprovida de compaixão?

Segundo o filósofo Arthur Schopenhauer a vida humana transcorre em meio à maldade, ao egoísmo, aos trabalhos e às dores. Porém, ele aponta a existência da compaixão como algo atrelado na natureza humana. Compaixão essa que sendo mensurada pode estimular a justiça e a caridade, as quais representam o alívio de muitos sofrimentos neste mesmo mundo de carências e misérias. Nesse caso uma pergunta se faz necessário aos brasileiros: onde você esconde sua compaixão? Em você? No outro? No seu banco? Na sua Classe Social?



Por Claudio Castoriadis 
Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Turbilhão de protestos no Brasil: cuidado, complexo Che encubado




Depois desse turbilhão de protestos no Brasil, do norte para tudo que for Brasil, uma frase de uma tal de Bismarck poderia resumir algumas questões que a moçada ainda teima em desconstruir:  a política é arte do possível. Falo isso, tendo em mente uma reforma política de acordo com o sistema sem a necessidade de romper com o sistema democrático. Creio que "revolução" é uma palavra forte que ainda deve ser estudada com rigor antes da sair quebrando tudo, uma batalha de todos contra todos. Os grandes movimentos devem acontecer. Porém, de maneira  espontânea, como a maioria dos movimentos populares foram desde o século dezessete.


No nosso tempo uma falsa consciência de liberdade foi despertada na rua ( denomino complexo Che encubado) mas como funciona essa crise? Na forma de um movimento “apartidário”. Com isso, temos grupos se comportando feito ovelhas clamando atenção para  os oportunistas de plantão: seja de esquerda, direita, de cima ou em riba!

Desorganizado e desinformado o tiro pode ser no escuro, mirar no leão e acertar no viado, daí o escombro que se pretende sair pode se aprofundar: pois é chapa, se a economia brasileira afundar em um abismo sem volta? Um ponto negativo: o Estado terá menos recursos para bancar os hospitais e consertar suas falhas no contexto público. Ser sério, não significa em destruir a política que temos, assim, do nada! A arte de viver com o próximo, mesmo as coisas estando como estão, é equivalente à capacidade de proteger o espaço da política contra exigências oriundas do impossível.  Digamos que tudo seja quebrado? E agora? Quem vai bancar? Aqueles que sempre pagaram impostos, trabalhando a vida inteira sem o direito a nada? Os marginalizados serão cada vez mais massacrados, e vão por mim, eu não desejo isso para eles, afinal, eu sou um deles, eu trabalhei com eles, lutei com eles. O setor público, nunca foi um santo pela minha gente, um demônio? chegando perto. Mas, nós acreditamos, minha gente rala em  programas sociais. Nossa barreira? Sempre foi o muro  do preconceito social , porém, a moçada aqui, ainda está de cabeça erguida. E juntos ainda vamos fazer mais do que barulho pelo nosso próximo.



Por Claudio Castoriadis

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