sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Ileuthyeria*


destinam o começo da avenida preconizada por um canto introdutório sem infâmia e sem louvor. uma parte da segunda cascata ganha escotilhas enquanto deixa escapar etólios das lanternas em outras vinirrubras. o endereço propriamente dito termina em sulcos. sendo assim, integra-se marulhos

numa alcova, do outro lado insondável da esfinge, tirésias nas varetas são naxos de luz ( em média meia vesta, não mais que isso)
aquilo que se foi sentia constrangimento quando encarava-se de esguelha
por certo, ideogramas à maneira moscovita

iluminação ávida na luz. seria nictélia¿

pavões despojados, com tintura tireoidiana, escrevem na borda dos tendões seus cordones perto dos quios

toscanas perfuram oceanos por cima do embornal. (.·.) a meu ver, sucedem pilhérias de coches. depois de breves intervalos, sob a quilha amontoada, estava lá, as gavinhas enrolando suas cordagens. enfim, a língua que ventila o ar subterrâneo poderia ser da iracema - a doçura do apetite sobre a mesa com fome ressequida, quieta como buracos moveis


*especula-se que se trate de uma mistura entre eileithyia, deusa dos nascimentos, e eleutheria (liberdade, em grego).

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

o alquimista de zurique


poucos sabem do polaco
quem foi luminária
dos buracos
frestas
tópicos, utoquai
do mesodérmico
dos estrépitos
da gagueira metabólica
( i.e. entrópica)
:
tiritando
um alquimista
romeno domava idiogramas
sob chuva brumosa da amurada
quase ninguém recebia sua rúnica
ele mesmo jazia esquecido
dos séculos desfibrados
no exílio de zurique

...

por Claudio Castoriadis
fonte web

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

farelo


fiquei sabendo de um volume de calígrafos pulando um dedo de prosa
a maior parte, corriqueiros, brotando das veias arregaçadas 
parecendo esperar figuras, hipérboles balaustradas
:
nas ruas turistas pedem informação
no pulso tenso
do corcovado
em posição
ostentação
:
é verdade que no mapa da palma
o dedo fura bolo afunda
nos farelos?
e as formigas smilinguidas ?
ficam com as partes menores
tantinhos murchos
fazendo voar
cotonetes
tímpanos
tampas
ouvidos
:
rebolada
a panela voadora
quebra uma vidraça
a barriga do som
boia na louça
esbagaça
cabaças
recantos
na água de beber
abençoar- batizar
afogar ou respirar



por claudio castoriadis
imagem - Goro Fujita Artist

sábado, 3 de janeiro de 2015

agora cheira à milagre


I
à tardinha fricciona franjinhas
leciona volapuque 
dispersa holotes
dardos de flamas
sorrisos sonolentos
padece do gosto de verduras
:
sem sabe-lo o monte desfolha
a árvore por inteira do bosque
:
poucos palmos logo à frente
santuários de cordeirinhos
do milho pouco nevoento
a dança dos corimbos
amazonas, hipólitas
II
análises de um sonho
da noite, um verão
um ato
desesperada, helena
prefere demétrio

[...]

e a porção
des lo co u
:
nos olhos de lisandro
flauta-remenda-foles
agora cheira à milagre

Por Claudio Castoriadis
imagem, Goro Fujita Artist

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