![]() |
Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura > |
terça-feira, 14 de maio de 2013
Lar da poesia
Lar da poesia...
Sobre o Autor:
sábado, 11 de maio de 2013
Bullying: interferência drástica no processo de aprendizagem e de socialização
A definição: bullying é um
termo em inglês utilizado para designar a
prática de atos agressivos entre estudantes (Olweus, 1998; Ruiz, 1997 a,
b; Martinez, 2001, Fante, 2004).
Traduzido ao pé da letra é como se fosse uma
intimidação, em outras línguas: acoso e amenaza em espanhol, mal-tratos
entre pares em português, harcelement quotidien em francês, uma intimidação, um assédio cotidiano (Fante, 2004) dentre
outras definições internacionais.
Esse fenômeno, sádico, ou
humano, demasiado humano, bullying -
alimenta a delinquência e remete a outras formas de violência explícita, produzindo,
em larga escala, pessoas estressadas, deprimidas, com baixa autoestima,
configura um mundo de frustração – reduzindo a capacidade de autoafirmação. Além
de propiciar o desenvolvimento de sintomatologias de estresse, de doenças
psicossomáticas, transtornos mentais e de psicopatologias graves.
O bullying é hoje, sem dúvida, um dos temas mais discutidos,
em todo o mundo, o que
desperta crescente interesse nas diversas ciências e esferas sociais. Em meio às discussões, o que
é natural, surge uma infinidade de
opiniões, ideias, sugestões, estudos, publicações
e etc., que tentam explicar o
fenômeno e os motivos que leva um
indivíduo ou grupo a agir deforma
deliberada e, muitas vezes, tão cruel.
Os agravantes de tal prática:
interferência drástica no processo de aprendizagem e de socialização, que
estende suas consequências para o resto da vida podendo chegar a um desfecho
trágico. Em situações de ataques mais violentos, contínuos e que causem graves danos
emocionais- enfim, um ato de extrema violência.
Um fenômeno, nem velho, nem novo, dentre as
formas de violência física e moral, tem
se tornado comum nesse cotidiano já indigesto; uma forma de violência muitas
vezes não explícita que nos faz refletir sobre uma peculiaridade: trata-se de um problema entre as relações
interpessoais, mas cujas intenções ou
causas são de ordem intrapessoal.
Porém, de cada ferida pode
nascer uma flor. Devemos acreditar nisso! Temos que pensar em nosso próximo
como reflexo do nosso “EU”. Deixo aqui
para os leitores, educadores, pais, amigos e amigas um breve e lindo poema do Shane.
Para quem ainda não conhece seu trabalho e lição de vida, aconselho esse poema
que trata sobre essa temática do bullying com seriedade e arte. Shane é um artista maravilhosamente talentoso; seus
poemas estão repletos de paixão e inteligência. Seu desempenho traz um elemento
emocional, inspirando-os a acreditar que tudo é possível.
O vídeo abaixo foi feito por
87 animadores e motion artists, cada um produziu 20 segundos de animação para
ilustrar com beleza e emoção o poema To this day (“Ainda hoje”, tradução livre)
de Shane Koyczan.
O vídeo aborda a história de
três pessoas diferentes, que foram alvos de formas diferentes de outras
pessoas, sejam por besteiras faladas quando criança (sua própria experiência
pessoal), seja por não se encaixar no padrão de beleza dos outros (por causa de
um sinal), seja por uma criança pequena entrar em depressão pela falta dos
pais.
Um forte abraço!
Claudio Castoriadis
![]() |
Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura > |
Penso, logo sou filosofia!
A única maneira de se ficar mais esperto é jogando contra alguém mais esperto.
Fundamentos do Xadrez, 1883.
Pense como que pensa, não apenas como quem respira...
Claudio Castoriadis
Sobre o Autor:
Fundamentos do Xadrez, 1883.
Pense como que pensa, não apenas como quem respira...
Claudio Castoriadis
![]() |
Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura > |
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Crianças da aldeia de Arakib, 09/05/2013
Crianças da aldeia de Arakib, que foi demolida pela 50ª vez em dois anos pelas forças da ocupação israelense, segurando uma faixa dizendo: nós vamos ficar aqui, não vamos sair, 09/05/2013
Children of Arakib village, which was demolished for 50th time in two years by Israeli occupation forces, holding a banner saying: we will stay here, will not leave , 09/05/2013
Honório Lemes: o Leão do Caverá
Orgulho de ser gaúcho, a maioria do povo do Rio Grande do Sul tem. No entanto, muitos não conhecem bem a História do estado, nem os nomes de muitos personagens que fazem parte dela. Honório Lemes é um deles, e pode-se dizer que é “um dos grandes”.
A História gaúcha definitivamente não é um exemplo de pacifismo, mas as por vezes violentas revoluções serviram para definir as virtudes deste povo, simbolizadas nas atitudes dos heróis que lutaram pela melhoria do estado. Grandes homens cujos nomes deveriam ser lembrados; ou melhor, nunca esquecidos.
Tendo nascido em 23 de setembro de 1864, em Cachoeira do Sul, Honório Lemes da Silva participou ativamente da Revolução Federalista aos 29 anos.
Manoelito Carlos Savaris, presidente do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (IGTF) e estudioso da História do Rio Grande do Sul, afirma que “Honório Lemes participou da Revolução, iniciando como oficial subalterno na força federalista de Manoel Machado Soares, que foi quem o cognominou de Leão do Caverá”. A denominação, de acordo com Mariza Santos, foi lhe dada em função do amplo conhecimento que tinha da Serra do Caverá, onde batalhou na Brigada
Por Claudio Castoriadis
Foto by Claudio Castoriadis
![]() |
Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura > |
quinta-feira, 9 de maio de 2013
quarta-feira, 8 de maio de 2013
choque neurogênico
— A princípio
Onde eu me vejo
Eu não sou
Claudio Castoriadis
Sobre o Autor:
Onde eu me vejo
Eu não sou
Claudio Castoriadis
![]() |
Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura > |
William Gerald Golding: o Senhor das Moscas
William Gerald Golding nasceu em 1911, na Inglaterra. Em 1935, após publicar uma pequena coleção de poemas, gradua-se em literatura inglesa em Oxford. Trabalhou como escritor, ator e produtor em pequenas companhias de teatro até tornar-se professor em Salisbury.
Em 1940, entra para a Marinha inglesa. Durante a Segunda Guerra Mundial, participa da perseguição e afundamento do navio alemão Bismarck e também do desembarque das tropas aliadas na Normandia, em 1944. Após a guerra, volta a lecionar.
Seu romance de estreia foi O Senhor das Moscas, publicado em 1954. Na sequência, viriam Os Herdeiros (1955) e Queda Livre (1959), entre outros títulos. No ano de 1980, seu livro Ritos de Passagem rende-lhe o Booker Prize inglês, um dos mais importantes prêmios literários do mundo.
Em 1983, como reconhecimento pela sua obra, é agraciado com o Prêmio Nobel de literatura.
Golding morreu em 1993, deixando um romance inacabado, The Double Tongue (A Língua Dupla).
A LÍNGUA DUPLA - WILLIAM GOLDING
Na época de sua morte em 1993, a última obra de William Golding. O livro conta a história de Arieka como ela olha para trás sobre sua vida como um porta-voz do Deus Apolo, no primeiro século. A obra mostra um Golding voltado em um novo caminho criativo e ainda mantendo seu fascínio com a Grécia.
Por Claudio Castoriadis
![]() |
Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura > |
Mortes de índios podem quintuplicar vítimas da ditadura
Você que reclama por seus
direitos, já pensou no desaparecimento de aproximadamente 2.000 índios da etnia
Waimiri-Atroari durante a ditadura militar? O sumiço dos indígenas, cujo
território se estendia de Manaus até o sul de Roraima, ocorreu entre 1968 e
1983, época em que o governo federal construiu a rodovia BR-174 --ligando a
capital amazonense a Boa Vista-- para atrair à região projetos de mineração de
multinacionais.
Pense nisso, o preço que se paga
em viver pode ser alto....Mas, não adianta resmungar feito um demagogo fascista
que só pensa em vomitar o próprio veneno no seu próximo!! Depois de formado o
alto índice de pobreza, se torna mais difícil lidar com as consequências que
acompanham o fenômeno. Tenta pensar de verdade.
Não é de hoje que a sociedade
capitalista vem se alimentando da exploração e alienação de milhões de seres
humanos.
Liberdade, respeito, dignidade para todos!!
Por Claudio Castoriadis
![]() |
Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura > |
terça-feira, 7 de maio de 2013
Fyodor Dostoyevsky's Grave Site, St. Petersburg, Russia.
Fyodor Dostoyevsky's Grave Site, St. Petersburg, Russia.
Alexander Nevsky Monastery, Saint Petersburg,
Saint Petersburg Federal City, Russian Federation
domingo, 5 de maio de 2013
Ecce Homo- Nietzsche
Essa frase na verdade faz parte de um apêndice com poemas acrescentado à segunda edição do livro A Gaia Ciência, em 1887!
![]() |
Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura > |
sábado, 4 de maio de 2013
Envelhecer
É belo saber envelhecer
Sentir o tempo talhando
Prateleira com o rótulo:
existência
existência
É sublime pensar no que foi
Caminhar pelo que resta
Dois mundos, dois infinitos;
—Multiplicidade
Envelhecer não é está subordinado
determinado pelo declive
é apenas “ser”
moradia
Envelhecer não é ficar
podado no tempo
no fulgor do brilho
entranhado na calma
É continuar gentilmente
Ter n’alma flores
—Névoa
vil sentimento
N’água versos
Dir-se-ia lirismo
Aveludado.
Por Claudio Castoriadis
![]() |
Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura > |
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Sentimento de um poeta dançarino
Tenho em mente que apenas um sentimento pode superar o sentimento do poeta: o místico – por ser sofisticado, leve, duradouro e imperturbável, na medida que a clarividência extasiada do poeta deve ser periodicamente alternada com estados de consciência divina, lastimável, abençoado. Quanto mais alto, além de todos os limites do ser, da sua sombra, se elevar o estado de inspiração. Bem dizer os momentos de sofrimento, com os quais ele paga seu estado de inspiração e encanto. Deveríamos considerar o poeta mais digno de veneração do que qualquer outro artista, quase com um direito à reverência, inalcançável. Pois sua arte se relaciona com o conjunto das demais artes. O poeta dança através da intuição intelectual, a essência do mundo lhe pertence e essa essência ele chamou de poesia.
Por Claudio Castoriadis
![]() |
Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura > |
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Mario Benedetti: MUSAK: música ambiente
“Ao cacete. E gangrena.” Disse assim, textualmente. Um absurdo. Quanto “ao cacete”, ainda vá lá. Apesar de que há maneiras mais claras de dizer isso, você não acha? Mas, “e gangrena”? Estava sentado escrevendo à máquina naquele escritório. Estivera ali escrevendo à máquina, certamente algum comentário sobre basquete. No final do campeonato sempre se faz um balanço da temporada. Não sei pra quê. De todas formas, sempre se conclui o mesmo: os jogadores não são os culpados, mas sim, o técnico. Disse: “Ao cacete”, e eu perguntei: “O que você disse, Oribe? Não porque não tivesse entendido, mas porque o que tinha entendido me parecia um tanto estranho. Então, ele me olhou, ou melhor, fixou o olhar, por cima de minha cabeça, neste calendário, e proferiu o restante: “E gangrena”. A partir de então, ninguém mais pôde detê-lo. “Ao cacete. E gangrena. Ao cacete. E gangrena”. Chamei o Peretti e ele me ajudou. Juntos, o levamos à enfermaria. Não opôs resistência. Suava, e até tremia um pouco. Eu dizia pra ele: “Mas, Oribe, meu velho, que acontece?” E ele com sua cantilena: “Ao cacete. E gangrena”. Depois de quinze anos trabalhando juntos (bem, está certo, vizinhos ao menos, ele esportes , eu policial ), algo assim impressiona. Ainda mais que o Oribe é um cara simpático, expansivo, que está sempre contando até os mais insignificantes detalhes de sua vida. Você vê, acho que conheço cada canto da sua casa e olha que nunca estive lá. Conheço só pela minuciosidade das descrições dele. Posso até fazer um mapa, se você quiser. Posso te dizer o que a mulher dele guarda em cada gaveta do armário, aonde o moleque deixa a mochila da escola e de que cor são as escovas de dente e aonde esconde seus livros sobre marxismo. Sabia que ele é bolche? Quinze anos de intimidade. De repente, isto.
Compreender Nietzsche: perspectivismo
O sentido geral da expressão “perspectivismo” – como um modo de se conceber criticamente o “valor” e os “domínios do conhecimento” – já está presente nos primeiros escritos de Nietzsche, especialmente nos fragmentos póstumos de 1872/1875 (que deveriam constituir O Livro do Filósofo) e no ensaio “Verdade e mentira no sentido extra-moral” (1873). Porém, só a partir da década de 1880 o termo aparece explicitamente formulado (sobretudo em A Gaia Ciência,ex.: §354 e §374).
Em vários fragmentos dos anos 80, em especial os do final de sua vida lúcida este seu pensamento é abordado com grande ênfase. o perspectivismo nietzschiano (que se insere na perspectiva do pensamento contemporâneo) sugere uma superposição de visões, um entrelaçamento de olhares, multiplicidade de focos.
O uso cada vez mais recorrente do termo “perspectivismo” em círculos intelectuais variados, de modo especial, mas não exclusivamente, no debate filosófico contemporâneo, por si só justifica uma tentativa de compreensão do que se quer dizer com o mesmo. Defensores e críticos do perspectivismo muitas vezes não falam sobre a mesma coisa. O termo adquiriu, como não é raro ocorrer, uma pluralidade semântica que parece se confundir com aquilo mesmo que o termo quer significar. O perspectivismo é, entre outras coisas, a afirmação de que há uma pluralidade de sentidos, uma polissemia irredutível, no limite, a uma definição unívoca e não ambígua. Num aforismo de título Nosso novo “infinito”, Nietzsche dá conta disso: “penso que hoje, pelo menos, estamos distanciados da ridícula imodéstia de decretar, a partir de nosso ângulo, que somente dele pode-se ter perspectivas. O mundo tornou-se novamente ‘infinito’ para nós: na medida em que não podemos rejeitar a possibilidade de que ele encerre infinitas interpretações”. Portanto, não é por acaso que “perspectivismo” ocorre em diversos empregos.
Fonte:
http://www.cadernosnietzsche.unifesp.br/
Leia também
http://nietzsche-uma-compreensao-da-cultura-do
Dionisio-despedacado.html
Por Claudio Castoriadis
![]() |
Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura > |
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Cálida esperança
Enquanto o inverno prosava com a primavera. Minhas orações não podiam escapar da morte
Chegava zunindo, rastejando
das laterais escuras das montanhas
Golpeando a tempestade,
A mais cálida esperança
Eu deixo sua pele nas encostas
do tempo
Sangue de verdade - um dilúvio
em meu corpo.
Dai-nos sol, a vida sente
inveja
A morte não é, ela deve ser
Como pele de veludo
Sequiosa e medieval
Exausta de fadiga
Somente o silêncio, e nada
mais
Por Claudio Castoriadis
![]() |
Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura > |
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Mario Benedetti (1920-2009): “Que será de nós sem sua bondade inexplicável?”
O escritor uruguaio Mario
Benedetti (1920-2009) desbravou em vida escritos de teor filosófico e existenciais. Seus
poemas tocaram o tema da morte, da solidão, de sentir a proximidade do fim. “Mario ocupava um lugar muito maior do que ele
mesmo achava”, afirmou certa vez o português José Saramago. Os
amigos se despediram dele com respeito e palavras que, unidas, configuram sua
maestria. “Que será de nós sem sua bondade inexplicável?”, perguntou Eduardo
Galeano.
Poeta, novelista, dramaturgo,
crítico e jornalista, Benedetti pode ser considerado o maior nome da literatura
uruguaia recente. A poesia foi Intrínseca na sua pessoa, nunca parou de escrever, mesmo quando estava gravemente doente.
RESUMO
Resumindo
digamos que oscilamos
entre alegria e tristeza
quase como dizer
entre o céu e a terra
ainda que o céu de agora e o
de sempre
se ausente sem aviso
as ideias vão se tornando
sólidas
sensações primárias
palavras ainda em rascunho
corações que batem como
máquinas
serão nossos ou de outros?
este choro de inverno não é
igual
ao suor do verão
a dor é um preço / não sabemos
o custo inalcançável da
sabedoria
pensamos e pensamos duramente
e uma paixão estranha nos
invade
cada vez mais tenaz
mas mais triste
resumindo
não somos o que fomos
nem menos do que fomos
temos uma desordem na alma
mas vale a pena sustentá-la
com as mãos / os olhos / a
memória
tentemos pelo menos nos
enganar
como se o bom amor
fosse a vida
(Tradução de Denise Mota)
Por Claudio Castoriadis
![]() |
Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura > |
terça-feira, 23 de abril de 2013
Uma coisinha de Haicai
Uma coisinha coisada...
![]() |
Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura > |
domingo, 21 de abril de 2013
Haikai: primeiro adquirir a atitude para depois compreender
Um bom poema apenas precisa
"ser" não mais que isso nem aquilo, apenas seja. Nessa estética somos convidados a embarcar em
uma aventura literária e poética das poucas palavras: os haicais. Para quem
ainda não é familiarizado com a o termo se trata de formas poéticas japonesas
surgidas no século XVI. Os Haicais
chamam atenção pela maneira sucinta e harmônica que eles têm.
Sucinta? Literalmente ou
falando de forma não conceitual, não encontro palavras para descreve um estilo
composto por três linhas que consegue captar um momento presente, abrindo
nossas mentes para sensações e lugares. Foi o mestre japonês Matsuo Bashô quem tornou
essa arte conhecida, divulgando-a em diários de viagem.
Claro que aqui no Brasil temos
aqueles que se banharam nesse estilo, vários escritores desse tipo de texto,
como Alice Ruiz, Paulo Leminski, Paulo Franchetti . Segundo o poeta Teruko no
Brasil, o haicai alcançou o grande público por meio de três correntes: a que
valoriza o conteúdo, a que valoriza a forma e a que valoriza a palavra de
estação. O haicai não é poema que se resolve por si, não é produto final, como
a trova, por exemplo, cuja mensagem é entregue pronta e acabada para o leitor.
Daí que há quem diga que haicai não é poesia. É sugestão poética, ensinam os
mestres. Há uma frase atribuída a Bashô, que diz o seguinte: “por trás das
poucas linhas [do haikai] existe uma cultura milenar. Primeiro adquirir a
atitude para depois compreender”
Segundo o escritor Paulo
Franchetti um bom haicai é aquele que tem a modéstia e o despojamento da
linguagem como valores centrais, aquele que não se satisfaz na banal exibição
de virtuosidade técnica ou capacidade de associação brilhante. Um bom haicai é
um texto que se limita voluntariamente a apenas situar uma dada percepção
sensória, objetiva, num campo maior de referências (objetivas ou subjetivas)
onde ela ganhe sentido e componha um quadro único; um texto que traz para o
leitor a presentificação de um instante como algo inacabado, aberto, um esboço
ou um diagrama do choque entre a sensação fugaz e irrepetível e seu longo ou
profundo ecoar nas diversas cordas da sensibilidade e da memória.
Abaixo deixo uns exemplos do Paulo
Leminski e Alice Ruiz. Boa leitura!
Primeiro frio do ano
fui feliz
se não me engano
Paulo Leminski
tudo começa
do mesmo jeito
diferente
o que se quebra
pesa mais
do que o sonho leva
como se o dia
não passasse
dessa noite
Autora: Alice Ruiz
Por Claudio Castoriadis
Por Claudio Castoriadis
![]() |
Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura > |
sexta-feira, 19 de abril de 2013
O Navio Negreiro: um dos mais conhecidos poemas da literatura brasileira.
A questão da escravidão
Publicado em 1883, doze anos após a morte do autor, Os Escravos reúne as composições anti-escravagistas de Castro Alves, entre elas, os famosos poemas abolicionistas “O Navio Negreiro” e “Vozes d’África”.
Antônio de Castro Alves nasceu em Curralinho (hoje Castro Alves), na província costeira da Bahia em 14 de março de 1847, filho de um médico. Depois de receber o melhor ensino secundário disponível, Antônio entrou na escola de direito. Ele havia começado a compor poesia ainda mais cedo e escreveu alguns dos seus poemas mais impressionantes, enquanto era estudante. Um acidente de caça levou à amputação de um pé, e ele saiu da escola. Após 9 meses de andanças pelo sertão do Brasil, estabeleceu-se em Salvador. Ele morreu de tuberculose aos 24 anos em 06 de julho de 1871. Apenas um livro de poemas, Espumas Flutuantes (1870), foi publicado antes de sua morte, mas outros foram lançado postumamente.
Castro Alves não foi o primeiro poeta romântico a tratar do tema da escravidão. Antes dele, Gonçalves Dias, Fagundes Varela e outros abordaram a questão. No entanto, nenhum poeta foi mais veemente e engajado à causa social e humanitária do abolicionismo como ele. Castro Alves procurou aprofundar as implicações humanas da escravatura adequando a sua eloquência condoreira à luta abolicionista.
O Navio Negreiro
Um dos mais conhecidos poemas da literatura brasileira, O Navio Negreiro Tragédia no Mar foi concluído pelo poeta em São Paulo, em 1868. Quase vinte anos depois, portanto, da promulgação da Lei Eusébio de Queirós, que proibiu o tráfico de escravos, de 4 de setembro de 1850. A proibição, no entanto, não vingou de todo, o que levou Castro Alves a se empenhar na denúncia da miséria a que eram submetidos os africanos na cruel travessia oceânica. É preciso lembrar que, em média, menos da metade dos escravos embarcados nos navios negreiros completavam a viagem com vida. Composto em seis partes, o poema alterna métricas variadas para obter o efeito rítmico mais adequado a cada situação retratada. Assim, inicia-se com versos decassílabos que representam, de forma claramente condoreira, a imensidão do mar e seu reflexo na vastidão dos céus. Deixo aqui aos leitores a primeira parte desse lindo poema.
| “'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço
Brinca o luar - dourada borboleta;
E as vagas após ele correm... cansam
Como turba de infantes inquieta.
'Stamos em pleno mar... Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro...
O mar em troca acende as ardentias,
- Constelações do líquido tesouro...
'Stamos em pleno mar... Dois infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes...
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?...
'Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas.
|
É interessante lembrar que o poema se inicia com a supressão da vogal e inicial da palavra Estamos, grafada ‘Stamos para que o poeta forme um verso decassílabo. É um recurso tipicamente romântico: a expressão suplanta o cuidado formal.
A arte da sua escrita brinda seus leitores quando suplanta o cuidado formal com expressões próprias de um artesão das palavras com técnicas através de versos heptassílabos, heterossílabos, alternando decassílabos, hexassílabos.
Boa Leitura!!
Por Claudio Castoriadis
![]() |
Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura > |
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Redução da maioridade: não adianta gritar seus direitos de forma equivocada
Não adianta gritar seus
direitos de forma equivocada. O que está em discussão, no Brasil, não é a
tentativa de resolver o problema da violência e da criminalidade com essa questão
da redução da maioridade. Os verdadeiros problemas, tais como a desigualdade
social, a falta de perspectiva, o abandono, a falta de saúde, de educação,
entre outros, sequer estão sendo cogitados. Eles não se importam com nossos
menores, eles não se importam com nossa situação de desespero.
Preciso lembrar quem são os
responsáveis pela miséria e violência em nosso País? Preciso alfinetar
lembrando que nesse caso “o buraco não é mais em baixo” e sim “mais em cima”? Quem
apoia esse tipo de redução não reparou que somos 24 horas surrados com
elementos típicos de uma sociedade de consumo conspícuo, onde o ter suplanta o
ser, o que contribui para o aumento da economia criminosa. Sim, nossa violência
é subproduto de uma economia criminosa.
Eduardo Galeano, na obra De
pernas Pro Ar: A escola do mundo ao avesso, revela que cerca de um quarto da
população infantil e infanto-juvenil vive, ou melhor, sobrevive em total
miséria.
No Brasil, de acordo com o
relatório anual da Unicef, em 2004, mais de vinte e sete milhões de crianças
foram consideradas abaixo da linha da pobreza, cuja renda familiar dos pais não
alcança nem mesmo o salário mínimo, e estima-se que hoje esse número possa ter
aumentado - ou diminuindo?
É lamentável e assustador o grau
de violência que chegamos. Agora, não podemos negar que o adolescente que executa um delito é
formado socialmente por elementos fetichizadores, “Tenha isso”, “ande assim”, “não
tenha espinhas”, “use as melhores roupas”. Nossa cultura está se convertendo em
uma cultura do medo, do terror. Ou você tem algo, ou você não é nada. Elementos
peculiares da sociedade capitalista madura, resultado da inversão das mediações
de primeira ordem pelas mediações de segunda ordem: seja o melhor, consuma.
E levando em conta que em uma
sociedade cujo consumo é colocado ao ponto máximo da satisfação humana, gerando
o seu contrário: a miséria social, crianças com menos de dez anos de idade
realizam expedientes nos esquemas de tráficos de drogas em quase todas as
grandes cidades. Pelo trabalho de “olheiros” ou de “aviões”, recebem
remuneração que supera em muito o salário dos pais, quando estes os têm. Porém,
este trabalho exige uma dedicação que faz da “profissão” um caminho quase sem
volta. Essas crianças tendem a ascender
dentro do esquema criminoso, buscando, com isso, status e realização pessoal,
já que a economia criminosa as colocam em condições de consumistas e desumanas.
A diminuição da idade penal, ou o
aumento do tempo de internação, é uma medida que não resolverá o problema. Os
estudos de criminologia demonstram que o recrudescimento da lei não produz o
efeito desejado.
Exemplo disso é a extorsão
mediante sequestro, que era um crime raro no Brasil até o começo dos anos 80,
apesar de ter pena mais branda que a atual. Em 1990, após casos de repercussão,
foi aprovada a Lei dos Crimes Hediondos, que aumentou severamente a pena e
agravou seu regime de cumprimento (progressão de pena e livramento
condicional). Apesar disso tudo, não houve diminuição desses crimes.
Por Claudio Castoriadis
terça-feira, 16 de abril de 2013
José Miguel Insulza :miséria moral e política
Argentina, Equador, Uruguai, México, Cuba, Bolívia, Haiti, Nicarágua, China, Rússia, Irã, etc. não tenho dúvidas sobre a legalidade, transparência e equidade do processo e os resultados das eleições na Venezuela.
No entanto, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, apoiou a implementação de uma recontagem dos votos da eleição para determinar quem é o vencedor: se o candidato do governo, Nicolas Maduro, o requerente opositor, Henrique Capriles.
Mais uma vez, a miséria moral e política desse personagem é revelado, para a vergonha de um organismo que se encontra despalperavel como a OEA
Fonte
Assinar:
Postagens (Atom)


























