terça-feira, 16 de outubro de 2012

“O palhaço” de Selton Mellor vai representar o Brasil no Oscar 2013



Sabe aquele tipo de sentimento que se volta sobre si mesmo causando um estandalhaço em nossa alma? Como todo sentimento que desperta os mais indizíveis anseios acerca da vida? E Ao final dos devaneios filosóficos acerca da existência e sua utilidade adentramos em uma esfera mágica de pura intuição de conforto, afinidade de olhar e desejo. Sentimento que proseamos e rimos. Parece exagero, mais esse é o sentimento que arrebata os amantes da sétima arte. Cá entre nós- não poderíamos esperar menos de um longa cuja direção tem o carismático Selton mellor. 

“O Palhaço” conta a história vivida pelo palhaço Benjamin (Selton Mello) e seu pai Valdemar (Paulo José) num circo mambembe durante os anos 70. Marcado por uma crise declarada, seja como aspiração ou incompatibilidade entre pessoas, tomando a forma de estranheza diante das coisas, de embate dos sentimentos ou de consciência culposa, rusumindo temos um personagem em processo de ruptura com o mundo. Descontente com a vida, Benjamin, então, decide viver como um funcionário comum e isto afeta todos ao seu redor e a dele própria. Posteriormente, triste, cai na real e vê que ser palhaço é a única coisa que pode fazer e que faz as pessoas rirem espontaneamente. Venha se emocionar com esta trama de um palhaço depressivo, uma trupe patética  com referências ao humor que  beira o cartunesco de Wes Anderson. 

Em entrevistas, Selton Mello diz que este seu segundo longa-metragem como diretor, depois de Feliz Natal, não tem nada de autobiográfico. O ponto de partida, porém, foi a crise criativa que tomou o ator em 2009 - o artista que se questiona no filme e que vai atrás da sua identidade (literalmente, já que Benjamin tem só uma certidão de nascimento caindo aos pedaços) seria uma forma de encarar e curar essa crise.

O filme "Dois Coelhos", de Afonso Poyart, recebeu o prêmio de melhor longa-metragem de ficção no Festival de Cinema Brasileiro em Toronto, que aconteceu entre os dias 11 e 14 de outubro. Trinta e seis filmes produzidos nos últimos dois anos participaram da mostra competitiva.

Selton Mello ganhou o prêmio de melhor ator por sua atuação em "O Palhaço", escolhido para representar o Brasil no Oscar 2013. O filme foi selecionado para representar o Brasil na disputa por uma vaga na categoria melhor filme estrangeiro do Oscar 2013. O segundo longa de Selton Mello na direção reforça seu talento e comprova a delicadeza na condução da história e no trabalho com os atores o que nem sempre - ou deveria dize, não é uma tarefa fácil. A Trama do palhaço depressivo foi anunciado entre os 16 inscritos pela Comissão Especial de Seleção do Ministério da Cultura em reunião realizada nesta quinta-feira no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro. 



Por Claudio Castoriadis.



Fontes

http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Palha%C3%A7o
Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

domingo, 14 de outubro de 2012

Cachalote : Conflitos existenciais em HQ


Acima você vê o teaser animado feito pelo Estúdio Birdo para a graphic novel Cachalote, de Rafael Coutinho e Daniel Galera



Lançada em 2010 pela Companhia das Letras , Cachalote, uma das mais celebradas graphic novels brasileiras dos últimos tempos demorou quase dois anos para ficar pronto, uma obra de arte esculpida em um jogo de imagens e palavras  resultado da união entre o autor e o ilustrador Rafael Coutinho juntamente com e Daniel Galera. O lançamento traz seis histórias que acontecem em paralelo, mas aparentemente unidas pelo misterioso navegar de um cachalote, a maior das baleias com dentes. Em um tom trágico, o gibi é marcado por personagens solitários amargurados por confrontos existenciais. Como a de um ator decadente e a de um garoto mimado, e a para consagrar a trama medonha: uma velha mulher, grávida e solitária, que vaga por sua mansão onde tem encontros com uma baleia na piscina. “Procurei trabalhar o subtexto das tramas de Cachalote como se fossem contos, insinuando os principais conflitos e emoções dos personagens por trás do que está explícito e dando chaves para que o leitor possa acessar essas camadas mais profundas”, conta Daniel Galera. “Muitos aspectos narrativos do livro são análogos ao que busco alcançar quando escrevo prosa.” Certamente um dos grandes nomes da nova geração de escritores nacionais.  


Por Claudio Castoriadis
Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

sábado, 13 de outubro de 2012

Miguel Reale: Teoria Tridimensional do Direito



Miguel Reale é certamente a figura mais respeitada do meio jusfilosófico nacional. Com sua síntese humanista, nobre e elegante da filosofia do direito, Miguel Reale é uma insubstituível personalidade intelectual. Ousada, a visão filosófica de Miguel Reale é uma culminação de uma poderosa coragem intelectual, de uma desvastadora inteligência, que alimenta, sem discrepância, a capacidade sintetizadora -nomotética- de um gênio destinado a somar, sem meio-termo simplificador, a multiplicidade da experiência acerca da realidade. Quem nunca ouviu falar da sua intrigante Teoria Tridimensional do Direito que ganhou destaque não apenas no Brasil, como também em todo o mundo? Principalmente na América Latina. Sua tese de que o Direito possui tríplice face – o fato, o valor e a norma – chegou a ser uma constante entre os intelectuais da área jurídica, que na verdade mal compreendiam a grandeza das nuances da sua filosofia. A Teoria Tridimensional de Miguel Reale, na verdade, é uma teoria onto-axio-gnosiológica do ser jurídico. Como assim? Ora, na Teoria Tridimensional do Direito há uma dimensão ontológica, pela qual Reale pensa o ser jurídico, há uma dimensão axiológica, pela qual Reale demonstra que a essência do fenômeno jurídico é sempre e necessariamente valorativa e, portanto, interpretativa. Por fim, há uma dimensão gnosiológica, que representa a esfera normativa, isto é, a forma próprio de conhecimento do ser jurídico, que é a realidade normativa.


Constata-se, com isso, que a Teoria Tridimensional do Direito insere-se no âmbito do culturalismo jurídico. Mas o que foi o culturalismo jurídico?  O culturalismo jurídico foi uma corrente que, de certa forma, nasceu com o pensamento kantiano. Kant, em sua obra Kritik der Sitten, havia observado que "A produção, em um ser racional, da capacidade de escolher os próprios fins em geral e, consequentemente, de ser livre, deve-se à cultura." Nesse contexto podemos compreender a cultura como sendo o resultado das realizações do homem sobre o mundo natural, visando a fins especificamente humanos. Dito de outra forma, a projeção do espírito humano sobre o mundo natural ao longo da História.  
 

Negar a influência do filósofo kant  no pensamento jurídico-filosófico de Miguel Reale seria um abuso para um pensamento que foi estruturado simetricamente. Porém, o culturalismo jurídico de Reale se difere do filósofo alemão a partir do momento que ganha uma nova guinada, em sua forma final, uma teoria da justiça e do Direito, em diversos aspectos, distinto do pensamento kantiano- criticismo- e que alcançou um sentido e um significado próprio extremamente original no Brasil, representado pela tão conhecida Teoria Tridimensional do Direito.


Realmente, o culturalismo jurídico de Reale assumiu proporções de uma verdadeira teoria da justiça e do Direito, com fundamentos epistemológicos e axiológicos próprios, e é esse o alcance prático e teórico da Teoria Tridimensional do Direito até hoje pouco estudado em nosso meio jurídico e acadêmico. Arte final de um pensamento pluralista, a Teoria Tridimensional de Miguel Reale é a principal manifestação do culturalismo jurídico do mesmo. Com isso, a Teoria Tridimensional do Direito insere-se no âmbito do Culturalismo Jurídico. Não obstante, podemos reconhecer que o autor dá primazia ao caráter histórico, visto que a cultura se encontra atrelada no devir histórico, e o direito, como objeto cultural, nasce nesse contexto, donde se pode afirmar que o mesmo se fez presente tantas vezes e em quaisquer sociedades que o estabelecera, seja para determinar condutas, seja para apaziguar conflitos. O Direito segundo o pensamento do Reale não é apenas a norma ou a letra da lei, vai além do discurso formal, pois é muito mais do que a mera vontade do Estado ou do povo, é o reflexo de um ambiente cultural de determinado lugar e época, em que os três aspectos – fático, axiológico e normativo – se entrelaçam e se influenciam mutuamente numa relação dialética na estrutura histórica.



Sobre o autor



Miguel Reale formou-se em Direito pela Universidade de São Paulo em 1934, ano em que publicou seu primeiro livro, "O Estado Moderno". Nessa ocasião, foi um dos dirigentes da Ação Integralista Brasileira. A bibliografia de Miguel Reale compreende obras de filosofia, filosofia jurídica, teoria geral do direito, teoria geral do Estado, além de monografias e estudos em quase todos os ramos do direito público e privado, e até poesia. Entre outras, podem-se destacar "Filosofia do Direito" (1953); "Pluralismo e Liberdade" (1963); "Teoria Tridimensional do Direito" (1968); "Experiência e Cultura" (1977); "A Filosofia na Obra de Machado de Assis" (1982); "De Tancredo a Collor" (1992); "Face Oculta de Euclides de Cunha" (1993) e "Paradigmas da Cultura Contemporânea" (1996). 



Por Claudio Castoriadis



Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis
é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

Pierre Bourdieu : O erro de Marx



Certos autores insistiram no fato de que o Parlamento, particularmente o Parlamento inglês, é uma invenção histórica, o que, se refletirmos bem, não tem nada de evidente: é um lugar onde as lutas entre os grupos, os grupos de interesses, as classes, se preferirmos, vão se dar segundo as regras do jogo que faz com que todos os conflitos externos a essas lutas tenham algo de semicriminoso.


A propósito dessa “parlamentarização” da vida política, Marx fazia uma analogia com o teatro: ele via no Parlamento e no parlamentarismo uma espécie de engodo coletivo no qual os cidadãos se deixam lograr; essa espécie de teatro de sombras ocultaria de fato as verdadeiras lutas que estão do lado fora.


Penso que é o erro sistemático de Marx. Já disse isso cem vezes aqui, é sempre o mesmo princípio. A crítica marxista, que não é falsa, torna-se falsa quando esquece de integrar na teoria aquilo contra o qual a teoria é construída.


Não haveria razão de dizer que o Parlamento é um teatro de sombras se as pessoas não acreditassem que ele é algo diferente. E ele não teria nenhum mérito de dizer isso.


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

István Mészáros: A Obra de Sartre – Busca da Liberdade e Desafio da História



CAIO LIUDVIK


Ao lado de Slavoj Zizek e Alain Badiou, o húngaro István Mészáros talvez seja o maior nome do pensamento de esquerda hoje. Só isso bastaria para tornar qualquer livro novo dele uma atração em si. E o que dizer quando este livro é sobre um nome como Jean-Paul Sartre, um dos ícones da filosofia do século 20 e encarnação suprema da figura do intelectual engajado nas lutas emancipatórias dos pobres, das minorias, dos povos colonizados, do Terceiro Mundo?

A Obra de Sartre – Busca da Liberdade e Desafio da História (Ed. Boitempo, trad. Rogério Bettoni e Lólio Lourenço de Oliveira, 332 págs., R$ 54) não é uma mera reedição, mas sim uma versão revista e consideravelmente ampliada do livro originalmente publicado por Mészáros em 1979, pouco antes da morte do próprio Sartre (1905-1980).

Slavoj Zizek: O Amor Impiedoso (ou: Sobre a Crença)


O filósofo esloveno contraria o prognóstico freudiano segundo o qual a crença religiosa sucumbiria diante do progresso da razão tecnocientífica. Zizek defende que as crenças estão enraizadas e analisa este fenômeno em uma sociedade sem Deus.


O Amor Impiedoso (ou: Sobre a Crença)
Slavoj Zizek
Trad.: Lucas Mello Carvalho Ribeiro
Autêntica

http://revistacult.uol.com.br/home/2012/10/slavoj-zizek-e-a-fe/

A MISSA DAS SOMBRAS



Anatole France

Eis o que o sacristão da igreja de Santa Eulália, em Neuville-d'Aumont, me contou debaixo da latada do Cavalo-Branco, numa bela noite de verão, bebendo uma garrafa de velho vinho, à saúde de um morto muito abastado, que ele havia enterrado honrosamente naquela manhã mesma, sob um tecido cheio de belas lágrimas de prata. Meu finado e pobre pai (quem fala é o sacristão) foi, em vida, coveiro. Era de humor agradável, e isso sem dúvida decorria de sua profissão, porque se tem reparado que as pessoas que trabalham nos cemitérios possuem espírito jovial. A morte não os atemoriza absolutamente; jamais se preocupam com ela. Eu, que lhe estou falando, senhor, penetro num cemitério, à noite, tão serenamente quanto no caramanchão do Cavalo-Branco. E se, por acaso, encontro um espectro, não me inquieto absolutamente com isso, porque reflito que ele pode perfeitamente ir cuidar de seus negócios, da mesma forma que eu dos meus. Conheço os hábitos dos mortos e seu caráter. Sei a tal respeito coisas que os próprios sacerdotes ignoram. E o senhor ficaria surpreso se lhe contasse tudo que tenho visto. Mas, nem todas as verdades são próprias para serem contadas, e meu pai, que, todavia, gostava de narrar histórias, não revelou a vigésima parte do que sabia.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Indústria Cultural : A burocratização da sociedade


O pensamento da escola de Frankfurt tem sido identificado de modo excessivamente superficial com o de Marcuse, que sem dúvida é o mais conhecido, mas nem por isso o mais representativo dos estudiosos que, dos anos ao redor de 1930 em diante, se reuniram no “Instituto para Pesquisa Social” de Frankfurt. Pode-se considerar que a história da escola de Frankfurt coincide, em grande parte, com a Biografia intelectual de Horkheime, animador incansável e primeiro inspirador do grupo de intelectuais que se reúnem ao redor dele. Um dos teóricos  do “Instituto Para Pesquisa Social” Theodor Adorno, possui uma produção relevante nesta temática, mas nesse contexto não podemos deixar de citar Walter Benjamin que produz reflexões sobre a técnica de reprodução da obra de arte, no caso particular, o cinema, compreendendo os resultados sociais e políticos dessa massificação ganhando uma dimensão social mais ampliada. O que Adorno estabelecerá como indústria cultural.

A indústria cultural pode ser definida como o conjunto de meios de comunicação como, o cinema, o rádio, a televisão, os jornais e as revistas, que formam um sistema poderoso para gerar lucros e por serem mais acessíveis às massas, exercem um tipo de alienação e controle social, ou seja, ela não só edifica a mercantilização da cultura, como também é legitimada pela demanda desses produtos. O grande problema da indústria cultural implica justamente na forma como esses produtos passaram por uma hierarquização quanto à qualidade, no sentido de privilegiar uma quantificação dos procedimentos da indústria cultural, não há uma preocupação exata com seu conteúdo, mas com o registro estatístico dos consumidores.

A sociedade industrial seria um desdobramento social daquilo que se chamou de Revolução Industrial, aplicado principalmente às transformações ocorridas na Inglaterra durante o período de 1760-1869. É importante lembrar que quando se fala em indústria nesse contexto, não estamos mais nos referindo ao seu sentido original de habilidade, perseverança e diligência, mas num conjunto de empresas fabris, produtivas e frenéticas, ou seja, nesse sentido a indústria passa de habilidade individual para uma instituição social que permeia todo o tecido da sociedade alienada.  Temos então uma sociedade totalmente subordinada pela técnica- A técnica passa a ser a nova estrutura ideológica e instrumento de dominação em massa.
 
A burocratização da sociedade indústrial é provocada pelo desenvolvimento do modo de produção capitalista que aumenta o abuso da intervenção estatal, expande o setor de serviços, desenvolve a “sociedade civil organizada” e expande o domínio burocrático nas empresas privadas devido ao processo de oligopolização da economia. Portanto, a competição social, a mercantilização e a burocratização das relações sociais são os elementos constitutivos da sociedade industrial capitalista. Tudo é condicionado à economia mediante uma produção industrial que condena a degradação do papel filosófico-existencial da cultura.  Enfim, é necessário compreender e manter uma postura  que seja crítica e analítica desse processo de massificação. Pensar esse sistema indústrial vigente na cultura é antes de tudo, tomar como problemática  a gama de problemas culturais vividos no século XX. Devemos rejeitar esse tipo de mistificação ideológica que torna o sujeito cativo em uma sociedade que caminha paulatinamente para uma catástrofe do tipo humano. Ou, como notou o escritor Arthur Feldmann, o preço que usualmente pagamos para sobreviver é a própria vida



Por Claudio Castoriadis
Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

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