terça-feira, 13 de março de 2012

A moda nossa de cada dia.

Uma temática que penso ser bastante relevante para o comportamento humano é a questão da moda. Pensar uma tendência que a cada dia ganha mais seu espaço em nosso cotidiano deveria ter mais relevância no mundo intelectual. De uma abordagem artificial seria mais sensato que tal fenômeno fosse trabalhado com bastante cuidado: no momento mesmo em que a moda não cessa de ganhar importante espaço em nosso meio social, não cessa de acelerar sua legislação fugidia, de invadir novas esferas, ganhar novos horizontes, de arrebatar em seu contexto todas as camadas sociais, todos os grupos de idade, deixa impassíveis aqueles que têm vocação de elucidar as forças e o seu encanto no funcionamento das sociedades modernas. Como se fosse uma paisagem, a moda é celebrada no museu, a moda nossa de cada dia é relegada à antecâmara das preocupações intelectuais reais; não podemos negar que a mesma está por toda parte na rua, na indústria e na mídia, porém quase não aparece de forma detalhada nos grandes pensamentos teóricos das cabeças pensantes. Esfera tipicamente artificial, por assim dizer, e socialmente inferior, não merece a investigação problemática; questão superficial que desencoraja a abordagem conceitual; a moda suscita o reflexo crítico antes de estudo objetivo, é evocada principalmente para ser fastigada, para marcar sua distância, para deplorar o embotamento dos homens e o vício dos negócios: a moda é sempre os outros. Com isso, o que nos resta na maioria das vezes são, breves resenhas, crônicas jornalísticas, subdesenvolvidos em matéria de compreensão histórica e social do fenômeno. Ora, a moda com um certo grau de raciocínio segue uma linha  existencialista, pode ser pensada como sendo a maneira de vestir-se e comportar-se, não importa os limites e convenções sociais, o sujeito sempre afirma sua identidade mediante uma moda, e para isso a escolha de um estilo de vida e estética é imprescindível. Mediante essas considerações como não pensar a moda como um meio de exercer a liberdade, sempre inventando, criando e recriando?

Por Claudio Castoriadis

quinta-feira, 8 de março de 2012

Fernanda Montenegro e Simone de Beauvoir




Em Viver sem tempos mortos, Fernanda Montenegro dá voz aos pensamentos de Simone de Beauvoir (1908-1986), escritora e pensadora francesa que foi ícone da liberdade feminina. A encenação – como Fernanda gosta de chamar, por ser menos pretensioso do que uma peça – faz parte do projeto Caminhos da Liberdade, que inclui palestras e exibição de documentário sobre a escritora. Ao Mulher 7×7, a atriz explica por que voltou à obra de Simone de Beauvoir e diz que Irmã Dulce é a brasileira que lembra o legado da libertária francesa.
                             
Como a senhora define esse novo projeto sobre Simone de Beauvoir?
Fernanda Montenegro - Ele não é nem uma peça. É uma encenação. Eu diria que é quase o porta-voz de uma escrita, de um pensamento, da vivência de uma mulher que tem uma obra inesgotável.

A senhora leu Simone de Beauvoir na juventude, durante a ascensão do movimento feminista. Como foi voltar a ter contato com sua obra?
Fernanda - Foi uma espécie de volta à extrema mocidade. Nessa releitura, vi que ela é fantástica. Um ser que se usou como instrumento de sua teoria. Fez de seu sentimento e de sua busca pela liberdade o próprio campo experimental. E isso custa contestação e rejeição que, de certa forma, duram até hoje. Se o mundo ousasse tudo o que ela ousou, ela não sofreria tanto preconceito, especialmente na terra dela, a França. É uma mulher muito interessante e forte em suas convicções.

Naquele início de 50, quando a li pela primeira vez, foi uma descoberta ter uma visão racional como a dela do que era ser mulher. A história sempre teve mulheres que fizeram sua vida na liberdade. Mas o que ela fez foi sistematizar a visão do que é o ser feminino. E foi interessante ver que nós podemos ser o que nós somos. Temos o direito de buscar o que queremos. Talvez um pouco antes dessa época a mulher, para cortar o cabelo, precisava da autorização do homem. Não por causa de fetiches eróticos, mas porque precisava da permissão de um senhor. Depois da guerra, nos anos 50, isso já tinha diminuído, mas acho que existe até hoje, mesmo que envergonhado.

Como a senhora vê a evolução da condição da mulher pelas últimas décadas?
Fernanda - Não sou uma especialista em feminismo, não sou antropóloga ou socióloga. Mas as coisas avançaram muito. O homem hoje está assustado. Por “n” razões que a gente ficaria aqui um dia inteiro jogando na mesa, mas basicamente porque as mulheres vieram também para a vida fora do lar. Vieram para o convívio “do perigo”. Saíram da gaiola, do domínio absoluto do espaço doméstico.

A senhora já sofreu com o machismo?
Fernanda - Vou lhe dizer uma coisa: a nossa profissão, o teatro, é libertária. Hoje, talvez, as pessoas confundam teatro com televisão e, pensam que, você indo para a televisão, você é um artista, um ator. Mas, nos velhos tempos, era uma audácia vir para esse campo. O teatro sempre teve isso. Se ao lado de um ator de enorme talento tiver uma atriz de enorme talento, eles são iguais. O teatro sempre foi um campo muito liberto. Não havia isso de se submeter, da relação de dono e domado.

Por que Simone de Beauvoir?
Fernanda - Porque calhou. Foi o acaso. Um dos conceitos do existencialismo é que a última palavra é sempre do acaso. Sérgio Britto, meu querido amigo, propôs fazermos Simone e Sartre. Por “n” caminhos, ele seguiu com seu espetáculo Beckett, que é um extraordinário sucesso, e fiquei com a bagagem de Simone, com quem já estava envolvida há um ano. E, com a produtora Carmen Mello, fizemos esse projeto cultural e educacional confiantes, embora muitos achem um absurdo levar Simone de Beauvoir pela periferia. Tem gente que acha que algo mais do que o elementar não vai ter ressonância, credibilidade, interesse. Mas nós fomos bem recebidos em seis cidades da Baixada Fluminense e da Serra fazendo apresentações de graça ou com um preço muito acessível, de R$ 2 e R$ 4.

A senhora pode explicar o significado do título da encenação, Viver sem tempos mortos?
Fernanda - É um dos slogans da revolução de 1968, da revolução dos jovens. E Simone de Beauvoir, em certo momento, disse que viveu dessa maneira. Achamos que era um título interessante para a encenação dirigida pelo Felipe Hirsch. Era a compilação de uma compilação. Ele leu, achou que poderia dar uma coisa viva e radicalizou. Fez uma encenação muito clean, minimalista. É mais um porta-voz do que um dó-de-peito. Não se pretende imitar trejeitos ou exibir. É muito simples. Nunca fiz nada tão minimalista.

Como vocês chegaram a esse formato?
Fernanda - Esperei que ele chegasse. Acredito muito na palavra, na força do pensamento explicitado. Não acho que teatro deva ser só isso. Mas há uma escrita que pode não ser de dramaturgia mas pode ser adaptada e elaborada para o teatro e ter sua força. Quanto menos a gente mexer e se mexer e se exibir, melhor. Porque o pensamento já é tão forte, o sentimento já é tão forte… Eu esperei que ele, diretor e encenador, chegasse a isso. Cada vez que ele limpava o cenário, eu ficava mais feliz. Dentro da minha alma, dizia: “É isso mesmo”. Quando finalmente ele tirou tudo, achei: “Ah, que bom, que maravilha!”

O que devemos aprender com Simone de Beauvoir hoje?
Fernanda – O sentido da liberdade. E ser livre é difícil. Ela mesma diz: “ser livre é assustador”. O que é, no fundo, a liberdade absoluta? Em que isso se mistura com necessidade neurótica com isolamento?

É possível comparar sua relação com Fernando Torres com a relação de Simone de Beauvoir com Jean-Paul Sartre?
Fernanda - São vidas completamente diferentes. O que talvez tenhamos em comum é aceitar a liberdade e os caminhos da liberdade, que podem ser muitos também. Não existe só o caminho dela ou o do Sartre.

A senhora conversou sobre feminismo ou sobre Simone com sua filha (a atriz Fernanda Torres)?
Fernanda - Não, isso nunca foi uma questão. Lá em casa não se viveu e nem se vive esse problema. Somos mulheres peitudas desde avós, de bisavós. Os homens têm que ter coragem para se meter com a gente, somos de uma boa safra.

Como a senhora gostaria que as pessoas vissem seu novo trabalho?
Fernanda - Como uma ponte de sensibilização. Ele não tem nenhum gancho para pegar a plateia. Ela que tem que entrar. A encenação não tem nenhum golpe cênico, nenhum ruído que o acorde na cadeira. Foi onde pudemos chegar com esse material tão inquietante sem esgotar o assunto. É o arranhar de uma temática imensa.

E qual foi a reação das pessoas diante de Simone?
Fernanda - As mais variadas, inclusive confissões. Ouvi, por exemplo, de uma mulher: “Tenho três filhos de pais diferentes e não sinto falta deles. Crio todos sozinha. Portanto, tenho uma vida livre.” Um senhor disse: “Mas se ela tinha orgasmo completo com esse amante, como largou esse homem para ficar com outro que não lhe dava o famoso orgasmo completo”? Outros dizem assim: “Ela fala tanto em liberdade mas era submissa a ele! Era entregue a ele, não conseguia se livrar dele”. Vem o discurso da vida, não o acadêmico ou o das discussões filosóficas. Queríamos dar algo mais do que uma coisa eletrônica do que um rádio ou uma televisão: queríamos a comunicação humana direta. E aproveitamos para “dessacralizar” essa coisa do artista. Parece que você não tem cárie no dente, caspa, dor de barriga, calo, isso para não dizer coisas mais escatológicas.

Existe uma brasileira comparável a Simone?
Fernanda - Vou dizer um absurdo. Mas, é verdade: irmã Dulce. A baianinha de família rica que resolve ir para o convento contra tudo e contra todos e faz o trabalho social que ela fez, de porta em porta. É um exemplo extraordinário. Não porque entrou numa igreja, numa religião, mas pela liberdade de ir contra tudo e contra todos e fazer uma obra social enorme. Porque a liberdade pode ser ter muitos parceiros ou ter parceiro nenhum. O que significa a liberdade? Uma vez, vi uma entrevista quando estava em Paris. Era um programa sobre liberdade. Estavam entrevistando diversas pessoas. O jornalista foi a um convento das carmelitas e entrevistou uma freira que estava atrás de uma porta. Ele não via a mulher e nem ela o via. E ela falando de liberdade. E ele disse: “Mas a senhora está falando de liberdade atrás de uma porta, de onde a senhora não tem nem permissão de me ver! Como a senhora explica isso?”. Ela respondeu: “Liberdade, para mim, é um ser humano estar onde ele deseja estar.”


Por: Letícia Sorg, repórter especial de ÉPOCA em São Paulo.



sábado, 3 de março de 2012

uma lembrança amiga.



hoje eu acordei pop
comendo lixo entre os bichos
sendo falado em outras línguas
 podre de chique

um miserável contemporâneo 


Sem espaço, apenas tempo, assim clama meu abismo, náusea, delírios, silêncio-  um ridículo desapontado por sua criação aviltada.

Um desespero, sutil, leve como uma brisa matinal, o trágico me cai bem, tudo tão grosseiro e intencional - encontro prazer na prole pervertida.

Eu sou uma propaganda dissimilada em um muro que resplende, eu sou puro improviso, um fundamento desagradável.

Dentro de um livro almas sapientes, dentro do meu quarto um fulgor faiscante, entre as paredes... Uma lembrança vadia. 






Por Claudio Castoriadis

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Literatura e Cultura: Joseph Frank


Joseph Frank é autor de muitos livros, considerado uma das maiores autoridades mundiais em Dostoievski lembrando a todos os seus leitores que as ideias e as consciências dos personagens de Dostoievski são autônomas, não podendo ser levadas a um denominador ideológico comum por esse motivo e vários outros intrigantes o mestre Russo seria influência na literatura mundial. O rigor textual de Frank é um traço de seu percurso, não o impede de enxergar na obra de um autor como Dostoiévski conteúdos que só podem ser amplamente compreendidos em seu contexto de origem. Vem daí a ambivalência do título e da própria metodologia de Frank. O mesmo crítico que afirma que, se quisermos fazer justiça ao romancista, devemos esquecer as questões ideológicas e os problemas sociopolíticos em que estão envolvidas suas principais personagens.


Só para constar a importância do Dostoievski, suas ideias influenciaram autores de peso como Lev Shestov, Nietzsche, Heidegger e o Francês Sartre. Frank é dono de uma biografia impecável sobre o romancista russo, Entre os quais se destacam: "Dostoiévski - As Sementes da Revolta (1821-1849)"; "Dostoiévski - Os Anos de Provação (1850-1859)"; "Dostoiévski - Os Efeitos da Libertação (1860-1865)"; "Dostoiévski - Os Anos Milagrosos (1865-1871)"; "Pelo Prisma Russo - Ensaios sobre Literatura e Cultura”, "Dostoiévski - O Manto do Profeta (1871-1881)" todos publicados pela Edusp. O emérito do professor escreveu também “Pelo prisma russo: ensaios sobre literatura e cultura”. Lembrando também que em sua trajetória intelectual escreveu dezenas de outras obras. Com o devido reconhecimento recebeu o título de doutor Honoris causa pelas universidades de Chicago, Adelfhi, Northwestem e Sorborne.

O diário de um escritor


Leia abaixo a descrição que Joseph Frank faz do Diário de um Escritor, publicação com artigos integralmente redigidos por Dostoiévski e publicados de modo irregular de 1873 até 1881, ano de sua morte.


O Diário de um Escritor é uma mistura tão grande de material disparatado que fica difícil dar uma noção sofrível de seu conteúdo. As ideias propriamente ditas do Diário já eram conhecidas desde a atividade jornalística anterior do autor, bem como desde os vôos ideológicos de seus romances. No entanto, receberam uma nova vida e uma nova cor graças ao constante desfile de exemplos e ilustrações mais recentes, extraídos de sua onívora leitura da imprensa corrente, de seu amplo conhecimento da história e da literatura tanto russa quanto europeia e, muito frequentemente, dos fatos de sua própria vida. Essas revelações autobiográficas foram, certamente, um dos principais atrativos do Diário e contribuíram enormemente para seu encanto; os leitores sentiam que estavam realmente sendo admitidos na intimidade de um de seus grandes homens. Esse constante intercurso entre o pessoal e o público – a incessante mudança de nível entre os problemas sociais do momento, as ‘questões malditas’ que sempre infectaram a vida humana, e as espiadas nos recessos da vida particular e na sensibilidade de Dostoiévski – revelou-se uma combinação irresistível que deu ao Diário seu cunho literário único.


Além do mais, o Diário serviu de estímulo não só para os contos e esquetes já mencionados, mas também, como o autor já antecipara desde o início, para o grande romance que planejava escrever. Vez por outra aparecem motivos que logo serão utilizados n’Os Irmãos Karamázov; e um dos fascínios desse vasto corpus jornalístico, especialmente para os leitores de hoje, é observar a cristalização desses motivos à medida que emergem espontaneamente durante o tratamento de um ou outro assunto. Mesmo que não seja literalmente um caderno de notas, o Diário preenche essa categorização no sentido exato da palavra. É, verdadeiramente, a ferramenta de trabalho de um escritor nos primeiros estágios da criação – um escritor que procura (e encontra) a inspiração para seu trabalho, à medida que, de pena na mão, inspeciona os fatos correntes e tenta lidar com seu sentido mais profundo.


Extraído de Dostoiévski: O Manto do Profeta (1871-1881), de Joseph Frank.


Por Claudio Catoriadis

Falando um pouco sobre o Martin Heidegger





Martin Heidegger (1889-1976), nascido na Alemanha, professor da Universidade de Freiburg im Brisgau e seu reitor de 1933 a 1934, em 1923, assumiu umas das cátedras de filosofia da universidade de Marbug e começou a projeta-se entre os especialistas, acadêmicos por seus trabalhos especiais dos pensadores pré-socráticos.  Em 1946, o filósofo foi afastado do ensino em consequência de inquérito a que respondeu perante as tropas Aliadas de ocupação pelas notórias e oficiais relações por ele entretidas com o Partido Nazista quando foi reitor. É um dos raros filósofos modernos cuja obra apresenta singular crescimento póstumo: Heidegger morreu com as gavetas pilhadas de inéditos, que começaram a ser editados a partir de 1978 – fato gerador de uma terceira fase da recepção de seu pensamento. A primeira fase, até 1946, corresponde à irradiação de “Ser e tempo”, um belo trabalho dedicado a seu mestre Edmund Husserl, “com amizade e veneração”, escrito a partir de 1923, interrompido em 26 e publicado em 1927, permaneceria incompleto até o fim da vida de Heidegger, só com duas das três seções programadas para a primeira parte, omitindo a terceira (com o título inverso de Tempo e ser) e sem a segunda parte, então prevista, da mesma obra. Anunciada nessa inversão do título, de Ser e tempo a Tempo e ser. 


As duas seções publicadas da primeira parte de Ser e tempo já compõem o perfil de uma ontologia fundamental, estudando, numa analítica, com base no método fenomenológico de Husserl, o homem do ponto de vista de seu ser, como Dasein. O perfil dessa ontologia, repassado na “vontade de destruição e subversão” que impregna a questão do sentido do ser, se reconfigura nos textos de 1929, como O que é a metafísica? Da essência do fundamento e Kant e o problema da metafísica. A julgar-se pela segunda fase, seria esse estudo apenas um caminho provisório para “o desenvolvimento completo da questão do ser em geral”. Não era, pois, a existência humana, mas a questão do ser em geral a meta de Ser e tempo, que passou a considerar-se a questão de fundo, interesse, encargo ou destino do pensamento nos escritos de 1930 em diante, como, entre outros, A essência da verdade, Hölderlin e a essência da poesia e aqueles reunidos na coletânea Caminho do bosque, particularmente a origem da obra de arte (1935), A época da imagem do mundo e Por que poetas? Além daqueles mais tardios em que se juntam os temas da essência da técnica e da superação da metafísica.

Enfim, esta obra pode ser vista como síntese da Filosofia de Martin Heidegger, peça fundamental para compreendemos a filosofia contemporânea, figurando em geral nas seleções dedicadas as chamadas joias do pensamento ocidental mesmo Tratando-se de uma obra tão hermética. Um manuscrito de grande sucesso que teve sua relevância no existencialismo francês durante a euforia do mundo pós-guerra.


Por Claudio Castoriadis 

Sobre o Autor:
Claudio Castoriaids Claudio Castoriadis é Professor e blogueiro. Formado em Filosofia pela UERN. Criador do [ Blog Claudio Castoriadis ] Tem se destacado como crítico literário.Seu interesse é passar o máximo de conhecimento acerca da cultura >

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