quarta-feira, 17 de abril de 2013

Redução da maioridade: não adianta gritar seus direitos de forma equivocada



Não adianta gritar seus direitos de forma equivocada. O que está em discussão, no Brasil, não é a tentativa de resolver o problema da violência e da criminalidade com essa questão da redução da maioridade. Os verdadeiros problemas, tais como a desigualdade social, a falta de perspectiva, o abandono, a falta de saúde, de educação, entre outros, sequer estão sendo cogitados. Eles não se importam com nossos menores, eles não se importam com nossa situação de desespero.

Preciso lembrar quem são os responsáveis pela miséria e violência em nosso País? Preciso alfinetar lembrando que nesse caso “o buraco não é mais em baixo” e sim “mais em cima”? Quem apoia esse tipo de redução não reparou que somos 24 horas surrados com elementos típicos de uma sociedade de consumo conspícuo, onde o ter suplanta o ser, o que contribui para o aumento da economia criminosa. Sim, nossa violência é subproduto  de uma economia criminosa.

Eduardo Galeano, na obra De pernas Pro Ar: A escola do mundo ao avesso, revela que cerca de um quarto da população infantil e infanto-juvenil vive, ou melhor, sobrevive em total miséria.

No Brasil, de acordo com o relatório anual da Unicef, em 2004, mais de vinte e sete milhões de crianças foram consideradas abaixo da linha da pobreza, cuja renda familiar dos pais não alcança nem mesmo o salário mínimo, e estima-se que hoje esse número possa ter aumentado - ou diminuindo?

É lamentável e assustador o grau de violência que chegamos. Agora, não podemos negar  que o adolescente que executa um delito é formado socialmente por elementos fetichizadores, “Tenha isso”, “ande assim”, “não tenha espinhas”, “use as melhores roupas”. Nossa cultura está se convertendo em uma cultura do medo, do terror. Ou você tem algo, ou você não é nada. Elementos peculiares da sociedade capitalista madura, resultado da inversão das mediações de primeira ordem pelas mediações de segunda ordem: seja o melhor, consuma.

E levando em conta que em uma sociedade cujo consumo é colocado ao ponto máximo da satisfação humana, gerando o seu contrário: a miséria social, crianças com menos de dez anos de idade realizam expedientes nos esquemas de tráficos de drogas em quase todas as grandes cidades. Pelo trabalho de “olheiros” ou de “aviões”, recebem remuneração que supera em muito o salário dos pais, quando estes os têm. Porém, este trabalho exige uma dedicação que faz da “profissão” um caminho quase sem volta. Essas crianças tendem a ascender dentro do esquema criminoso, buscando, com isso, status e realização pessoal, já que a economia criminosa as colocam em condições de consumistas e desumanas.

A diminuição da idade penal, ou o aumento do tempo de internação, é uma medida que não resolverá o problema. Os estudos de criminologia demonstram que o recrudescimento da lei não produz o efeito desejado.

Exemplo disso é a extorsão mediante sequestro, que era um crime raro no Brasil até o começo dos anos 80, apesar de ter pena mais branda que a atual. Em 1990, após casos de repercussão, foi aprovada a Lei dos Crimes Hediondos, que aumentou severamente a pena e agravou seu regime de cumprimento (progressão de pena e livramento condicional). Apesar disso tudo, não houve diminuição desses crimes. 




Por Claudio Castoriadis

terça-feira, 16 de abril de 2013

José Miguel Insulza :miséria moral e política


Argentina, Equador, Uruguai, México, Cuba, Bolívia, Haiti, Nicarágua, China, Rússia, Irã, etc. não tenho dúvidas sobre a legalidade, transparência e equidade do processo e os resultados das eleições na Venezuela.

No entanto, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, apoiou a implementação de uma recontagem dos votos da eleição para determinar quem é o vencedor: se o candidato do governo, Nicolas Maduro, o requerente opositor, Henrique Capriles.

Mais uma vez, a miséria moral e política desse personagem é revelado, para a vergonha de um organismo que se encontra despalperavel como a OEA





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Alegados apoiantes de Capriles atacaram a sede do governador de Miranda


Ao meio-dia de terça-feira, várias pessoas, supostamente seguidores de Capriles, atacaram a sede do governo do estado, em Los Teques Miranda.

O ataque começou pouco depois de Nicolas Maduro ter condenado as atividades violentas no país na segunda-feira, por seguidores Capriles. O presidente da Assembleia Nacional venezuelana, o chavista Cabello, disse que pedirá nesta terça-feira (16) uma investigação formal para responsabilizar o opositor Henrique Capriles pela violência que deixou pelo menos sete pessoas mortas durante manifestações convocadas pela oposição.

Nicolás Maduro foi oficialmente declarado vencedor nas eleições presidenciais da Venezuela, com 50,7% dos votos. Os apoiantes de Henrique Capriles, que contestou o resultado revelado pela autoridade eleitoral e que lhe atribui 49,1% da votação, saíram às ruas de Caracas em protesto na noite de segunda-feira. As manifestações tornaram-se violentas e sete pessoas morreram, segundo o último balanço. 

Capriles pedira que, se Maduro fosse proclamado Presidente, os venezuelanos levassem tachos para a rua e batessem “com força”. (será que ele falou no sentido literal?) “Este país pede ordem e paz e eu sou um construtor do progresso”, disse o líder da oposição ao "chavismo", numa conferência de imprensa em Caracas. 

Ao contrário do que pensa o candidato derrotado, Capriles. Se os confrontos continuarem, é bem provável que sua atitude imprudente danifique sua imagem política sendo associado ao golpe midiático e militar que derrubou Hugo Chávez, acusado de ser um ditador.

Em abril de 2002, após derrubar Chávez na madrugada do dia 12, em menos de 24 horas a oposição fechou o Congresso, a Corte Suprema, derreteu todos os poderes. Capriles, então prefeito de Baruta, pulou o muro da embaixada de Cuba para prender governistas refugiados. Os EUA trabalharam pelo golpe e apoiaram o novo governo. George W. Bush era o presidente. Lembrando, aquele Bush que perdeu a eleição popular para Al Gore, não aceitou recontagem e levou no tapetão, nas cortes




Por Claudio Castoriadis

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segunda-feira, 15 de abril de 2013

A União das Nações Sul Americanas (UNASUL) Saudou nesta segunda-feira o "espírito cívico" do povo venezuelano

A União de Nações Sul-americanas (Unasul) saudou nesta segunda-feira o "espírito cívico" do povo venezuelano nas eleições presidenciais de domingo e pediu respeito aos resultados oficiais, segundo comunicado divulgado em Montevidéu.


A missão saudou "o povo venezuelano pelo espírito cívico e democrático demonstrado em ocasião do ato eleitoral", indicou o comunicado, assinado pelo secretário-geral da Aladi, o argentino Carlos Alvarez, e pelo uruguaio Wilfredo Penco, coordenador geral da missão.
"A Unasul sempre foi testemunha de um amplo exercício de cidadania e liberdade por parte do povo venezuelano", acrescentou.
Em relação aos resultados eleitorais oficiais, "a Unasul declara - como sustentou desde sua instalação no país - que tais resultados devem ser respeitados por emanarem do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), única autoridade competente na questão segundo as disposições constitucionais e legais" da Venezuela.
"Qualquer reivindicação, questionamento ou procedimento extraordinário que solicite algum dos participantes do processo eleitoral, deverão ser canalizados e resolvidos dentro do ordenamento jurídico vigente", concluiu.
O candidato opositor Henrique Capriles afirmou nesta segunda-feira que o governista Nicolás Maduro é um "presidente ilegítimo", enquanto o Conselho Nacional Eleitoral não fizer a recontagem de votos das eleições que no domingo anunciaram o candidato chavista como vencedor por uma apertada margem.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Entenda a PEC 37



Não faltam bons argumentos contra a PEC 37

O projeto, conhecido como PEC da Impunidade, pretende tirar o poder de investigação criminal dos Ministérios Públicos Estaduais e Federal, modificando a Constituição Brasileira. Vale lembrar que os grandes escândalos sempre foram investigados e denunciados pelo Ministério Público, que deve atuar em defesa da cidadania de forma independente.

A PEC 37 atenta contra o regime democrático, a cidadania e o Estado de Direito e independente dos argumentos em favor, quem garante que ele não pode impedir também que outros órgãos realizem investigações, como a Receita Federal, a COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), o TCU (Tribunal de Contas da União), as CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito), entre outros? 

Penso que o problema no Brasil é que a PF e MP trabalham de uma forma que não deveria acontecer: cada um no seu espaço. Como funciona esse trabalho?  Os agentes fazem suas investigações, com responsabilidade. Logo em seguida os resultados são passados ou relatados em um inquérito por um delegado e aí enviadas para o procurador. 

Onde podemos encontrar uma falha? O risco de uma falta de comunicação sem qualquer comunicação prévia do que deveras aconteceu ou pode está acontecendo. Complicado? Creio que sim, mas pode ficar pior quando não acontecer nenhuma ou pouca comunicação futuramente.  Assim as coisas vão se amontoando para o próximo inquérito a ser relatado.

E a situação aqui no Rio Grande do Norte?

Moçada alguém lembra quem está fazendo linha dura contra corrupção, abusos cometidos por agentes do Estado aqui em Mossoró? Bingo. Se por ventura o PEC 37 for cravado de vez em nossa terrinha? Quem vai continuar? Bingo!! agora eu pergunto: alguém ainda tem dúvida? Quem pode realmente se dá bem com o PEC 37? Não faltam bons argumentos contra a PEC 37.




Por Claudio Castoriadis

segunda-feira, 8 de abril de 2013

V Fórum de Debates Sobre o Sistema Prisional Local de Mossoró-RN



A Coordenação do V Fórum de Debates Sobre o Sistema Prisional Local de Mossoró-RN, tem a honra de convidar Vossa Excelência para participar do próximo debate que tem como tema Investigação Criminal: Análise Constitucional e Prática do Poder de Investigação do Ministério Público e os Efeitos da PEC 37-A/2011 a ser realizado em data de 18 de abril de 2013, às 19 horas, no auditório do SESI Mossoró, sito à Rua Benjamin Constant, nº 65 - Doze Anos Mossoró.


O referido evento tem por objetivo conscientizar e mobilizar a opinião pública em torno da PEC 37-A/2011, a chamada “PEC da Impunidade”, que vigora na Câmara dos Deputados e retira do MP e de outros órgãos o poder investigatório, concedendo exclusividade às Polícias Federal e Civil.

A realização do mesmo, que conta com a presença de diversas autoridades, representantes da polícia judiciária e imprensa, agrega consigo outro fator de suma importância, uma ‘Ação Social’ cujas inscrições são 2kg de alimentos não perecíveis ‘por cada inscrito’, que serão doados para Instituições Beneficentes de Mossoró. 

Sem mais para o momento e aguardando o comparecimento pessoal de Vossa Excelência, que é sem dúvida do interesse de toda população mossoroense, aproveito o ensejo para renovar protestos de consideração e apreço.




Chrystiano Angelo Alves

Coord. do V Fórum de Debates Sobre o Sistema Prisional de Mossoró/RN



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quarta-feira, 3 de abril de 2013

A ópera Parsifal de Richard Wagner na voz do carismático tenor alemão Jonas Kaufmann.

A ópera Parsifal de Richard Wagner voltou na voz do carismático tenor alemão Jonas Kaufmann.

Parsifal, a última ópera do compositor alemão, desenvolve-se em redor do Santo Gral, conta uma história complexa e mistura elementos filosóficos, éticos e religiosos. Um drama místico que fala do “inocente herói de coração puro”. Como diz Jonas Kaufmann: “Se começarmos a mergulhar em todas essas camadas acabamos por nos incendiar. É algo fantástico e único, como uma viagem transcendental, uma experiência muito misteriosa.”

Vida própria

“Wagner é como fazer ioga – o auto controlo é tudo”, disse o maestro israelita Asher Fisch, que conduziu a orquestra nas últimas duas produções: “Em Parsifal, há que se aceitar, o ritmo interior da peça provém de uma tranquilidade completa. É como tentar baixar o pulso e a pressão sanguínea para fazer a música falar a língua certa, e é um processo muito difícil.”

Kaufmann acrescenta: “É uma experiência muito filosófica e faz-nos pensar no falhanço da humanidade, e no que poderia acontecer se o homem seguisse a ideia “de que o tonto, que nada sabe, acabará iluminado pela piedade e misericórdia que sente pelos outros”. Se formos por aí não haverá guerras, apenas paz, em toda a parte.”

O tenor alemão sublinha a natureza religiosa da ópera: “Houve pessoas que me disseram que esta ópera faz-nos voltar a perceber porque somos cristãos. Alguém na audiência disse à pessoa do lado que sentia muita inveja dos que eram critãos.”

“Alma” num Wagner não religioso

O maestro israelita recusa a teoria da conversão religiosa de Wagner: “Surpreende que Wagner, que não é uma pessoa religiosa, apresente-nos esta peça no final da sua vida, que parece completamente religiosa. Não aceito o facto de Wagner se ter tornado religioso; ele era uma pessoa muito crítica e penso que existe uma certa crítica contra a forma como a instituição religiosa utiliza, de forma tradicional, a religião.”

Mas Kaufmann prefere falar da música: “Ao fim de uma ou duas horas, todo o mundo cede e começa a verdadeiramente ouvir e concentrar-se, mais e mais, e é-se sugado pela música desta peça de Wagner. Demora o seu tempo, mas se isso acontecer, é algo único, algo que nunca se vai esquecer.” 



Sobre Jonas Kaufmann (Munique, 10 de julho, 1969 ) 

É um tenor lirico spinto, alemão. Kaufmann, depois de estudar matemática, completou seus estudos no conservatório de sua cidade natal em 1994. Tendo participado em "master classes" com James King, Hans Hotter e Josef Metternich. Começou a sua carreira profissional no Staatstheater de Saarbrücken em 1994e logo foi convidado a participar em importantes teatros, como a Ópera de Estugarda a Ópera Estatal de Hamburgo, bem como a estreia internacional na Ópera Lírica de Chicago, Ópera Nacional de Paris, no Teatro alla Scala de Milão e Bayerische Staatsoper de Munique. Fez a sua estréia no Festival de Salzburgo em 1999, numa nova produção de Doktor Faust de Busoni e regressou em 2003 como Belmonte na ópera O Rapto do Serralho de Mozart, e para o concerto da Nona Sinfonia de Beethoven com a Filarmônica de Berlim.




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Por Claudio Castoriadis
 

 

domingo, 31 de março de 2013

Violência contra homossexuais


Pense bem antes de abraçar um termo de pura insalubridade e falta de informação. pense bem antes de usar a palavra "ditadura" gay. 

 O Brasil sempre foi um lugar violento. Ainda mais quando se trata de um lugar onde o violento é sempre o outro. Nem mesmo um bom samba e um bom futebol é capaz de mascarar essa verdade.

Em 1997, o sociólogo baiano e fundador do Grupo Gay da Bahia, divulgou um triste relatório sobre a situação dos homossexuais no Brasil. Este trabalho, para nossa vergonha, teve repercussão internacional e revelou o Brasil como o país que mais desrespeita os direitos dos homossexuais em todo o mundo. Segundo Luiz Mott, a cada três dias, pelo menos um gay, travesti ou lésbica é brutalmente assassinado no país. Como não existe qualquer estatística oficial, os dados apresentados pelo GGB são a única fonte de informação capaz de nos fazer encarar esta realidade de frente: o Brasil é o campeão mundial de assassinatos de homossexuais. De acordo com as estatísticas do GGB, nos últimos 20 anos foram assassinados 1661 homossexuais, com uma média de 80 homossexuais por cada ano da década de 80, subindo esta estatística para 120 por cada ano da década de 90. Em dados mais recentes, levantados pelo Grupo Gay da Bahia, foram 116 assassinatos de homossexuais, só em 1998, dos quais 73 eram gays, 36 eram travestis e 07 eram lésbicas. Os travestis são, segundo o relatório, o grupo mais visado e vulnerável. O número total de travestis no Brasil está abaixo dos 10.000 indivíduos, ainda que gays e lésbicas excedam 15 milhões, 10% da população total. A maioria dos homens homossexuais foram assassinados dentro de suas próprias casas e apartamentos, enquanto que os travestis são mortos, principalmente, nas ruas. Muitos destes crimes são cometidos com requintes de crueldade, principalmente facadas, estrangulamento e tortura do indivíduo.



Por Claudio Castoriadis

sexta-feira, 29 de março de 2013

Desde que eclodiu a internet, muitas coisas boas foram possíveis assim como coisas sádicas se tornaram constantes nesse meio.




Gosto de observar bem as pessoas, a forma como as mesmas se mostram cada dia mais estranhas umas para outras. Não é de hoje que todos se pertencem a quem não se pertence. Quem me conhece, sabe de onde resgato minhas “palavrinhas” ou terminologia.

Esses dias andei pensando sobre o mundo das redes sociais. Negar o mesmo como um imenso caldeirão entrópico de ideias é um absurdo. Aqui é tudo diferente. Um tipo de lupa sobre o real? Sendo que no mundo virtual não existe controle nem economia de ideias.

Eu diria que somos “politicamente incorreto” quando tentamos ser corretos. E “Humanos demasiados” quando estraçalhamos um comportamento ético. Enfim, é muito diferente de tudo o que houve antes.

Pessoalmente, de forma bem peculiar, creio que desde que eclodiu a internet, muitas coisas boas foram possíveis assim como coisas sádicas se tornaram constantes nesse meio. Eu sou muito objetivo, sou deveras prático. Leio, vejo, posto algo semelhante ao meu gosto em respeito com os meus próximos. Tento ser  razoável com as ideias divergentes das minhas. Em relação as ideias diferentes ou estranhas eu sempre alerto para pessoas: muito cuidado quando for expressar sua ideia em público, pense bem antes. Não seja injusto com seu próximo. A recusa do diálogo e o uso de palavras intimidatórias já revelam uma postura “intolerante”, totalitária. Dito de outro modo, um tipo de fascismo. E outra, seja responsável pelo seu conhecimento. Uma coisa é criticar uma situação política outra bem diferente é denegrir a imagem de uma pessoa. É muito importante saber separar pessoas desinformadas  e aqueles que desinformam. Se os "desinformados" têm uma parcela de culpa em algo que você julga errado, sim, de um certo modo. Porém, é mais preciso atacar o formador de opinião, aquele que sabe bem o quer está fazendo.

Enquanto pessoas estão se massacrando, cegos guiando cegos, propagando o ódio sem medida. Eles, as elites, estão lá, tranquilos rindo dos seus feitos e conquistas. Um torturador não deseja apenas matar, ele goza com a dor, ele ama a morte chegando aos poucos em suas vítimas. Democracia, hoje em dia, pode até ser tudo que as pessoas falam, qualquer coisa. Mas, não se configura no contato com a  indiferença declarada.

Quando for postar algo, nem que seja por postar, apenas para provocar. Pensa na dignidade humana que é um valor intrínseco ao ser humano que vai além de espaço virtual. Pensa de forma honesta no direito constitucional a ser respeitado e um direito humano que tem como pressuposto o fato de que, por sermos humanos,  todas as pessoas devem ser tratadas com igual respeito.

Parafraseado o poeta Fernando pessoa : pense como quem pensa de verdade, não apenas como quem respira. Muito cuidado para não integrar um show de horrores. Quem ganha com a desordem democrática são aqueles que pregam uma ideologia da competência que institui a divisão social entre os competentes, que sabem e por isso mandam, e os incompetentes, que não sabem e por isso obedecem.



Por Claudio Castoriadis
Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

"Fake Plastic Trees" A propaganda "Carlinhos" "Down. A pior síndrome é a do preconceito"




Alguém lembra de um comercial que certamente apresentou uma banda britânica para muitos brasileiros? Se bem que ainda tem gente que nem faça ideia de quem sejam. Se você pensou na banda Radiohead parabéns, teve a oportunidade de ter visto uma propaganda  que se tornou um marco em nosso País.

Não posso ser injusto com a genialiade de uma das melhores bandas do mundo ao afirmar que o comercial foi o grande responsável pelo sucesso do Radiohead no Brasil, pois sabemos que não é verdade. E lembrando, a banda já tinha lançado três discos.

Eu chorei, chorava toda vez que a mesma passava e ainda hoje seguro minhas lágrimas. Para quem não sabe a propaganda "Carlinhos", como ficou marcada o comercial institucional da Fundação Síndrome de Down, ganhou uma proporção linda, poética. Tornou-se popular na década de 90 e é lembrada até hoje pela suavidade com que tratou o tema: "Down. A pior síndrome é a do preconceito". Criada pela agência DM9DDB em 1998, o filme tinha a música "Fake Plastic Trees", do banda britânica Radiohead, como trilha sonora.

O mérito do comercial se encontra na maneira como agregou em uma só ideia uma multipliciades de sentimentos, é emocionante. A música foi doada pela banda.

Ainda não conhecia? Eis a obra: conheça a história do Carlinhos juntamente com a música “Fake Plastic Trees”




Por Claudio Castoriadis

segunda-feira, 25 de março de 2013

Se os Tubarões Fossem Homens: texto ontológico do dramaturgo, poeta Bertolt Brecht.



Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a guela dos tubarões. Eles aprenderiam, por exemplo a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí. Aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos. Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos. Se encucaria nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência. Antes de tudo os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista. E denunciaria imediatamente os tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações 


Se os tubarões fossem homens, eles seriam mais gentís com os peixes pequenos. Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais. Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias cabíveis se por exemplo um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim de que não moressem antes do tempo. Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os tristonhos. 

Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre si a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros.As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que, entre os peixinhos e outros tubarões existem gigantescas diferenças. Eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro. Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos da outra língua silenciosos, seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói. 

Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte, haveria belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores e suas guelas seriam representadas como inocentes parques de recreio, nas quais se poderia brincar magnificamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as guelas dos tubarões.A música seria tão bela, tão bela, que os peixinhos sob seus acordes e a orquestra na frente, entrariam em massa para as guelas dos tubarões sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos. Também haveria uma religião ali. 

Se os tubarões fossem homens, eles ensinariam essa religião. E só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida. Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros. Os que fossem um pouquinho maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões, pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar. E os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiros da construção de caixas e assim por diante. Curto e grosso, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens. 

Veja também um vídeo com essa épica reflexão



Fonte

Bertolt Brecht em "Histórias do sr. Keuner" - Editora34, p.53



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