O estado crítico atual e sem
precedentes da nossa democracia de longe lembra uma possível harmonia dos três
poderes. A doença golpista deseja centralizar o poder político e mumificar
nossa autoestima emancipatória. O STF e o procurador-geral da República
descaradamente formam uma notória parte constitutiva da crise no sentido forte
da expressão - peçonha. O sistema não se encontra apenas exposto, mas também sem moral para gritar suas chagas.
Os cães estão latindo, é fogo
pra todos os lados. Uma ressalva se impõe de imediato: a presidenta Dilma
Rousseff completou metade de seu mandato com 78% de popularidade, adentrado
2013 com o desafio de conter a desaceleração da economia, pôr em prática o pacote
qualitativo na infraestrutura e logística sem perder de vista seu primordial
objetivo: ampliar o alcance dos programas sociais e tirar cerca de 6 milhões de
brasileiros da extrema pobreza.
No combate à pobreza os
números foram positivos em 2102, mas ainda restam 3,4% da população do país na
extrema pobreza, cerca de 6,5 milhões de brasileiros. Estudo do Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), lançado no fim de dezembro, mostrou que a
criação do Programa Brasil Carinhoso, um braço do Brasil sem Miséria voltado a
crianças de até seis anos, alcançou bons resultados na retirada de brasileiros
da faixa de extrema pobreza, principalmente nessa faixa etária. Por conseguinte, as novas formas de apartheid, a diferança social e as favelas findaram em ideias vazias.
As empreitadas monstruosas da
elite contra o governo vigente é um ato violento a que se deve resistir,
igualmente, com meios adequados e estratégicos. Os sinais da atual crise apontam para a necessidade
de repensar a qualidade dos nossos líderes, repensar quem está do lado de quem -
as aberrações e nuances dos meios de comunicação, os poderes monopolistas da mídia têm de ser abalados. Por essa razão, devemos acreditar
na prática de uma política limpa, emancipatória; uma explosiva combinação de diferentes
grupos que não foram seduzidos pelos encantos do PIG, grupos que não foram condenados
ao mundo generalizado da alienação, da imbecilidade e mercantilização das
relações sociais. Eu ainda acredito na presidenta Dilma Rousseff. Mesmo sabendo que a mesma vai enfrentar um ano delicado. Mas a recompensa será a oportunidade de uma mudança histórica para o futuro do País. Extrema pobreza: que esta não seja a tônica dominante em nosso sistema. Pobreza de informação, de caráter, espírito, sujeira reacionária dominante.
Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >
A
Pequena Vendedora de Fósforos, curta-metragem de animação, presenteia as almas
mais sensíveis baseado no conto de Hans Christian Andersen (1805-1875),
escritor e poeta dinamarquês. A Pequena Vendedora de Fósforos se trata de uma
breve e bela história sobre uma garota pobre que busca na venda de seus
fósforos um meio de sobrevivência. O diretor Roger Allers chegou a declarar que
quando criança, não conseguia chegar ao fim desse conto sem chorar. Hans Christian
Andersen, consagrado por obras primas dos contos infantis como O Soldadinho de
Chumbo (Publicado nesse blog) e A Pequena Sereia, teve mais uma de suas belas
histórias contada em forma de filme. O curta de aproximadamente 7 minutos é de
uma sutileza incomensurável.
A
Pequena Vendedora de Fósforos- Hans Christian Andersen (1805-1875)
Fazia um frio terrível; caía a
neve e estava quase escuro; a noite descia: a última noite do ano. Em meio ao
frio e à escuridão uma pobre menininha, de pés no chão e cabeça descoberta,
caminhava pelas ruas. Quando saiu de casa trazia chinelos; mas de nada
adiantavam, eram chinelos tão grandes para seus pequenos pézinhos, eram os
antigos chinelos de sua mãe. A menininha os perdera quando escorregara na
estrada, onde duas carruagens passaram terrivelmente depressa, sacolejando. Um
dos chinelos não mais foi encontrado, e um menino se apoderara do outro e
fugira correndo. Depois disso a menininha caminhou de pés nus - já vermelhos e
roxos de frio.
Dentro de um velho avental
carregava alguns fósforos, e um feixinho deles na mão. Ninguém lhe comprara
nenhum naquele dia, e ela não ganhara sequer um níquel. Tremendo de frio e
fome, lá ia quase de rastos a pobre menina, verdadeira imagem da miséria! Os
flocos de neve lhe cobriam os longos cabelos, que lhe caíam sobre o pescoço em
lindos cachos; mas agora ela não pensava nisso. Luzes brilhavam em todas as
janelas, e enchia o ar um delicioso cheiro de ganso assado, pois era véspera de
Ano-Novo.
Sim: nisso ela pensava!
Numa esquina formada por duas
casas, uma das quais avançava mais que a outra, a menininha ficou sentada;
levantara os pés, mas sentia um frio ainda maior. Não ousava voltar para casa
sem vender sequer um fósforo e, portanto sem levar um único tostão. O pai
naturalmente a espancaria e, além disso, em casa fazia frio, pois nada tinham
como abrigo, exceto um telhado onde o vento assobiava através das frinchas
maiores, tapadas com palha e trapos. Suas mãozinhas estavam duras de
frio.
Ah! bem que um fósforo lhe faria
bem, se ela pudesse tirar só um do embrulho, riscá-lo na parede e aquecer as
mãos à sua luz!
Tirou um: trec! O fósforo lançou
faíscas, acendeu-se. Era uma cálida chama luminosa; parecia uma vela pequenina
quando ela o abrigou na mão em concha...
Que luz maravilhosa!
Com aquela chama acesa a
menininha imaginava que estava sentada diante de um grande fogão polido, com
lustrosa base de cobre, assim como a coifa. Como o fogo ardia! Como era
confortável!
Mas a pequenina chama se apagou,
o fogão desapareceu, e ficaram-lhe na mão apenas os restos do fósforo queimado.
Riscou um segundo fósforo.
Ele ardeu, e quando a sua luz
caiu em cheio na parede ela se tornou transparente como um véu de gaze, e a
menininha pôde enxergar a sala do outro lado. Na mesa se estendia uma toalha
branca como a neve e sobre ela havia um brilhante serviço de jantar. O ganso
assado fumegava maravilhosamente, recheado de maçãs e ameixas pretas. Ainda
mais maravilhoso era ver o ganso saltar da travessa e sair bamboleando em sua
direção, com a faca e o garfo espetados no peito!
Então o fósforo se apagou,
deixando à sua frente apenas a parede áspera, úmida e fria.
Acendeu outro fósforo, e se viu
sentada debaixo de uma linda árvore de Natal. Era maior e mais enfeitada do que
a árvore que tinha visto pela porta de vidro do rico negociante. Milhares de
velas ardiam nos verdes ramos, e cartões coloridos, iguais aos que se vêem nas
papelarias, estavam voltados para ela. A menininha espichou a mão para os
cartões, mas nisso o fósforo apagou-se. As luzes do Natal subiam mais altas.
Ela as via como se fossem estrelas no céu: uma delas caiu, formando um longo
rastilho de fogo.
"Alguém está morrendo",
pensou a menininha, pois sua vovozinha, a única pessoa que amara e que agora
estava morta, lhe dissera que quando uma estrela cala, uma alma subia para
Deus.
Ela riscou outro fósforo na
parede; ele se acendeu e, à sua luz, a avozinha da menina apareceu clara e
luminosa, muito linda e terna.
- Vovó! - exclamou a criança.
- Oh! leva-me contigo!
Sei que desaparecerás quando o
fósforo se apagar!
Dissipar-te-ás, como as cálidas
chamas do fogo, a comida fumegante e a grande e maravilhosa árvore de Natal!
E rapidamente acendeu todo o
feixe de fósforos, pois queria reter diante da vista sua querida vovó. E os
fósforos brilhavam com tanto fulgor que iluminavam mais que a luz do dia. Sua
avó nunca lhe parecera grande e tão bela. Tornou a menininha nos braços, e ambas
voaram em luminosidade e alegria acima da terra, subindo cada vez mais alto
para onde não havia frio nem fome nem preocupações - subindo para Deus.
Mas na esquina das duas casas,
encostada na parede, ficou sentada a pobre menininha de rosadas faces e boca sorridente,
que a morte enregelara na derradeira noite do ano velho.
O sol do novo ano se levantou
sobre um pequeno cadáver.
A criança lá ficou, paralisada,
um feixe inteiro de fósforos queimados. - Queria aquecer-se - diziam os
passantes. Porém, ninguém imaginava como era belo o que estavam vendo, nem a
glória para onde ela se fora com a avó e a felicidade que sentia no dia do
AnoNovo.
Mundo gira gira mundo na praça, o sujismundo. Gira mundo cão cão gira mundo gira mundo mundo gira o tempo gira o homem gira o carro gira o mundo gira Tudo gira A família passa as revoluções passam o tempo passa Tudo passa mas os incautos não percebem que a vida também passa.
Nada mais cretino e mais
cretinizante do que a paixão política. É a única paixão sem grandeza, a única
que é capaz de imbecilizar o homem. (Nelson Rodrigues).
Dando continuidade em
minhas críticas aos bastardos intelectuais da ditadura encontrei essa pérola teatral
do "Grande" Nelson Rodrigues.Paixão sem grandeza? Talvez tenha sido por medo dessa paixão que ele
teve uma postura política cretina? Sim, creio que todos devem saber qual foi o
lado que o mesmo adotou na época da ditadura? Defendia publicamente a ditadura
militar instalada no Brasil em 1964 e se rotulava "o único reacionário
assumido do País".Suas crônicas
eram vistas como um apelo para que a polícia prendesse jornalistas. Gritava com
a mesma falta de vergonha das putas retratadas em seus textos dedurando colegas
e profissionais da classe.
“Sabemos que o brasileiro é o
único povo que faz piada. Se não temos um vampiro, estejam certos: é a piada
que torna inviável qualquer Drácula brasileiro. No fundo, no fundo, a piada é
um gesto de amor. É ou era. Mas os tempos passam e os usos, costumes, valores,
sentimentos vão mudando”. Comparando os humoristas da velha geração com as
críticas esquerdistas de seu tempo, finaliza: “Há muitos anos que não
acho graça nos humoristas brasileiros. Mas sempre achei que o defeito era meu.
(Nelson Rodrigues) Enfim, um intelectual reacionário panfletário - claro que é uma piada.